2º Domingo de Lucas

«Amai vossos inimigos, fazei bem àqueles que vos desejam o mal.
Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso».
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2º Domingo de Lucas |
| «Amai vossos inimigos, fazei bem àqueles que vos desejam o mal. Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso». |
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Matinas
Tropário:
Desceste das alturas, ó
misericordioso, e aceitaste o sepultamento durante três dias, para nos livrar
das paixões. Senhor, És nossa vida e nossa ressurreição, glória a Ti.
Glória ao Pai
, ao Filho e ao Espírito
Santo,
Desceste das alturas, ó
misericordioso, e aceitaste o sepultamento durante três dias, para nos livrar
das paixões. Senhor, És nossa vida e nossa ressurreição, glória a Ti.
Agora, sempre e pelos
séculos dos séculos. Amém.
Theotokion:
Tu, que por nossa salvação, nasceste
de uma virgem e padeceste a crucificação, ó boníssimo por Tua morte, despojaste
a morte, Tu que é Deus, nos revelaste a ressurreição, não desprezes aqueles que
a Tua mão criou. Manifesta a Tua misericórdia, ó amigo do homem; aceita as
preces daqueles que deste a Luz e salva os desesperados, ó nosso Salvador.
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Katisma:
Ó vida de todos, ressuscitaste os mortos. Um anjo resplandecente
dizia às santas mulheres, "cessai de chorar, levai, a boa nova aos
Apóstolos, canta\ e c\ama\ Cristo Senhor ressuscitou! Ele se dignou salvar o
gênero humano, porque é Deus."
Glória ao Pai
, ao Filho e ao Espírito
Santo.
Na verdade ressuscitaste do túmulo e deste as santas mulheres a
ordem de anunciar aos Apóstolos a tua ressurreição, predita pelas Escrituras. E
Pedro correndo chega ao sepulcro; ele. vê a luz no túmulo e se enche de temor,
mas ele percebe no chão o lençol sem teu corpo divino e ele exclama com fé: Glória
a ti, ó Cristo Deus, nosso salvador, que salvas todos os homens. Tu és o
esplendor da glória do Pai.
Agora sempre e pelos
séculos dos séculos Amém.
Theotokion:
Nós
cantamos a ti, porta do céu
Nós
cantamos a ti, arca da aliança
Nós
cantamos a ti, santa montanha
Nós
cantamos a ti, nuvem luminosa
Tu
, o grande tesouro do universo resgataste Eva. Por ti veio a salvação e o
antigo pecado foi remido. Por, isto, nós te imploramos: ora por nós a teu
filho; e teu Deus para que conceda o perdão dos pecados daqueles que adoram,
piedosamente teu santo nascimento.
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Ypakoí:
Paradas no túmulo do Doador de Vida,
as portadoras de aromas procuravam o Mestre imortal entre os mortos; e ao
receberem a boa nova de alegria do Anjo, elas anunciaram aos Apóstolos que
Cristo havia ressuscitado, concedendo grande misericórdia para o mundo.
Antífona:
Desde a minha juventude o
inimigo me prova, pelos prazeres ele me seduz; mas, colocando minha esperança e
Ti, Senhor, eu o rejeito. Que os inimigos de Sião se tornem como o feno antes
mesmo de ser arrancado, porque o Cristo cortará seus pescoços com a foice dos
tormentos.
Glória ao Pai
, ao Filho e ao Espírito
Santo, agora, sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Pelo Espírito Santo, todo o ser vive, porque Ele é a Luz da Luz, o
grande Deus.
Prokimenon:
O Senhor vosso Deus,
reinará para sempre, ó Sião, de geração em geração. (2 vezes).
Stichos
Ó minha alma, louvai o
Senhor (repete a primeira).
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Evangelho - Lc 24, 36-53
Evangelho
de Nosso Senhor Jesus
Cristo, segundo o Evangelista São Lucas.
Enquanto ainda falavam dessas coisas,
Jesus apresentou-se no meio deles e disse-lhes: A paz esteja convosco!
Perturbados e espantados, pensaram estar vendo um espírito. Mas ele lhes disse:
Por que estais perturbados, e por que essas dúvidas nos vossos corações? Vede
minhas mãos e meus pés, sou eu mesmo; apalpai e vede: um espírito não tem carne
nem ossos, como vedes que tenho. E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os
pés. Mas, vacilando eles ainda e estando transportados de alegria, perguntou:
Tendes aqui alguma coisa para comer? Então ofereceram-lhe um pedaço de peixe
assado. Ele tomou e comeu à vista deles. Depois lhes disse: Isto é o que vos
dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que
de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos. Abriu-lhes
então o espírito, para que compreendessem as Escrituras, dizendo: Assim é que
está escrito, e assim era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse
dos mortos ao terceiro dia. E que em seu nome se pregasse a penitência e a
remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as
testemunhas de tudo isso. Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; entretanto,
permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto. Depois os
levou para Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. Enquanto os abençoava,
separou-se deles e foi arrebatado ao céu. Depois de o terem adorado, voltaram
para Jerusalém com grande júbilo. E permaneciam no templo, louvando e bendizendo
a Deus.
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Divina Liturgia
Tropário da Ressurreição - 8º
tom:
Descestes
das alturas, ó misericordioso, e aceitaste o sepultamento durante três dias,
para nos livrar das paixões. Senhor, És nossa vida e nossa ressurreição, glória
a TI.
Tropário
de São Pedro e São Paulo.
Príncipes dos apóstolos e doutores do
Universo, São Pedro e São Paulo, rogai ao Mestre de todas as coisas que dê a
paz ao mundo e às nossas almas a sua grande misericórdia.
Kondakion
– 8º tom:
Glória
ao Pai
, ao Filho e ao Espírito Santo.
Tendo
ressuscitado do túmulo deste a vida aos mortos e levantaste Adão; Eva se
regozija com a tua Ressurreição, e exultam de alegria os confins da terra, ó
Misericordioso!
Theotokion
– 8º tom:
Agora,
sempre e pelos séculos dos séculos. Amém
Tu,
que pela nossa salvação nasceste da Sempre Virgem Maria, sofreste a crucifixão,
ó Misericordioso, com a morte, venceste a morte como Deus, revelando a Ressurreição.
Não abandones a nós, criaturas de tuas mãos, mostra a tua bondade pela
humanidade, atende as preces da tua Mãe que ora por nós, ó Misericordioso,
Salva, ó Salvador, nosso povo desolado!
Kondakion de São Pedro e São Paulo:
Levaste,
Senhor, para descansar e gozar de teus bens, os dois infalíveis pregadores de
fala divina, os príncipes dos apóstolos; pois preferiste suas provações e morte
a qualquer sacrifício, Tu, o único.
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Prokimenon:
Prokimenon:
Fazei votos ao Senhor nosso Deus
e cumpri-os; todos os que o cercam tragam oferendas.
Deus é conhecido na
Judéia, grande é o seu nome em Israel.
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Epístola - 2Cor. 6, 16-18; 7, 1
Epístola - 2Cor. 6, 16-18; 7, 1
Leitura
da 2ª Epistola de São Paulo aos Coríntios.
Como conciliar o templo de Deus e
os ídolos? Porque somos o templo de Deus vivo, como o próprio Deus disse: Eu
habitarei e andarei entre eles, e serei o seu Deus e eles serão o meu povo (Lv
26,11s). Portanto, saí do meio deles e separai-vos, diz o Senhor. Não
toqueis no que é impuro, e vos receberei. Serei para vós um Pai e vós
sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor todo-poderoso (Is 52,11; Jr
31,9). Depositários de tais promessas, caríssimos, purifiquemo-nos de toda imundície
da carne e do espírito, realizando plenamente nossa santificação no temor de
Deus.
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Aleluia!
Aleluia,
aleluia, aleluia!
Vinde,
exultemos no Senhor, aclamemos o Rochedo que nos salva!
Aleluia,
aleluia, aleluia!
Apresentemo-nos
diante d'Ele com ação de graças, aclamemo-Lo com hinos de louvor!
Aleluia,
aleluia, aleluia!
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Evangelho - Lc. 6, 31-36
Evangelho de Nosso
Senhor Jesus
Cristo,
segundo o Evangelista São Lucas:
Naquele tempo, disse Jesus: «O que quereis que os homens vos façam,
fazei-o também a eles. Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis?
Também os pecadores amam aqueles que os amam. E se fazeis bem aos que vos fazem
bem, que recompensa mereceis? Pois o mesmo fazem também os pecadores. Se
emprestais àqueles de quem esperais receber, que recompensa mereceis? Também os
pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto. Pelo contrário,
amai os vossos inimigos, fazei bem e emprestai, sem daí esperar nada. E grande
será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, porque ele é bom para com
os ingratos e maus. Sede misericordiosos, como também vosso Pai é
misericordioso.
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Sinaxe
O Evangelho que Lucas nos apresenta é
uma continuação do Sermão da Montanha e nos convida a uma reflexão sobre o
amor, o perdão, a magnanimidade e a oração. Jesus manda-nos bendizer aqueles
que nos amaldiçoam, orar pelos que nos injuriam, praticar o bem sem esperar
nada em troca, ser compassivos como Deus é compassivo, perdoar a todos, ser
generosos sem cálculos ou tramas.
A
virtude da magnanimidade, muito relacionada com a da fortaleza, consiste na
disposição de acometer coisas grandes em nome da generosidade e do
desprendimento. Quem se dispõe a viver assim traça o caminho da santidade.
O
magnânimo propõe-se a ideais altos e não recua ante os obstáculos, às críticas
ou aos desprezos. Não se deixa intimidar pelas murmurações ou pelo respeito
humano; segue porque sua natureza o faz persistente em direção à perfeição. O
magnânimo sente uma força que o faz sair de si mesmo em beneficio do próximo.
Em sua pessoa não paira a mesquinhez e, para ele, não basta dar e oferecer; ele
se dá e se oferece. É uma entrega pessoal às causas nobres. Jesus Cristo
entregou-se a si mesmo, sofreu a morte de Cruz, por amor aos homens. Ele se
oferece e é oferecido pelo Pai por amor.
A
grandeza de alma demonstra-se também pela disposição em perdoar o que quer que
seja. Não é próprio do cristão guardar rancores em seu coração, agravos,
recordações que nos fazem sofrer; o que nos deveria ser próprio é a disposição
permanente ao perdão.
Assim
como Deus está sempre pronto a perdoar a todos e a tudo, a nossa capacidade de
perdoar não deve também ter limites, nem pelo número de vezes, nem pelo grau da
ofensa. - “Se, pois
Jesus nos manda amar nossos inimigos, a quem nos dá como modelo? O próprio
Deus”. (S. Agostinho de Hipona)
O
Senhor nos deu o exemplo. Perdoou na Cruz àqueles que lhe faziam padecer tanto.
Em plena agonia no madeiro, no sofrimento beirando ao insuportável, Ele pede ao
Pai por aqueles que o aniquilam: - “Pai Perdoa-lhes; eles não sabem,o que
fazem”. (Lc 23,34)
Os
pedidos que o Senhor nos faz através do Evangelho são possíveis de serem
observados na medida de nossa magnanimidade. O Senhor não nos sobrecarregaria
com fardos pesados se não nos tivesse provido antes das condições para
carregá-los. Para isso, no entanto, é necessário cultivarmos um íntimo
relacionamento com Jesus pela oração freqüente. Desta maneira amaremos também
aqueles que não nos amam, faremos o bem aqueles que nos fazem o mal,
emprestaremos (quiçá, daremos) sem esperar a devolução.
Portanto,
a primeira atitude a que somos chamados é a de rezar pelos nossos inimigos.
Isto não é fácil. Exige de nós disciplina na oração.
«Compreenderemos
o quanto Deus nos ama quando doarmos os que nos
ofendem; sentiremos o amor divino em nossa existência quando amarmos os nossos
inimigos. Quanto mais estivermos próximos de Deus pela oração menos inimigos
teremos, pois já o veremos como irmãos.»
(Santo Irineu)
De
fato a oração nos transporta para uma realidade divina; a oração nos
possibilita levar para o âmago de nosso coração não apenas aqueles que nos
rodeiam distribuindo afeto e empatia, mas também aqueles que se aproximam de
nós com aspereza, rudeza, inimizade, discórdia e apatia. Isto é possível quando
estamos dispostos a fazer de nossos inimigos, parte de nós mesmos: nossos
irmãos.
«Então,
sim, ao amares teu inimigo, estás a amar um irmão. É esse o motivo por que o
amor ao inimigo é a perfeição da
caridade, já que a caridade perfeita consiste no amor aos irmãos. Ama e fazes o
que quiseres; se te calas, cala-te por amor; se falas em tom alto, fala por
amor; se corrigires alguém, faze por amor. Pois é preciso amar o homem e não o
seu erro. O homem é obra de Deus, o erro é obra do homem. Ama a obra de Deus e
purifica as obras do homem. Se existe o inimigo é porque existe o erro. Retira
o erro e em vez de enxergares um inimigo, contemplarás um irmão.»
Santo Agostinho, Bispo de Hipona.
Rezar
por nossos inimigos revela a disposição para a reconciliação. Quando elevamos
nossos inimigos ao coração de Deus pela oração, será impossível continuar a
nutrir maus sentimentos por eles. Pois Deus tudo transforma. A oração
transforma o inimigo em “alguém próximo ao coração de Deus”. Tal proximidade
nos fará pessoas propensas a um novo relacionamento. Provavelmente não existe
nenhuma oração tão poderosa como a oração pelos inimigos. Mas também é a mais
difícil pois é exigente. Alguns santos consideram a oração feita pelos inimigos
o principal critério de santidade.
Amar
os nossos inimigos nos faz próximos da Cruz e da comunhão com o Crucificado.
Esta intimidade com o Senhor que sofreu, mas se fez vencedor, abre os olhos de
nosso coração para que reconheçamos que em nosso “inimigo” está, na verdade, um
irmão que também é amado por Deus. Nem sempre aqueles que julgamos ser nossos
inimigos são inimigos de Deus. Constatamos isto quando o Senhor nos chama a
atenção dizendo que Deus faz chover e brilhar o sol sobre os justos e sobre os
injustos. Não o sol e a chuva apenas terrenos, mas também o “Sol da justiça”,
que é o próprio Jesus Cristo.
O
amor e o perdão se fazem par quando desejamos viver o Evangelho de forma autêntica,
buscando incansavelmente caminhar na santidade dos filhos de Deus: “Sede santos como vosso Pai é
Santo”.
«Amar
nossos inimigos é o desejo que Tu revelastes, ó Amor Misericordioso do Pai.
Pedirias semelhante coisa a nós, se não pudéssemos alcançar ? Estarei eu
compreendendo em meu intimo tal desejo? Ou
equivocado estou em meus conceitos sobre o amor e a inimizade? O que é o amor ?
Quem são meus inimigos? Teria entre os filhos do Altíssimo alguém que pudesse ser realmente inimigo? Se todos
somos filhos do Amor, como podemos gerar inimizade entre nós ? Que meus
sentimentos em relação aos meus irmãos, aqueles que não são dignos de serem
oferecidos no Altar sejam modificados por tua Graça, ó Soberano Celestial.
Elevo minha alma a Ti, Criador de todas as coisas, para transformá-la em espaço
onde possa acolher aqueles que não me são caros. Rezo por eles, Senhor, e por
mim. Que sejamos irmãos antes de tudo para que consigamos enxergar a face do
mesmo Pai e sermos dignos do Amor.»
Abade Moisés (XXV Discurso)
Biografia:
Storniolo, Ivo - «Como Ler o Evangelho
de Lucas» - Ed. Paulus - SP
HAMMANN, A. «Os Padres da Igreja» – Ed Paulinas – SP
«Orações dos Primeiros Cristãos» – Ed. Paulinas – SP
HAMMANN, A. «Os Padres da Igreja» – Ed Paulinas – SP
«Orações dos Primeiros Cristãos» – Ed. Paulinas – SP
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