17º Domingo de Mateus
Arquimandrita Mons. Irineo
Tamanini
«Senhor, mas também os
cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos!» (MT 15:27)
«A fé de uma Cananeia»
Mateus e Marcos narram este
Evangelho, após o encontro de Jesus, nada agradável, com os Judeus que
questionavam o procedimento dos discípulos de não lavarem as mãos antes de
comer. Após Jesus ter rompido com a tradição e fazer muitas reservas a respeito
de tantos atos que eles insistiam em observar cegamente, o Senhor foi
abrigar-se em território pagão, mais precisamente na região de Tiro e de
Sidônia. Jesus que estivera na Galileia, no norte de Israel, tendo atuado junto
ao Mar de Genesaré, agora seguia em direção ao norte, para a Fenícia, na região
de Tiro e Sidom, onde hoje fica o Líbano.
Ao retirar-se para uma área
tida como impura, pelos Judeus, o Senhor mostra que Ele é livre e que porta uma
mensagem igualmente livre, que Deus não faz distinções e que o dom de Deus está
acessível a todos. Para os israelitas, os cananeus eram os piores pagãos, gente
muito afastada de Deus. Uma mulher deste povo vai ao encontro de Jesus clamando
por socorro por causa de sua filha. Ela, a mulher, não se dirige a Jesus como a
um estranho. Chama-o de “Senhor, Filho de Davi”. “Filho de Davi” era um título
atribuído ao Salvador esperado pelo povo de Israel.
Mais uma vez Jesus quebra as
regras estabelecidas pelas tradições e vai conversar com uma mulher, com o
agravante de ela ser cananeia.
Esta mulher pertencente a um
povo do qual se dizia nada querer saber de Deus, pede ajuda a Jesus. Espera não
estar excluída do Reino de Deus que se torna realidade em Jesus. Ela clama na
esperança de ser atendida. Em seu clamor ela coloca toda a sua importância,
incapacidade e desespero diante do mal que aflige a filha. Ele fica calado.
Comporta-se como se nada tivesse escutado. Ele ouve, mas não responde. Sabe do
sofrimento, mas não age. O silêncio de Jesus põe à prova e depura a fé da
mulher. Os discípulos não suportam o silêncio de Jesus. Pedem que ele faça
alguma coisa. Então ele responde: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da
casa de Israel”.
A mulher pagã foi
persistente no seu objetivo: a cura da filha atormentada por um demônio. A
mulher não desiste. Ela se aproxima de Jesus e o adora. Continua clamando:
“Senhor, socorre-me”. Ela não desanima; é persistente. Agora Jesus se dirige
diretamente à mulher, falando com ela, usando um termo conotativo corriqueiro
para se referir aos pagãos: “cães”. Nem por isso, se intimidou diante dos discípulos,
nem de Jesus, até ver realizado o seu desejo. Nem a má vontade daqueles, nem a
dureza das palavras do Mestre foram suficientemente fortes para fazê-la
esmorecer. Ela, no entanto, ainda não desiste. Mas se vale do mesmo exemplo de
Jesus para mostrar que apesar de ser indigna, espera ajuda. Ela quer ao menos
uma migalha daquilo que os filhos recebem tão abundantemente. Essas migalhas
valeriam para ela o pão todo.
A mulher cananeia reconhece
que não é digna de ser socorrida. Sabe que não possui o direito de exigir, sabe
que nada merece. Diferente dos antigos e atuais “fariseus”. Consideramo-nos
merecedores de todo o bem, reclamamos e resmungamos quando algo não acontece
como esperamos.
— Ela era uma mulher
cananeia, uma mãe que suportava tudo, mas não suportava ver o sofrimento de sua
filha.— Ela era uma mulher cananeia que viu a solução para o seu problema!
— Ela viu Jesus.
— Ela viu o Filho de Davi, o
Messias.
— Ela O viu, foi até Ele e O
adorou.
— Ela viu o Poder de Jesus e
não os seus impedimentos.
— Ela viu que não precisava de muito, apenas
umas migalhas do amor de Jesus e o impossível seria realizado.
— Finalmente Jesus se deixa
vencer. Só lhe resta a admiração: “Ó mulher, grande é a tua fé”. Em seguida a
cura se concretiza. — Ela viu então a sua filha curada.
Que o Senhor aumente em nós
a fé e a humildade. Amém.
Referências Bibliográficas:
BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São Paulo:
Paulus, 2013.
Extraído do site: ecclesia.com.br
Remoção das relíquias de Inácio, o portador de Deus
Vida dos Santos
Data de celebração: 29/01/2023
Tipo de festa: Fixa
Santo (a) do dia: S. Inácio de Antioquia – trasladação das relíquias (c.440)
Biografia:
Santo Inácio de Antioquia, bispo, mártir, séc. II
Hino do dia
Celebrações do dia
1. Domingo da Cananeia
2. Recuperação de Sagradas Relíquias de São Hieromártir Inácio de Teóforo
3. Santo Inácio o Sinaítico de Rethymno
4. São Demétrio, o Chiopolita
5. Santos Sete Mártires que terminaram em Samosatoi
6. Santos Siluanos o Bispo, Lucas o Diácono e Mokios o Leitor
7. Santos Sarvilos e, claro, os Mártires de Edessa
8. São Varsimaios Bispo de Edessa, a Confessora
9. São Afraatis
10. Santo Akepsimas
11. São Gildas, o Sábio
12. São Laurentius de Kiev
13. Santos Gerasimos, Jonas e Pitirim da Rússia
14. Santo Andreas Rublyov, o Ilustrador

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