Domingo do Perdão
(ou da Abstinência de Lacticínios)
(7º antes da Páscoa - Modo 4 Pl.)
Neste dia realiza-se, nas igrejas ortodoxas, um rito especial durante o qual todos, começando pelos sacerdotes, pedem perdão uns aos outros pelas ofensas cometidas, intencionais ou não. A Quaresma é um tempo de intensa luta contra o pecado e é muito importante começar o jejum com uma consciência limpa, sem o peso de saber que estamos em divida moral com alguém. O Evangelho nos diz que, se não perdoarmos aos outros as suas faltas, o Pai também não nos perdoará as nossas. Neste dia, vamos à Igreja para pôr em prática estas palavras, aproximando-nos uns dos outros e pedindo perdão. E ouviremos a resposta tradicional: «Deus perdoará!» Com o perdão, começamos o caminho rumo ao renascimento espiritual, e o Senhor nos ajudará a dar este primeiro passo. «Abençoai e perdoai-me, pais, irmãos e irmãs!»
Perdão: «doar amor através (per) do ofensor».
A Quaresma, é o tempo em que a Graça de Deus se manifesta com maior intensidade ante nossos olhos, uma vez que a liturgia, as orações, os jejuns e a penitência contribuem muito para que sintamos em nossas vidas a misericórdia divina, o perdão que nos é dado e um convite à conversão contínua. É o tempo da espera, da meditação, do silêncio. É um tempo onde o exterior torna-se secundário diante da realeza que se descobre ao penetrarmos nossa interioridade. É tempo de parar, de refletir, de meditar, de silenciar os ruídos do dia-a-dia, para ouvir atentamente o que o Senhor nos fala.
A Quaresma é o tempo do deserto e da ausência. Experienciamos o vazio, a solidão, o abandono das coisas mundanas, experenciamos a ausência do barulho e das preocupações que assolam a nossa vida, para nos encontrar conosco mesmos. É o retiro tão necessário para a edificação de nossa vida espiritual.
«Em cada pedra vejo um sinal da presença de Deus, e a ausência dos ruídos, que poderiam me afastar do Senhor. Em cada noite escura me agasalho na proteção do Altíssimo, sentindo apenas que o Senhor me envolve com sua mão poderosa» . (Santo Epifânio, monge e bispo de Chipre)
O tempo do «deserto» nos torna conscientes de nossa realidade mais essencial: somos filhos amados de Deus no seu Filho, feitos à imagem e semelhança, d'Ele, nosso Criador.
A necessidade de recuperarmos esta «imagem e semelhança» nos inquieta e nos move em direção ao "deserto". Necessitamos nos encontrar com o Pai e nos identificar com Ele. A Quaresma é o tempo propício para este encontro que nos faz recuperar a consciência de nossa verdadeira e mais profunda identidade. Não somos do mundo mas estamos no mundo, para transformá-lo. Fermento na massa, como disse Nosso Senhor. Tomar consciência de nossa verdadeira natureza nos faz pessoas diferentes.
O Perdão é o tema central do Evangelho deste Domingo que também é conhecido como «Domingo da Abstinência de Laticínios». A Igreja, Mãe e Mestra, propõe a seus filhos que se abstenham de certos alimentos, não para nos punir, mas para nos educar, porque nos ama a todos. Uma das grandes dimensões do amor verdadeiro, além das manifestações singelas de carinho e afeto, é a correção. A Igreja nos ama como filhos. Amando-nos nos corrige para nos levar à santidade. Se deixarmos nossas vontades agirem livremente, aos poucos, nos tornaremos seus escravos. Deixar de comer carne ou produtos derivados do leite não são apenas preceitos, mas atitudes que podem revelar o quanto somos dominados ou não pelas inclinações da carne. O excesso de comida ou de bebida «destrói a obra de Deus», nos diz o apóstolo Paulo. (Rm 14). Na Epístola deste domingo, o mesmo apóstolo nos admoesta:
«Despojemo-nos, pois, das obras das trevas e nos revistamos das armaduras da luz. Revesti-vos do Senhor Jesus e não façais caso da carne para satisfazer os apetites». (Rm 13).
O Pai misericordioso está sempre pronto a estender a todos o perdão divino. No entanto, a condição para merecê-lo, é que também nós estejamos prontos a estender o mesmo perdão aos nossos irmãos devedores. No gesto de perdão, revelamos nossa identidade de cristãos, manifestando a misericórdia de nosso Deus. Perdoar é alcançar o estágio mais elevado do amor pelo inimigo. É o amor que cura as feridas e restaura nossas dores a partir de dentro. Amar nossos inimigos, preceito máximo da doutrina de Jesus, é ser capaz de perdoar os que nos causaram o mal. O perdão substituiu a vingança e a justiça baseada nas mensurações puramente humanas, pelo amor. O perdão se baseia na lei do Amor, por isso muitas vezes não é compreendido.
Artur da Távola, teólogo e filósofo da atualidade, em crônica publicada no jornal O Dia do Rio de janeiro em 28 de março de 2002 com título: «Como é difícil perdoar!» nos faz uma triste constatação logo no início: diz o autor: «Pouca gente, mesmo entre cristãos, compreende o sentido profundo do perdão. A maioria pensa que é forma de anistia do sentimento, ato interno capaz de compreender o ofensor e desculpá-lo no fundo do coração misericordioso. Este primeiro degrau do perdão já é difícil de ser galgado. E a propósito da Semana Santa, quero dizer o seguinte: O verdadeiro sentido da revolução cristã do perdão, porém, é outro, e bem mais radical: mais que ausência de ódio no coração do ofendido, o perdão é ação de amor na direção do ofensor. O cristianismo é tão revolucionário que exige do ser humano não apenas a grandeza de compreender e desculpar o ofensor, mas a capacidade de amá-lo. Perdoar é per+doar, isto é, "doar amor através (per) do ofensor».
«Perdoar é doar amor através do ofensor»
Quem doa amor ao ofensor dá-lhe as condições profundas de contrição, compunção, compaixão e arrependimento, os quatro caminhos através dos quais o ser humano pode renascer de si mesmo e das trevas, trocando a morte pela vida.
Por ser o gesto mais difícil e elevado, o perdão é a única forma de permitir ao ofensor a entrada de amor no seu coração. Qualquer forma de cobrança, punição e vingança aferra a crueldade do ofensor e, de certa forma, fá-lo sentir-se justificado. A doação objetiva e concreta de amor poderá não ser eficaz, adiante, porém é a única forma através da qual o ofensor tem a chance de se arrepender sinceramente e reencontrar um caminho que lhe faz falta e é a única maneira de se redimir, crescer como pessoa, transformar-se.
Ser bom, fazer-se seguidor das religiões, sentir-se justo, fraterno, solidário, honesto, tudo isso - embora exija esforços - é relativamente fácil e em geral alimenta o ego. Difícil é perdoar o ofensor, não apenas desculpando-o, mas sendo capaz de o amar na integralidade do seu ser. Por isso, aliás, o cristianismo em essência encontra tanta dificuldade de se implantar entre os homens: exige a descoberta da grandeza humana, da virtude no sentido de exercício da única força capaz de mudar o mundo: o amor real. Não há revolução maior. Quem é capaz?
Ruben Alves
Extraído do site: ecclesia.com.br
Vida dos Santos
São Porfírio de Gaza
Data de celebração: 26/02/2023
Tipo de festa: Fixa
Santo (a) do dia: São Porfírio de Gaza, bispo (†420)
Biografia:
I
Nascido por volta do ano de 353, em Tessalônica, Grécia, São Porfírio foi para o Egito aos vinte e cinco anos. Em seguida, foi à Palestina onde viveu por cinco anos numa gruta perto do rio Jordão, o que lhe gerou uma grave enfermidade. Foi lá também que conheceu Marcos, que se tornou seu fiel discípulo. O santo distribuiu tudo o que possuía aos pobres e, para manter-se, trabalhava arduamente em um curtume na Cidade Santa. Neste trabalho permaneceu por mais de quarenta anos, foi ordenado sacerdote e mais tarde bispo de Gaza pelo patriarca de Jerusalém. São Porfírio exerceu grande influência na política e na religião de seu tempo. Chegou a conseguir da Imperatriz Eudóxia um memorial que abolia os templos pagãos de Gaza e da redondeza. Morreu por volta do ano 420.
II
A família de Porfírio era de Tessalônica. Aos 25 anos de idade Porfírio deixou o mundo, abandonou seus amigos e seu país indo para o Egito, onde se consagrou a Deus em um monastério do deserto de Esquela. Cinco anos mais tarde, foi para Palestina passando a habitar uma cela monástica, próximo ao Jordão, onde permaneceu durante cinco anos, voltando à Jerusalém após ter adoecido. Em Jerusalém visitava constantemente os lugares santos. A debilidade de sua saúde fazia com que tivesse de caminhar apoiado por um bastão. Em certa ocasião, chegou à Jerusalém um peregrino asiático chamado Marcos, que veio a ser, mais tarde, o biógrafo de São Porfírio. Marcos, muito sensibilizado pela freqüente visita que Porfírio fazia aos lugares santos, ofereceu sua ajuda na subida das escadarias de uma igreja. Porfírio negou-se a aceitar sua ajuda dizendo: «não é correto que eu, vindo implorar perdão por meus pecados, permita que me ajudes a subir as escadas da igreja; deixe-me sofrer um pouco para que Deus tenha piedade de mim». Por mais debilitado que estivesse, Porfírio não deixava de visitar diariamente os lugares santos de Jerusalém e de de receber a santa comunhão. Preocupado com a herança que tinha recebido de seus pais, confiou a Marcos a missão de ir a Tessalônica para tratar deste assunto. Marcos regressou depois de três meses com muitos objetos de valor e muito dinheiro.
Em sua volta, Marcos quase não reconheceu Porfírio, pois havia melhorado consideravelmente neste curso. Seu rosto, antes pálido, estava saudável e rosado. Ao ver o assombro de seu amigo, Porfírio disse: «Não te surpreendas por ver-me em bom estado de saúde; admire antes a inefável bondade de Deus que cura facilmente as enfermidades que os homens não podem aliviar». Marcos então lhe perguntou como tinha acontecido a sua cura, e Porfírio respondeu: «Há quarentas dias, ao subir o monte do Calvário, desmaiei . Tive a impressão de ter visto o Senhor crucificado junto ao bom ladrão. Pedi a Jesus que se lembrasse de mim em seu Reino, e em resposta, o Senhor ordenou que o bom ladrão viesse em meu socorro. O bom ladrão auxiliou-me a levantar e ir até Cristo. Eu corri até Ele. Ele desceu da cruz e me pediu que eu me encarregasse de sua cruz. Obedecendo a Sua ordem, tomei a cruz aos ombros e a transportei para longe. Nesse momento eu despertei e toda a dor tinha desaparecido, e depois daquele momento, nunca mais senti as minhas antigas enfermidades». Porfírio prosseguiu com sua vida de trabalho e penitências até seus 40 anos de idade. No ano 393, o bispo de Jerusalém o ordenou sacerdote e confiou aos seus cuidados a relíquia da santa cruz. Continuava a viver de forma austera, até sua morte, alimentando-se exclusivamente de raízes e de pão. Comia somente após o cair da noite. No mesmo ano, Porfírio foi eleito bispo de Gaza. O bispo de Cesaréia escreveu ao bispo de Jerusalém pedindo que enviasse Porfírio para lhe consultá a respeito de uma passagem da Sagrada Escritura. O bispo de Jerusalém o enviou com a condição de que retornasse em oito dias. Ao receber esta ordem de seu bispo, Porfírio ficou perturbado, mas disse imediatamente «Que seja feita a vontade de Deus». Naquela mesma noite, chamou Marcos e disse: «Meu irmão Marcos, vamos venerar os santos lugares, pois passará alguns dias e não mais poderei fazê-lo». Marcos lhe perguntou porque dizia aquilo e Porfírio lhe contou que o Senhor lhe havia aparecido e disse que devia renunciar a custódia da cruz, pois lhe daria outra missão. «Assim me disse Cristo, e isto me faz temer, pois tenho que expiar, não só meus pecados, mas os dos outros também. Tenho de obedecer a vontade de Deus». Depois de visitar os lugares santos, Porfírio e Marcos partiram para Cesaréia. No dia seguinte, o bispo João ordenou que alguns cidadãos elegessem Porfírio bispo que ali mesmo foi consagrado. O servo de Deus Porfírio sofreu muito por ver-se em tão elevada dignidade. Os cidadãos de Gaza o confortavam e o acompanharam até a cidade. A viagem tinha sido cansativa, pois alguns pagãos, ao saberem da chegada do novo bispo à cidade, destruíram algumas estradas. Naquele mesmo ano, houve uma grande seca e os pagãos atribuíram a seca à chegada do novo bispo cristão ao lugar, pois o deus Mamas havia profetizado que Porfírio atrairia muitas calamidades sobre a cidade. Havia na cidade um famoso templo dedicado ao deus Mamas. O imperador Teodósio tinha ordenado fechá-lo para não destruí-lo, pois era uma obra de grande beleza arquitetônica. O governador, no entanto, tinha dado permissão para reabri-lo. Como a seca se agravava depois da chegada de Porfírio, alguns pagãos se reuniram no templo para implorar proteção ao deus Mamas. Os cristãos depois de um dia de jejum e uma noite de oração, se dirigiram em procissão a igreja de São Timóteo (que ficava fora dos muros), cantando hinos. Ao retornarem, encontraram as portas da cidade fechadas. Porfirio, então, com seus fiéis, pediu fervorosamente que Deus enviasse chuva. As nuvens começaram a se formar rapidamente e a chuva caiu em abundância. Os pagãos, diante daquele fato, abriram as portas da cidade e juntaram-se aos cristãos gritando: «Cristo é o único Deus verdadeiro, o único capaz de acabar coma seca». Este fato e a cura milagrosa de uma mulher fez com que houvesse muitas conversões. Diante disso, alguns pagãos excluíam os cristãos do comércio e dos ofícios públicos e os molestavam de muitas maneiras. Para proteger seu povo, Porfírio enviou seu discípulo Marcos ao imperador, e mais tarde também foi a Constantinopla acompanhado pelo bispo João. Graças à intercessão de São João Crisóstomo e da imperatriz Eudóxia, o imperador Acádio permitiu que destruíssem o templo dos pagãos na cidade de Gaza. O imperador publicou um edito e encarregou que Sinésio executasse a ordem. Quando os dois bispos desembarcaram na Palestina, próximo à Gaza, os cristãos foram ao seu encontro cantando hinos de louvor. Ao passarem pela praça de Tetramfodos, onde havia uma estatua de Vênus (venerada por diziam que ajudava as moças a se casarem) o ídolo caiu do pedestal e se partiu em pedaços. Dez dias depois, chegou Sinésio com vários soldados para executar a ordem, conforme o edito do imperador. Assim, oito templos pagãos desapareceram, entre eles o de Mamas. Após a destruição dos templos, os soldados revistaram as casas e os pátios, destruindo os ídolos e queimando os livros de magias. Muitos pagãos pediram o batismo, mas outros furiosos decidiram lutar, e Porfírio escapou com vida milagrosamente. Onde antes estava o templo dedicado a Mamas, foi construída uma igreja em forma de cruz. A imperatriz Eudóxia enviou de Constantinopla as colunas e os mármores. A igreja ficou conhecida como «a igreja eudoxiana». Ao iniciar a construção da Igreja, o bispo Porfírio saiu em procissão da igreja de Erin cantando salmos e o povo respondia «Aleluia!». Todos ajudaram na construção, carregando pedras nas escavações dos fundamentos sob a orientação do famoso arquiteto Rufino. A construção iniciou em 403 e durou cinco anos. São Porfírio consagrou a nova Igreja no dia de Páscoa do ano 408. Neste dia foram distribuídas muitas esmolas aos pobres, demonstrando sua generosidade. O santo bispo Porfírio passou o resto de sua vida cumprindo zelosamente seus deveres pastorais. Até a sua morte, a idolatria havia desaparecido quase que completamente.
Trad.: Pe. Pavlos Tamanini
Hino do dia
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Celebrações do dia
2. Saint Porphyry, o bispo de Gaza
3. Agia Fotini, o Grande Mártir Samaritano
4. Santo Este
5. Foto de Saint
6. Agia Fotis
7. Agia Paraskevi
8. Agia Kyriaki
9. Agios Fotinos
10. São José
11. São Sebastião, o duque
12. St. Victor
13. Saint Christodoulos
14. Agios Ioannis Kalfas, o Novo Mártir
15. A memória da ordenação de São João Crisóstomo para um ancião
16. Agios Nikolaos a Caverna
17. Agios Theoclitos, o farmacêutico
18. Assembleia dos santíssimos Theotokos de Mezhëtsk em Kiev Rússia
19. São Sebastião de Possesson
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Leituras do dia
Matinas - Lucas 24, 1-12
Epístola - Romanos 13: 11-14; 14: 1-4
Evangelho - Mateus 6: 14-21
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Matinas - Lucas 24, 1-12
Epístola - Romanos 13: 11-14; 14: 1-4
Evangelho - Mateus 6: 14-21
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Jejum
Laticínios
Abster-se de carne.
Permitido Laticínios, ovos, peixe, azeite e vinho.
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Laticínios
Abster-se de carne.
Permitido Laticínios, ovos, peixe, azeite e vinho.
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)


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