14ª sexta-feira após Pentecostes
Vida dos Santos
Natividade da Santa Mãe de Deus,
a Bem-aventurada Virgem Maria
Data de celebração: 08/09/2017
Tipo de festa: Fixa
Santo (a) do dia: Comemoração da «Natividade da Santa Mãe de Deus, a Bem-aventurada Virgem Maria»
Biografia:
No dia 8 de setembro, celebra-se a festa da Natividade da SS. Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, que é a primeira das Doze grandes festas do ano litúrgico bizantino. Para as festas com data fixa, o ano litúrgico começa no dia 1º de setembro; tempos atrás, essa data registrava também o início do ano civil no Oriente. Esse costume tem sua origem numa tradição hebraica que fixava o início do novo ano ao Tishri, período que corresponde ao nosso setembro-outubro. Portanto a primeira grande festa litúrgica é mariana, como também a última do ano, a do 15 de agosto, como a confirmar o grande amor que tem para com a Mãe de Deus o Oriente que a viu nascer e crescer em perfeita conformidade ao plano de Deus. Também os cristãos do Ocidente celebram o nascimento de Maria Santíssima na mesma data, porém com menor solenidade. Essa festa mariana teve sua origem em Jerusalém na metade do século V, onde permanecia viva a tradição da dedicação da igreja construída no lugar onde surgia a casa dos santos Joaquim e Ana.
No século VI a festa foi introduzida em Constantinopla e mais tarde em Roma.
A Igreja bizantina já no dia anterior (7 de setembro) celebra a pré-festa e nas orações mais repetidas (tropário e kontákion) vislumbram-se já os temas que serão desenvolvidos nas celebrações de 8 de setembro. Eis o texto das duas orações:
Da raiz de Jessé e da estirpe de Davi
para nós hoje foi gerada Maria, a celeste menina.
Por isso, a criação se alegra e se renova,
céus e terra juntas tripudiam.
Povos todos, louvai-a.
Joaquim exulta e Ana se alegra exclamando:
A estéril dá à luz a Mãe de Deus,
nutriz da nossa vida.
Tropário (4º tom)
Hoje, a Virgem e Mãe de Deus,
intransponível câmara nupcial do Esposo celeste,
é gerada pela estéril,
em conformidade com a vontade divina,
para ser o coche do Verbo de Deus.
Para isso, de fato, foi destinada
aquela que é a porta santa
e a mãe da verdadeira vida."
Kondakion (3º tom)
Juntamente com a riqueza de imagens, típica da oração oriental, nota-se logo que a liturgia do Oriente bizantino acolhe dados transmitidos pelo Proto-evangelho de São Tiago, baseado provavelmente em textos apócrifos anteriores: o nome dos justos e piedosos pais, a tristeza deles por não ter filhos, os prodigiosos anúncios do céu acerca do inesperado nascimento de uma filha, cujo destino é excepcional.
No ofício das Vésperas, com o qual começa a festa do dia 8 de setembro, assim vem exaltado o evento:
Hoje o Deus que se assenta em tronos espirituais
preparou para si um trono santo sobre a terra;
Aquele que em sua sabedoria estabeleceu os céus,
no seu amor cria um céu vivente.
Eis o dia do Senhor, alegrai-vos, ó povos!
Com efeito a câmara nupcial deu à luz,
e o livro do Verbo da vida saiu de um ventre.
A porta do Oriente nasceu
e aguarda a entrada do grão-sacerdote,
única a introduzir no universo o único Cristo,
para a salvação das nossas almas.
Hoje se descerram as portas estéreis
e nasce a Pura virginal e divina;
hoje a graça começa a dar o seu fruto
mostrando ao universo a Mãe de Deus,
para a qual a terra é unida aos céus.
É abolida a esterilidade da nossa natureza,
pois uma mulher estéril tornou-se mãe daquela
que permanecerá virgem após o nascimento do seu Criador.
Dela o Deus por natureza
apossou-se do que lhe era estranho e encarnado,
opera a salvação dos transviados pela carne.
É fácil perceber que o nascimento da pequena Maria é interpretado como o início do plano da redenção. Daí a importância e o tom festivo que caracteriza esta festa. No ícone da Natividade de Maria, exposto no meio da igreja para ser venerado pelos fiéis, vê-se Ana estendida no leito, algumas servas cuidam dela e Joaquim observa a cena ou, em outros ícones, está junto de Ana feliz pelo nascimento da menina. Mais embaixo está a cena do primeiro banho da menina onde se vêem evidentes, ao lado da cabeça, as iniciais gregas que indicam ser ela a 'Mãe de Deus'. Maria, desde o seu nascimento, é considerada tão íntima e indissoluvelmente unida ao Cristo na obra de redenção que alguns hinos litúrgicos a exaltam com expressões que para alguns poderiam parecer exageradas. Vejamos:
... É ela o soerguimento de Adão e a libertação do pecado;
graças a ela fomos divinizados e libertos da morte;
aclamemos, pois, com Gabriel:
Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo
e, por teu intermédio, nos concede grande misericórdia.
O tropário conclusivo (4º tom), que será repetido muitas vezes, até mesmo nos quatro dias que se seguem à festa, assim reza:
O teu nascimento, ó Mãe de Deus,
anuncia a alegria ao mundo inteiro;
pois de ti nasceu o Sol da justiça, Cristo nosso Deus,
o qual, abolindo a maldição, nos deu a bênção
e, destruindo a morte, nos presenteou com a vida eterna.
Nas Vésperas das festas marianas mais importantes, entre as quais está a de 8 de setembro, fazem-se três leituras bíblicas a saber: Gn. 28:10-17, que trata da escada celeste vista por Jacó; Ez 43:27-44:4 em que o Senhor indica ao profeta a «porta fechada» através da qual passará somente Deus; e Pr. 9:1-11, descrevendo a Sabedoria que constrói sua casa e convida a «comer o pão e beber o vinho.»
O Oficio matutino (que entre os eslavos se une às Vésperas para constituir uma grande vigília muito solene) aprofunda os temas já apresentados e os reforça, pois no Oriente a repetição tem grande importância, mais que a concatenação lógica, à qual estamos acostumados no Ocidente. E novas imagens procuram exprimir o inexprimível. Do Cânon respigamos (Odes 3o, 6 º e 7o) as seguintes composições:
Ó Imaculada,
te tornaste áureo turíbulo do fogo divino,
perfuma a podridão do meu coração,
o única sempre Virgem!
Em ti nós possuímos, ó Mãe de Deus, um porto,
um baluarte inexpugnável, uma proteção segura...
A sarça incombusta na montanha
e a fornalha refrescante na Caldéia
claramente te prefiguram, Esposa de Deus...
Trata-se de textos litúrgicos muito antigos, pois no século IX os ofícios bizantinos eram já quase todos formados do jeito que se conservaram até hoje. O Ikos, cantado após a Ode sexta, remonta ao século VI, sendo seu autor São Romanós, o Melode. Concluiremos apresentando o texto do kondakion, também este repetido, como o tropário, mais vezes até o dia 12 de setembro.
Joaquim e Ana foram libertos do opróbrio da esterilidade,
e Adão e Eva, da corrupção da morte,
pela tua santa Natividade, ó Pura.
Teu povo, salvo da escravidão do pecado,
a celebra exclamando:
a estéril dá à luz a Mãe de Deus que alimenta nossa vida.
Kondákion (4º tom)
FONTE:
«O ANO LITÚRGICO BIZANTINO», Madre Maria Donadeo
A festividade do nascimento da Mãe de Deus tem provavelmente sua origem em Jerusalém, em meados do século V. Porque foi em Jerusalém que se manteve viva a tradição que a Virgem teria nascido junto à Porta da Piscina Probática.
Fazendo uso desta referência, encontramos citações de São João Damasceno em sua Homilia sobre a Natividade de Maria: "Hoje é o começo da salvação do mundo, porque na Santa Probática foi-nos gerada a Mãe de Deus através de quem o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, nos foi gerado." [1]
Considerado o nascimento de Maria como o início histórico da obra da Redenção, o Calendário Litúrgico Bizantino abre suas portas festejando o nascimento da Virgem: "A celebração de hoje é para nós o começo de todas as festas". [2]
Maria é apresentada pela Liturgia como a "Virgem bela e Gloriosa" que Deus amou com predileção deste a sua eternidade desde toda a Criação como sua obra-prima, enriquecida das graças mais sublimes e elevada à excelsa dignidade de Mãe de Deus e de Bem-aventurada Virgem. [3]
Segundo o espírito da Igreja, devemos celebrar a Festa da Natividade com santa Alegria, porque o nascimento de Maria é a aurora de nossa salvação. Com o seu nascimento é anunciado ao mundo a boa nova: a mãe do Salvador já está entre nós.
«Alegrem-se, portanto, os Patriarcas do Antigo Testamento que, em Maria, reconheceram a figura da Mãe do Messias. Eles e os justos da Antiga Lei aguardavam a séculos, serem admitidos na glória celeste pela aplicação na fé dos méritos de Cristo, o bendito fruto da Virgem Maria . Alegrem-se todos os homens porque o nascimento da Virgem veio anunciar-lhes a aurora do grande dia da libertação pela qual aspiram todos os povos. Alegrem-se todos os anjos porque neste dia foi-lhes dada pela primeira vez a ocasião de reverenciar a sua futura Rainha.» [4]
Visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria e os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos Evangelistas. Só no Céu houve Festa, pois o Filho de Deus vê sua Mãe nascer.
Na vida da Virgem Maria a ordinariedade dos fatos sempre lhe acompanhou. Aquela que vivia o seu cotidiano de maneira despercebida aos olhos dos homens dá à Luz o Salvador. A humildade também lhe era característica pois ela sendo Rainha apresentou-se sempre como serva obediente.
Tem-se poucos registros históricos da cidade onde nascera Maria , mas por ser conhecida como "A Virgem de Nazaré", intui-se que foi lá que Joaquim e Ana (avós de Jesus) receberam de Deus a pequena Maria.
O mundo continuou seu curso dando importância a outros acontecimentos que depois seriam completamente esquecidos. Para Deus a grandeza dos fatos não está na proporção dos aplausos que o mundo lhe oferece, mas na serenidade de sua aceitação cumprindo a sua vontade.
Com freqüência as coisas importantes para Deus passam despercebidas aos olhos dos homens.
Cresceu como todas as jovens, mas se distinguia por ser toda de Deus, guardando tudo em seu coração". [5] A sua vida ,tão cheia de normalidade, ensina-nos a agir em tudo com olhos postos em Deus numa perpétua oferenda ao Senhor.
Maria é a aurora que preconiza a vinda Sol, o Sol da justiça que traz à luz aqueles que estão nas trevas do pecado.
[1] São João Damasceno, Homilia sobre a Natividade de Maria, 6 PG 96;
[2] Andréas de Creta, Homilia Mariana. V. Fazzo p.43
[3] Patriarca Fócio, Homilia sobre a Natividade,PG 43
[4] Lehmann, P. JB. Na luz Perpétua, 1959 p.268
[5] Lc 2,51
«O nascimento da nova Eva»
Alegra-te, Adão, nosso pai, e sobretudo tu, Eva, nossa mãe. Fostes ao mesmo tempo os nossos pais e os nossos assassinos; vós que nos destinastes à morte ainda antes de nos terdes dado à luz, consolai-vos agora. Uma das vossas filhas – e que filha! – vos consolará… Vem então, Eva, corre para junto de Maria. Que a mãe recorra à sua filha; a filha responderá pela mãe e apagará a sua falta… Porque a raça humana será agora elevada por uma mulher.
Que dizia Adão outrora? “A mulher que me deste ofereceu-me o fruto da árvore e eu comi.” (Gn 3,12) Eram palavras más, que agravavam a sua falta em vez de a apagarem. Mas a divina Sabedoria triunfou sobre tanta malícia; aquela ocasião de perdoar que Deus tinha tentado em vão fazer nascer, ao interrogar Adão, eis que agora a encontra no tesouro da sua inesgotável bondade. A primeira mulher é substituída por outra, uma mulher sábia no lugar da insensata, uma mulher humilde tanto quanto a outra era orgulhosa.
Em vez do fruto da árvore da morte, ela apresenta aos homens o pão da vida; substitui aquele alimento amargo e envenenado pela doçura dum alimento eterno. Muda então, Adão, a tua acusação injusta em expressão de agradecimento e diz: “Senhor, a mulher que tu me deste apresentou-me o fruto da árvore da vida. Comi dele e o seu sabor foi para mim mais delicioso do que o mel (Sl 18,11), porque por este fruto me devolveste a vida.” Eis porque é que o anjo foi enviado a uma virgem. Ó Virgem admirável, digna de todas as honras! Ó mulher que temos de venerar infinitamente entre todas as mulheres, tu reparas a falta dos nossos primeiros pais, tu dás vida a toda a sua descendência.
S. Bernardo (1091-1153)
«Louvores da Virgem Maria» - homilia 2
Padre Pavlos Tamanini
Extraído do site: ecclesia.com.br
Hino do dia
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Celebrações do dia
1. Nascimento da Virgem Maria
2. Santos Rufus e cafetão
3. Agios Seviros
4. Agios Artemidoros
5. História de amor em muito benéfico
6. Agios Athanasios Koulakiotis os Neomartyras martirizados em Thessaloniki
7. Agios Sofronios Achtaleias bispo da Iberia
8. Gathering Lady Plataniotissa
9. Sinaxe da Virgem de Tsambika em Rhodes
10. Montagem de Kira-Virgin
11. Sinaxe da Virgem de Kaloleivadianis Kythnos
12. Congregação de Nossa Senhora de Tinos Vourniotissa
13. Sinaxe da Virgem Vrontiani Samos
14. Sinaxe do Kalamiotissa Virgem em Anafi
15. Congregação de Nossa Senhora de Eller em Kasos
16. Sinaxe da Virgem de Borganoulas em Kasos
17. Montagem de Panagia Skiadeni Rhodes
18. Sinaxe do Kardiani Virgem em Syros
19. Assembléia dos sicilianos Virgens Chios
20. Sinaxe da Virgem Vryssiani Mesochori Karpathos
21. Sinaxe da Virgem de Larniotissas Karpathos
22. Montagem de Kyra Panagia em Oia Santorini
23. Sinaxe da Virgem de Strangers in Lefkada
24. Sinaxe da Virgem de Kathariotissa em Ithaca
25. Sinaxe da Virgem Miliotissas Milia Aridaia
26. Sinaxe da Virgem Giatrissa Mani
27. Sinaxe da Virgem de Napi (Ayia Napa)
28. Sinaxe da Virgem Drossiani Naxos
29. Sinaxe da Virgem de Arakiotissas em Chipre
30. Sinaxe da Virgin Express em Atenas
31. Sinaxe da Virgem de Potamitissa em Nisyros
32. Sinaxe da Virgem de Eleftheriotrias Zakynthos
33. Sinaxe da Virgem de Langadiotissa em Halkida
34. Sinaxe do Pantovasilissas Virgem em Rafina
35. Sinaxe da Virgem de Gafriotissas
36. Sinaxe da Virgem de Attaleiotissas em Touro
37. Sinaxe da Virgem de passes encantar gerações em Agios Dimitrios
38. Sinaxe da Virgem de Rovelista em Arta
39. Congregação de Nossa Senhora dos Lagos em Limni
40. Sinaxe do Giatrissa Virgem em Loutraki
41. Sinaxe da Virgem de Keratsanissas em Oxilithos Evia
42. Sinaxe da Virgem de Arethiotissas em Amfilochia
43. Sinaxe da Virgem de Voulkaniotissas em Messinia
44. Sinaxe do Goumero Virgem em Makrinitsa
45. Sinaxe da Virgem de Zidaniotissas
46. Sinaxe do Foinikiotissas Virgem em Chrysoupoli Peristeri
Leituras do dia
Matinas - Lucas 1: 39-49, 56
Epístola - Filipenses 2: 5-11
Evangelho - Lucas 10: 38-42, 11: 27-28
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
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