«Tu és bendito, ó Cristo, nosso Deus, que estabeleceste nossos Padres como luminares sobre a terra e, através deles, conduziste-nos a todos à verdadeira fé. Ó compassivo, glória a Ti!» (Apolitíkion dos Santos Padres)
Dom Irineo
Bispo de Tropaion
7° Domingo de Mateus
Domingo dos Santos Padres do IV Concílio Ecumênico
Leituras Bíblicas
Epístola (Apóstolo): Tt 3,8-15
Evangelho: Mt 5,14-19
A Igreja continua a conduzir-nos pelo luminoso caminho dos domingos de São Mateus. Nada, na pedagogia litúrgica, é casual. Cada Evangelho prepara o seguinte e, pouco a pouco, revela-nos o mistério da Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nos últimos domingos contemplamos a autoridade do Senhor manifestada em suas obras. Vimos a fé admirável do centurião, que reconheceu em Cristo aquele cuja palavra basta para curar à distância. Em seguida, acompanhamos o Senhor à região dos gadarenos, onde libertou dois homens da cruel escravidão dos demônios, manifestando Seu domínio absoluto sobre as forças do mal. No domingo passado, contemplamos a cura do paralítico, ocasião em que Cristo revelou um poder ainda maior: não apenas restaurar o corpo, mas perdoar os pecados, realizando a verdadeira cura do homem inteiro.
A cada domingo, a Igreja colocou diante de nossos olhos uma pergunta silenciosa: quem é este que fala com tamanha autoridade? Quem é este a quem obedecem a doença, os espíritos malignos e até o pecado?
Neste domingo, ela própria oferece a resposta.
Celebramos a memória dos 630 Santos Padres reunidos no IV Concílio Ecumênico, realizado em Calcedônia, no ano de 451. Não fazemos memória de um acontecimento histórico apenas porque pertence ao passado, mas porque nele a Igreja confessou solenemente a verdade sobre Aquele que vimos agir nos Evangelhos das últimas semanas. Os Padres proclamaram que Jesus Cristo é um só e o mesmo Filho, perfeito na divindade e perfeito na humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, conhecido em duas naturezas, “sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação”. A definição de Calcedônia não acrescentou uma nova doutrina; preservou intacta a fé recebida dos Apóstolos diante dos erros que ameaçavam obscurecer o rosto de Cristo.
Não é por acaso que a Igreja une essa memória ao Evangelho em que o Senhor proclama: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14). Antes mesmo da proclamação das leituras, porém, a própria hinografia já nos oferece a chave desta celebração. No Troparion cantamos:
“Tu és sobremaneira glorificado, ó Cristo nosso Deus, que estabeleceste nossos Padres como luzeiros sobre a terra e, por meio deles, conduziste todos nós à verdadeira fé. Ó Mui Compassivo, glória a Ti!”
Os Santos Padres são chamados luzeiros (φωστῆρες) porque não possuíam luz própria. Assim como a lua reflete a luz do sol, eles refletiram a única Luz verdadeira, Cristo, conservando sem diminuição o depósito da fé apostólica e transmitindo-o fielmente à Igreja de todos os tempos.
É significativo que a liturgia nos apresente primeiro os luzeiros e, logo em seguida, o próprio Senhor dizendo aos discípulos: “Vós sois a luz do mundo.” A luz que Cristo comunica à Sua Igreja não é um privilégio reservado aos grandes Padres ou aos santos do passado; é a vocação de todo batizado. Os Padres de Calcedônia tornam-se, assim, modelo de uma existência inteiramente iluminada por Cristo, na qual a reta fé (ortodoxia) e a reta vida (ortopraxia) permanecem inseparáveis.
Celebrar este domingo é, portanto, muito mais do que recordar um Concílio do século V. É renovar nossa profissão de fé naquele mesmo Senhor que contemplamos agir nos Evangelhos destes últimos domingos: Aquele que cura os enfermos, expulsa os demônios, perdoa os pecados e faz de Seu povo a luz do mundo é o Verbo eterno do Pai, que assumiu plenamente nossa humanidade para restaurá-la e conduzi-la à comunhão com Deus.
Referências Bibliográficas:
Irineo, Bispo de Tropaion. “Os Santos Concílios Ecumênicos”.
Bíblia Sagrada: Tt 3,8-15; Mt 5,14-19; 2Pd 1,4; Jr 31,33.
Definição dogmática do Concílio de Calcedônia, 451: “um só e mesmo Cristo… em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação”.
São Gregório, o Teólogo. Epístola 101: “O que não é assumido não é redimido”.
Pe. Philip LeMasters. “Homily for the Sunday of the Holy Fathers of Fourth Ecumenical Council in the Orthodox Church”, 13 jul. 2024. Eastern Christian Insights.
Arcebispo Elpidophoros da América. “Homily for the Sunday of the Fathers of the Fourth Ecumenical Council”, 13 jul. 2025. GOARCH.
Give Me a Word: The Alphabetical Sayings of the Desert Fathers. Yonkers: St Vladimir’s Seminary Press, 2014. Apotegma de Abba Lot e Abba José.
Mystagogy Resource Center. Homilias anexadas sobre o Domingo dos Santos Padres do IV Concílio Ecumênico e os Padres como luzes do mundo.
Extraído do site: ecclesia.com.br
Vida dos Santos
Santa Macrina, a Jovem Virgem
Data de celebração: 19/07/2026
Tipo de festa: Fixa
Santo (a) do dia: Santa Macrina, a Jovem Virgem Biografia:
Macrina era a mais velha dos dez filhos de São Basílio Maior [São Basílio Maior era pai de São Basílio, o Grande, irmão de Santa Macrina e Santa Emelia]. Nascida em Cesaréia da Capadócia, por volta do ano 330, Macrina foi educada com especial esmero por sua mãe que lhe ensinou a ler e acompanhava cuidadosamente suas leituras. O livro da Sabedoria e os Salmos de Davi eram as suas obras preferidas, mas, nem por isso, descuidava de suas tarefas domésticas e de seu trabalho de fiação e costura. Aos doze anos, foi prometida em casamento, mas tendo seu noivo morrido repentinamente, Macrina recusou-se a aceitar qualquer outra proposta de casamento para dedicar-se a ajudar sua mãe na educação dos irmãos mais jovens. São Basílio, o Grande, São Pedro de Sabaste, São Gregório de Nissa e os outros irmãos de Macrina, aprenderam dela o desprendimento das coisas deste mundo, o temor à riqueza e o amor à oração e à Palavra de Deus. Diz-se que São Basílio teria retornado de seus estudos um tanto quanto envaidecido, e que sua irmã lhe teria ensinado a humildade. Macrina foi «pai, mãe, guia, mestra e conselheira» de seu irmão mais novo, São Pedro de Sebaste, pois o pai, São Basílio, o Maior, morreu pouco depois do nascimento de seu último filho. Depois da morte do pai, São Basílio instalou sua mãe e sua irmã numa casa às margens do rio Íris. Ali as duas mulheres, mãe e filha, se entregaram exclusivamente à prática de uma vida ascética, juntamente com outras companheiras.
Com a morte se Santa Emélia, Macrina repartiu sua parte da herança entre os pobres e passou a viver do trabalho de suas mãos. Se irmão, Basílio, morreu no início do ano 379 e, nove meses mais tarde, Macrina ficou gravemente enferma. Quando São Gregório de Nissa foi visitá-la, depois de nove anos longe, encontrou Macrina num leito de tábuas. O santo ficou consolado ao ver com que alegria sua irmã suportava os sofrimentos e impressionou-se com o fervor com que se preparava para a morte. Macrina exalou seu último suspiro ao entardecer, com uma expressão de alegria em sua face. A pobreza na qual vivia era tal que, como mortalha, não dispunha senão de um velho vestido de tecido grosseiro. São Gregório, porém, providenciou uma túnica de linho para esta finalidade. O bispo do lugar, de nome Arauxio, dois sacerdotes e o próprio São Gregório conduziram suas exéquias e, durante o cortejo funerário cantaram-se os hinos dos Salmos. Uma grande multidão se juntou para a despedida de Macrina e suas lamentações chegavam a perturbar a cerimônia fúnebre.
No Diálogo sobre a alma e a Ressurreição, num panegírico dedicado ao monge Olímpio, São Gregório deixou registrada a biografia de sua irmã Macrina, rica em detalhes sobre suas virtudes, sua vida e sobre a morte e sepultamento da Santa. Nele o Santo fala dos milagres: o primeiro, quando Macrina teve sua saúde restabelecida após sua mãe ter traçado sobre ela o sinal da cruz; o segundo, quando a Santa curou uma menina filha de um militar, de uma enfermidade das vistas. São Gregório acrescenta:
«Creio que não será necessário repetir aqui todas as maravilhas que contam os que conviveram com ela e a conheceram de perto… Por incríveis que possam parecer estes milagres, posso vos assegurar que, aqueles que tiveram oportunidade de estudá-los exaustivamente, os consideram como tais. Só os homens carnais se recusam a crer e os consideram impossíveis. Assim, pois, para evitar que os incrédulos sejam castigados por negarem a realidade desses dons de Deus, preferi me abster aqui de repetir essas maravilhas sublimes…»
Este comentário confirma, mais uma vez, o dito de que, «só um santo poderia propriamente escrever sobre a vida de outro santo».
Trad.: Pe. André
Extraído do site: ecclesia.com.br
Hino do dia
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Celebrações do dia
1. Saint Dio
2. Ossia Makrina irmã do Grande Reino
3. São Teodoro o Sabbati bispo de Edessa
4. Os quatro contendores
5. Santo Dioclee
6. São Gregório, o Bispo de Panidos, o novo confessor
7. Saint Michel
8. Socorro das Santas Relíquias de Serafim de Serafim
9. Saint Paisios da Lavra das Cavernas
10. Milagres de São Charalampos em Filiatra Messinia Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Leituras do dia
Matinas - João 20, 1-10
Epístola - Tito 3, 8-15
Evangelho - Mateus 5, 14-19
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Jejum
Livre
Permitido todos os alimentos.
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)