3°
Domingo da Quaresma
«Veneração
da Santa Cruz»
(4º
antes da Páscoa - Modo Grave)
Liturgia
de São Basílio, o Grande.
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Matinas
Tropário:
Destruístes
com a Tua Cruz a morte, abristes ao ladrão o paraíso, transformaste
o luto das mirróforas e ordenaste, aos Teus Apóstolos pregarem que
Tu ressuscitaste, ó Cristo Deus, dando ao mundo a grande
misericórdia.
Glória
ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo,
Destruístes
com a Tua Cruz a morte, abristes ao ladrão o paraíso, transformaste
o luto das mirróforas e ordenaste, aos Teus Apóstolos pregarem que
Tu ressuscitaste, ó Cristo Deus, dando ao mundo a grande
misericórdia.
Agora,
sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Theotokion
:
Virgem
gloriosa, tesouro de nossa ressurreição, arrancai dos abismos do
pecado aqueles que colocam a sua esperança em Ti, pois salvaste os
pecadores subjugados às suas faltas, Tu que destes nascimento à
nossa salvação, Tu que permanecestes virgem no parto, durante o
parto e após o parto.
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Katisma:
O
sepulcro está aberto, o inferno se lamenta e Maria exclama aos
apóstolos prostrados: "Saí, operários da vinha, proclamai a
nova da ressurreição. O Senhor ressuscitou e deu ao mundo a grande
misericórdia."
Glória
ao Pai , Filho e Espírito Santo
Ao
lado de Teu sepulcro, Senhor, Maria Madalena chora e se lamenta: Ela
Te fala e, pensando que eras o jardineiro, e diz: "Onde
colocaste a vida eterna? Onde colocaste aquele que se assenta sobre o
trono dos querubins?" E quando ela viu os guardas gelados,
caírem como mortos, exclamou: "Dai-me o meu Senhor, ou então
clamai comigo: glória a Ti que desceste até os mortos, glória a
que ressuscitaste dos mortos."
Agora,
sempre e pelos séculos dos séculos.
Theotokion:
Ó
virgem Mãe de Deus, intercede por nós ao Cristo Deus que foi
crucificado por nós, e que com a Sua ressurreição destruiu o
império da morte. Intercede sem cessar, Ó Mãe de Deus, para que
ele salve as nossas almas.
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Ypakoí:
Porque
Tu amas a humanidade, ó Cristo nosso Deus, Tu Te puseste na forma
humana e na carne sofreste a Cruz; salva-me por Tua Ressurreição.
Antífona:
Ó
Tu,que resgataste os cativos de Sião de seus erros. Ó Salvador
dá-me a vida e arranca-me da escravidão das paixões. Aquele que
vem do Sul semeia as penas da abstinência e ceifará com alegria os
frutos da vida eterna.
Glória
ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora, sempre e pelos séculos
dos séculos. Amém.
Do
Espírito Santo, fonte dos tesouros divinos, jorra toda sabedoria,
julgamento e temor de Deus. A Ele o louvor e a glória, a honra e o
poder.
Prokimenon:
Levanta-Te,
Senhor, que Teus braços se elevem e não Te esqueças de Teus pobres
até o fim dos tempos. (2
vezes).
Stichos:
Eu
Te louvarei, Senhor, de todo o meu coração e celebrarei todas as
Tuas maravilhas (repete
a primeira).
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Evangelho:
Jo
20, 1-10
Evangelho
de Nosso Senhor Jesus
Cristo, segundo o Evangelista São João.
Naquele
tempo, no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de
madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.
Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem
Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não
sabemos onde o puseram. Então Pedro saiu com o outro discípulo, e
foram ao sepulcro. E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo
correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao
sepulcro. E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia não
entrou. Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no
sepulcro, e viu no chão os lençóis, e que o lenço, que tinha
estado sobre a sua cabeça, não estava com os lençóis, mas
enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo,
que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. Porque ainda não
sabiam a Escritura, que era necessário que ressuscitasse dentre os
mortos. Tornaram, pois, os discípulos para casa.
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Kondakion:
o
império da morte não pode mais
reter os homens, porque o Cristo para quebrar e destruir seu poder.
O
inferno está acorrentado, o coro dos profetas se rejubila. Dizei aos
fiéis:
EIs
o SaJvador, saí à frente da ressurreição.
Ikós:
Neste
dia, as profundezas do abismo
do inferno tremeram diante da Unidade da Trindade.
A
terra estremeceu, os guardas das portas infernais permaneceram
terrificados ao vê-lo.
E
toda a criação se rejubilou, cantando com os profetas um cântico
de vitória a Ti, nosso Deus libertador, que destruíste as forças
da morte.
Possamos
clamar de alegria e bradar a Adão e seus filhos: O madeiro da cruz
te fez entrar no paraíso, saí fiéis à frente da ressurreição.
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Exapostilário:
Quando
Maria disse: “Levaram meu Deus”, correram ao túmulo Simão Pedro
e outro discípulo, que Jesus amava, e encontraram dentro apenas o
Sudário e turbante ao lado. Eles esperaram até que viram o Senhor.
Theotokion:
Tu
fizeste coisas grandes e excepcionalmente estranhas para mim, ó
misericordiosíssimo Cristo. Pois ininteligivelmente Tu nasceste duma
Virgem Donzela e aceitaste a Cruz e suportaste a morte, ressuscitando
em glória para fazer nossa natureza livre da morte. Glória a Tua
glória, ó Cristo, glória a teu poder.
Laudes:
1º
Cristo
ressuscitou dos mortos e rompeu os elos da morte. Terra, clamai a boa
nova da grande alegria. Céus, cantai a glória de Deus.
2º
Nós
vimos a ressurreição de Cristo, adoremos o Santo, o Senhor Jesus, o
único sem pecado.
3º
Adoremos,
sem cessar, a ressurreição de Cristo, porque Ele nos livrou de
nossas iniqüidades. Santo é o Senhor Jesus que nos revelou a
ressurreição.
4º
O
que daremos ao Senhor por tudo o que Ele nos deu? Foi por causa da
natureza corrompida que Deus veio entre os homens, que o verbo se fez
carne e habitou entre nós.
Benfeitor
para os ingratos, libertador para os cativos, sol da justiça para os
que estão na noite; sobre a cruz impassível; luz para os infernos,
vida na ressurreição para os caídos. Clamemos e Ele, nosso Deus,
glória a Ti.
5º
Senhor,
arrombaste as portas do inferno e Tua força invencível destruiu o
império da morte. Contigo despertaste os mortos, que desde o início
dormiam nas trevas, por Tua divina e gloriosa ressurreição, ó Deus
todo poderoso.
6º
Vinde
e exultemos ao Senhor, regozijemo-nos em Sua ressurreição, porque
Ele libertou os mortos dos entraves do inferno, porque Ele é Deus e
deu a vida eterna ao mundo e a sua grande misericórdia.
7º Um anjo deslumbrante estava sentado sobre a pedra do Sepulcro, que continha a vida, e anunciava às mulheres esta boa nova: “Cristo ressuscitou, como havia predito. Ide dizer aos discípulos que Ele os precedeu na Galiléia e que Ele dá ao mundo a vida eterna e a grande misericórdia”.
8º Ó judeus sem lei, porque desprezaste a pedra angular? É esta a pedra que Deus colocou em Sião. Aquele que fez verter água de uma pedra no deserto, fez jorrar para nós a imortalidade de Seu lado transpassado.
É Ele a pedra que caiu da montanha virginal, sem o desejo do homem, Aquele que vem sobre as nuvens celestes ao ancião dos dias, como prometeu a Daniel. Eterno é o Seu Reino!
Eothinon:
Glória
ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Maria,
ficaste com a razão perturbada pela obscuridade da aurora pois,
perto do túmulo, ficaste perguntando: “Aonde colocaram Jesus?”;
mas os discípulos, que também correram ao Sepulcro, como já
estavam orientados sobre a ressurreição, ao olhar o Sudário e o
turbante, se lembraram do que estava escrito nos livros a respeito do
Senhor.
Por
isso, por intermédio deles, alicerçamos a nossa fé em Ti, ó
Cristo doador da vida e, juntamente com eles, nós Te louvamos
Agora,
sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Theotokion:
Bendita
e venerável és Tu, ó Mãe de Deus, em cujo seio se encarnou Aquele
que visitou o inferno, libertando Adão e Eva da maldição,
destruindo a morte e dando a vida a todos nós. Por isso bendirei o
Cristo em qualquer tempo, e sempre o Seu louvor estará em minha boca
(2 vezes).
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Hoje
é a salvação do mundo. Louvemos Aquele que ressuscitou do túmulo,
dando-nos origem a uma nova vida, porque anulou a morte com a Sua
morte e nos concedeu a misericórdia de obter essa grande vitória.
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Divina
Liturgia
Tropário
da Ressurreição - 7º tom:
Destruístes
com a Tua Cruz a morte, abristes ao ladrão o paraíso, transformaste
o luto das mirróforas e ordenaste, aos Teus Apóstolos pregarem que
Tu ressuscitaste, ó Cristo Deus, dando ao mundo a grande
misericórdia.
Tropário
Próprio - Modo 4:
Salva,
Senhor, o teu povo e abençoa a tua herança!
Concede à tua Igreja a vitória sobre o mal e guarda o teu povo pela tua Cruz.
Concede à tua Igreja a vitória sobre o mal e guarda o teu povo pela tua Cruz.
Tropário
de São Pedro e São Paulo.
Príncipes
dos apóstolos e doutores do Universo, São Pedro e São Paulo, rogai
ao Mestre de todas as coisas que dê a paz ao mundo e às nossas
almas a sua grande misericórdia.
Kondakion
– 7º tom:
Glória
ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo.
O
domínio da morte já não pode submeter o homem pois Cristo,
descendo, aboliu e destruiu o seu poder, o Hades está vencido, e os
profetas se alegram, clamando em uníssono: "O Salvador
apareceu àqueles que têm fé! Corram, fiéis, para a Ressurreição!"
Theotokion
– 7º tom:
Agora,
sempre e pelos séculos dos séculos. Amém
Como
templo da nossa ressurreição, ó Toda-gloriosa retira
do túmulo e da desolação aqueles que esperam em ti, tu nos
salvaste da escravidão do pecado, gerando
a nossa Salvação, permanecendo sempre virgem.
Kondakion
Próprio:
Doravante,
a espada de fogo não guardará mais a porta do Éden, porque o
madeiro da Cruz apagou-a de modo maravilhoso; a morte foi vencida e a
vitória dos infernos anulada. E Tu, ó meu Salvador, te dirigiste
aos que nele estavam, dizendo: "entrai de novo no paraíso!"
Kondakion
Final:
Nós,
teus servos, ó Mãe de Deus, te conferimos os lauréis da vitória,
penhor de nossa gratidão, como a um general que combateu por nós e
nos salvou de terríveis calamidades. E, como tens um poder
invencível, livra-nos dos perigos de toda espécie para que te
aclamemos: salve, Virgem e Esposa!
Kondakion
de São Pedro e São Paulo:
Levaste,
Senhor, para descansar e gozar de teus bens, os dois infalíveis
pregadores de fala divina, os príncipes dos apóstolos; pois
preferiste suas provações e morte a qualquer sacrifício, Tu, o
único conhecedor dos segredos dos corações.
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Trisagion:
Adoramos
a tua Cruz , ó Mestre, e glorificamos a tua santa Ressurreição.
(3 vezes)
Glória
ao PAI, ao FILHO e ao ESPÍRITO SANTO, agora, sempre e pelos séculos
dos séculos. Amém.
E
glorificamos a tua santa Ressurreição.
Adoramos
† a tua Cruz , ó Mestre, e glorificamos a tua santa Ressurreição.
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Prokimenon:
O
Senhor dará poder a seu povo.
O Senhor abençoará seu povo com a paz.
O Senhor abençoará seu povo com a paz.
Oferecei
ao Senhor, ó filhos de Deus, oferecei ao Senhor tenros cordeiros.
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Epístola
Hb
4, 14-5, 6
Leitura
da Epístola do Apóstolo São Paulo aos Hebreus.
Irmãos,
nós temos um sumo sacerdote eminente, que atravessou os céus:
Jesus, o Filho de Deus. Por isso, mantenhamos firme a fé que
professamos. De fato, não temos um sumo sacerdote incapaz de se
compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado como nós,
em todas as coisas, menos no pecado. Portanto, aproximemo-nos do
trono da graça com plena confiança, a fim de alcançarmos
misericórdia, encontrarmos graça e sermos ajudados no momento
oportuno. Todo sumo sacerdote, escolhido entre os homens, é
constituído para o bem dos homens nas coisas que se referem a Deus.
Sua função é oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Desse
modo, ele é capaz de sentir justa compaixão por aqueles que ignoram
e erram, porque também ele próprio está cercado de fraqueza; e,
por causa disso, ele deve oferecer sacrifícios, tanto pelos próprios
pecados como pelos pecados do povo. Ninguém pode atribuir a si mesmo
essa honra, se não for chamado por Deus, como o foi Aarão. Da mesma
forma, Cristo não atribuiu a si mesmo a glória de ser sumo
sacerdote; esta lhe foi conferida por aquele que lhe disse: «Você é
o meu Filho, eu hoje o gerei.» E, noutra passagem da Escritura, ele
diz: «Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem do sacerdócio
de Melquisedec.»
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Aleluia!
Aleluia,
aleluia, aleluia!
É
bom exaltar o Senhor e cantar louvores ao teu Nome, ó Altíssimo (Sl
92, 1).
Aleluia, aleluia, aleluia!
Aleluia, aleluia, aleluia!
Proclamar
pela manhã o teu amor e a tua fidelidade pela noite (Sl 91,
2).
Aleluia, aleluia, aleluia!
Aleluia, aleluia, aleluia!
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Evangelho - Mc
8, 34-9, 1
Evangelho
de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo o Evangelista São Marcos.
Naquele
tempo, Jesus chamou a multidão e os discípulos. E disse: «Se
alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me
siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem
perde a sua vida por causa de mim e da Boa Notícia, vai salvá-la.
Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se perde a
própria vida? Que é que um homem poderia dar em troca da própria
vida? Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras diante
dessa geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se
envergonhará dele, quando vier na glória do seu Pai com seus santos
anjos». E Jesus dizia: «Eu garanto a vocês: alguns dos que estão
aqui, não morrerão sem ter visto o Reino de Deus chegar com poder.»
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Hirmos:
Ó
cheia de graça, em ti rejubila-se toda a Criação. A assembléia
dos anjos e o gênero humano te glorificam, ó templo santificado,
paraíso espiritual e glória das virgens, na qual Deus se encarnou e
da qual tornou-se Filho Aquele que é nosso Deus antes dos
séculos. Porque fez de teu seio um trono e as tuas
entranhas, mais vastas do que os céus. Ó cheia de graça, em
ti rejubila-se toda a Criação e te glorifica!
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Sinaxe
No
calendário Litúrgico Bizantino há duas datas nas quais veneramos a
Santa Cruz, tamanha é a relevância e o simbolismo deste instrumento
de morte que se transformou em instrumento de vida e salvação para
os cristãos: 14 de setembro (festa principal) e no Terceiro Domingo
da Quaresma.
A Santa Cruz transformou-se, no decorrer dos acontecimentos da vida da Igreja, no arquétipo da ação salvífica de Deus e no modelo de resposta do homem. Deus salva os homens pela Cruz, através de seu Filho que, obediente à vontade do Pai, a abraçou restaurando aos homens a dignidade filial perdida.
Os primeiros cristãos, conforme relata São Paulo em suas cartas, começavam a descobrir as riquezas do mistério da morte de Jesus na cruz, quando à luz da Ressurreição a vislumbravam como meio de salvação e não como instrumento de perdição. Já que o Senhor havia morrido numa cruz, em obediência à vontade do Pai, ela foi acolhida como sinal de humildade e sujeição aos desígnios de Deus. A resposta do homem ante a vontade divina passou a ser dada de maneira consistente: a fé no Ressuscitado movia os corações a uma plena compreensão do plano salvífico.
São Paulo não se limitou apenas a ensinar sobre o poder que tem a Cruz de libertar os homens do pecado, do egoísmo e da morte. Ele foi além dessas verdades estendendo o seu significado. Deu à Cruz a dimensão de Redenção, vendo nela o meio necessário para que fosse selada a Nova Aliança entre Deus e os homens.
Todo cristão, por participar do amor e da obediência de Cristo na Cruz, morre para o pecado que o impede de amar a Deus e aos homens de forma plena e livre. Santo Inácio de Antioquia ( + 117) e São Policarpo (+ 165) lembravam os sofrimentos de Cristo constantemente em suas pregações, para enfatizar a todos os cristãos que no escândalo da Cruz se ocultava o profundo amor de Deus pelos homens. Na cruz trilhava-se o caminho para se chegar à Ressurreição. Por isso, os cristãos do Oriente veneram a Cruz como símbolo da vitória sobre a morte.
Todo sofrimento, angústia, desespero e morte tornam-se secundários diante da magnitude da Ressurreição. O cristão ortodoxo contempla a Cruz resplandecente, mergulhado no espírito pascal: o Senhor não terminou sua missão na Cruz, mas fez dela um instrumento de passagem para se chegar à Vida.
A Cruz para um cristão que esteja imbuído deste espírito torna-se fonte de bênçãos. A loucura da Cruz de Cristo ganha a dimensão do amor infinito e totalmente oblativo. Hoje em dia são muitos os que tem dificuldade em compreender a teologia da Cruz. Parecem fugir dela por medo de sofrer. O sofrimento e a dor fazem parte da humanidade. Sofremos ao nascer, sofremos durante a vida e a morte virá com muito ou pouco sofrimento, mas virá com ele. Não podemos mudar esta realidade que nos é inerente por natureza. Como cristãos podemos mudar a compreensão que damos ao sofrimento.
A Cruz, antes vista como horror e escândalo, passou a ser compreendida como instrumento de salvação. Para que cheguemos a este amadurecimento espiritual é necessário o encontro com o Senhor Crucificado que padeceu os horrores da dor, para que Ele mesmo nos conduza às alegrias da Ressurreição.
Venerar a Cruz é venerar a história humana. Contemplar a Cruz é contemplar os seres humanos nos mais diversos continentes do mundo. Venerar a Cruz gloriosa e vivificante é restabelecer à história humana sua grandeza na História da Salvação. A Cruz sem Deus revela o abandono e a morte. A Cruz com Deus é sinal de esperança e vida nova.
Neste terceiro Domingo da Quaresma a Igreja nos convida a refletir sobre a dimensão que damos à Cruz e ao sofrimento em nossas vidas. Nossa postura frente à Cruz e ao sofrimento humano deve assemelhar-se à postura de Maria e a de João, o discípulo do amor. Estavam em pé diante do Crucificado, contemplando Aquele que era a Ressurreição e a Vida. Mesmo sem entender o que estava acontecendo conservavam tudo isso no coração. Não procuravam uma explicação racional e uma lógica que os fizessem compreender o sofrimento de Jesus. A lógica que os fazia silenciar e aceitar os desígnios de Deus era a obediência e a entrega à vontade do Pai.
Quando racionalmente procuramos explicações para o sofrimento e a cruz, fatalmente cairemos em subjetivismos perigosos que nos poderão levar a erros e a desvios da fé apostólica. O homem por si só não pode explicar os mistérios de Deus. A lógica divina não obedece os parâmetros racionais humanos. A Cruz para a Igreja é sinal e instrumento de Salvação. Por isso, os cristãos de tradição bizantina a veneram gloriosa e vivificante, despida dos sentimentos mórbidos que poderiam ofuscar a sua magnitude. O sofrimento, as dores e a morte que o Senhor sofreu por meio dela, por mais terríveis que pudessem ser, fez dela veículo da nossa salvação.
Em recente entrevista à Revista 30 Dias, assim se expressou Sua Santidade o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, referindo-se a relação existente entre a Igreja e a Cruz:
«A
Igreja deve apoiar a sua força na sua fraqueza humana, na loucura da
Cruz (escândalo para os Judeus, loucura para os Gregos), e a sua
esperança na ressurreição de Cristo. Privada de todo poder
mundano, perseguida e entregue cotidianamente à morte, a Igreja faz
com que surjam santos, que guardam a Graça de Deus em vasos de
argila, que vivem dentro da luz da Transfiguração e são conduzidos
por Deus ao martírio e ao sacrifício.»
Um
cristão, à Luz da Ressurreição, carrega sua cruz subindo o
Calvário para a Santidade. O madeiro que sustentou o corpo do Senhor
Crucificado tornou-se Árvore da Vida, pois nele foi selado o Novo
Testamento, a Nova Aliança. Deus pôs no santo Lenho da Cruz a
salvação da humanidade, para que a vida ressurgisse de onde viera a
morte.
Durante o Rito de veneração à Santa e Vivificante Cruz, entoa-se um canto que nos convida a contemplar o madeiro sagrado que nos deu a vitória sobre o mal:
«Vinde,
fiéis! Adoremos o Madeiro que dá a vida, no qual Cristo, o Rei da
Glória, estendeu voluntariamente, seus braços, restaurando em nós
a felicidade primitiva.
Vinde,adoremos a Cruz que nos dá a vitória sobre o mal.»
Vinde,adoremos a Cruz que nos dá a vitória sobre o mal.»
Mais
forte é o significado da segunda parte deste mesmo hino que nos faz
compreender a dimensão e a grandeza da Cruz de Cristo:
«Hoje,
a Cruz é exaltada e o mundo se liberta do erro.
Hoje, renova-se a Ressurreição de Cristo, regozijam-se os confins da terra..."
Hoje, renova-se a Ressurreição de Cristo, regozijam-se os confins da terra..."
Na
Cruz renova-se a Ressurreição. Pela Cruz a Vida nos é possível.
Pela Cruz a Santidade é uma realidade presente. Basta o encontro com
o Senhor e nossa entrega total a Vontade de Deus.
O silêncio e a meditação nos auxiliarão, nesta Quaresma, a ver na Cruz e no sofrimento riquezas espirituais nunca antes vislumbradas por nós, mas já vividas pelos santos. Meditando sobre a Cruz à luz da Ressurreição, "adoramos a tua Cruz, ó Mestre e glorificamos a tua Santa ressurreição."
Bibliografia:
DE
FIORES, Stefano. Dicionário de Espiritualidade, São Paulo: Ed.
Paulinas, 1989,

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