«V Domingo de São Lucas»
Leituras bíblicas
Orthros
(Matinas): João
21,14–25
Apóstolos
(Epístola): 1 Coríntios
12,27–31; 13,1–8
Evangelho: Lucas 16,19–31
Modo 5º (Plagal
do 1º) | Eothinon 11
O rico e Lázaro: da indiferença à comunhão, à luz da misericórdia de Deus
A Parábola do Rico e do Pobre Lázaro,
deste V Domingo do Evangelho de São Lucas (16,19–31), coloca-nos diante de uma
das advertências mais profundas de Cristo acerca da vida humana, da
responsabilidade para com o próximo e do destino último de nossas escolhas. Seu
ensinamento não se limita a contrapor a riqueza à pobreza, nem pretende
oferecer uma descrição pormenorizada da existência após a morte. O Senhor
revela, sobretudo, a gravidade de uma vida que, mesmo cercada de abundância,
permanece incapaz de reconhecer o sofrimento de quem está ao seu lado. A
Parábola fala do juízo, mas dirige-se principalmente ao tempo presente, no qual
a conversão ainda é possível e a misericórdia pode transformar nossas relações.
O evangelista
apresenta duas figuras em condições profundamente desiguais. Um homem rico
veste-se de púrpura e linho fino e oferece diariamente esplêndidos banquetes. À
sua porta encontra-se Lázaro, coberto de feridas, desejando alimentar-se com
aquilo que cai da mesa. A descrição é breve, mas suficiente para revelar dois
mundos que coexistem sem verdadeiramente se encontrar. Um vive protegido pelo
conforto de sua casa; o outro permanece exposto à fome, à doença e ao abandono.
Entretanto, o aspecto mais perturbador da narrativa não é simplesmente a
desigualdade entre ambos, mas a ausência de qualquer gesto capaz de diminuir
essa distância.
A porta da
residência adquire, assim, um significado decisivo. Ela marca a separação entre
a abundância e a miséria, mas representa também a possibilidade concreta de
encontro. O rico não precisava atravessar grandes distâncias para descobrir o
sofrimento humano. Lázaro estava diante de sua própria casa. A misericórdia que
lhe era solicitada não dependia de circunstâncias extraordinárias, mas de algo
elementar: reconhecer a presença de outro ser humano e permitir que sua
necessidade interrompesse, ainda que por um instante, a tranquilidade de sua
existência.
A tradição
patrística percebeu com particular clareza a gravidade dessa omissão. São João
Crisóstomo, em suas homilias sobre Lázaro e o rico, insiste que os bens
materiais não constituem, por si mesmos, um mal. Tornam-se espiritualmente
perigosos quando deixam de ser administrados com responsabilidade e passam a
alimentar a vaidade, o luxo desmedido e a insensibilidade. A riqueza pode
servir à misericórdia, mas também pode aprisionar o coração numa falsa
segurança. O que está em questão, portanto, não é apenas a quantidade de bens
possuídos, mas a relação que estabelecemos com eles e, sobretudo, com aqueles
que deles necessitam.
O Evangelho não
atribui ao homem rico um crime específico. Não afirma que tenha adquirido seus
bens mediante fraude, que tenha praticado violência contra Lázaro ou que o
tenha expulsado de sua porta. Essa ausência de acusações explícitas torna a
Parábola ainda mais exigente. O mal pode manifestar-se não somente nas ações
que praticamos, mas também no bem que deixamos de realizar. O rico é
apresentado como alguém que organizou toda a vida em torno de si mesmo, sem
permitir que o sofrimento alheio despertasse nele a compaixão.
Essa
advertência encontra correspondência em outra parábola de São Lucas, a do Rico
Insensato (Lc 12,16–21). Ali, um homem que acumula grandes colheitas imagina
assegurar o próprio futuro por meio de seus depósitos, esquecendo-se de que a
vida não está sob seu domínio. Na passagem do rico e Lázaro, a mesma ilusão
assume uma dimensão relacional: o homem vive como se sua abundância pudesse
protegê-lo não apenas da insegurança material, mas também da responsabilidade
pelo destino de seus semelhantes. Em ambos os casos, a riqueza torna-se
perigosa quando alimenta uma compreensão autossuficiente da existência.
Há ainda um
detalhe significativo: o pobre recebe um nome, enquanto o rico permanece
anônimo. Lázaro corresponde à forma grega de Eleazar, nome hebraico associado à
afirmação de que Deus ajuda. Aquele que parecia não possuir lugar na sociedade
não estava esquecido diante de Deus. Sua condição de miséria, contudo, não deve
ser confundida automaticamente com santidade, assim como a prosperidade
material não constitui, por si só, motivo de condenação. A parábola não
estabelece uma oposição mecânica entre pobres e ricos, mas revela a verdade
espiritual de duas existências e a responsabilidade que nasce do encontro com o
próximo.
A avareza,
enquanto paixão espiritual, não se mede exclusivamente pela quantidade de bens
possuídos, mas pelo domínio que estes exercem sobre a pessoa. Também quem
dispõe de poucos recursos pode experimentar o apego desordenado às coisas
materiais, enquanto alguém que possui muitos bens pode utilizá-los
generosamente em favor dos necessitados. A verdadeira liberdade cristã
manifesta-se na capacidade de partilhar, de servir e de reconhecer no outro a
imagem de Deus. Não se trata de negar a importância das condições materiais da
existência, mas de compreender que nenhuma prosperidade pode substituir a
comunhão com Deus e com os irmãos.
O abismo que
começa nesta vida
A segunda parte
da parábola introduz uma mudança radical de perspectiva. Ambos os homens
morrem. Lázaro é conduzido pelos anjos ao seio de Abraão, enquanto o rico,
depois de sepultado, encontra-se em tormentos. A morte revela aquilo que a
aparência exterior ocultava: a abundância material não assegurava ao rico a
verdadeira plenitude da vida, assim como a condição miserável de Lázaro não
significava abandono por parte de Deus.
A expressão seio
de Abraão evoca acolhimento, descanso e participação na comunhão dos
justos. A imagem é particularmente significativa porque Lázaro, que
anteriormente permanecia excluído da mesa do rico, aparece agora acolhido na
intimidade de Abraão. Aquele que não encontrara hospitalidade entre os homens
recebe acolhimento na presença dos justos.
O rico, por sua
vez, experimenta uma condição de sofrimento e separação. Ao avistar Abraão,
pede que Lázaro seja enviado para aliviar sua sede. Sua súplica revela o
tormento em que se encontra, mas conserva um traço de sua antiga maneira de
compreender as relações humanas: continua a imaginar Lázaro como alguém que
pode ser enviado para servi-lo. A narrativa sugere, assim, como uma existência
organizada em torno do próprio interesse pode comprometer profundamente a
capacidade de reconhecer o outro em sua dignidade.
A resposta de
Abraão recorda a inversão ocorrida e menciona o grande abismo estabelecido
entre os dois. A imagem não deve ser transformada numa descrição geográfica da
eternidade. Seu sentido espiritual é mais profundo. O abismo manifesta a
gravidade de uma separação que a vida do rico já havia tornado visível. Antes
da morte, uma porta o separava de Lázaro; agora, a parábola apresenta uma
distância que não pode ser transposta.
Essa
correspondência entre a porta e o abismo merece particular atenção. A porta
podia ser aberta. O rico podia atravessá-la, aproximar-se de Lázaro,
oferecer-lhe alimento, cuidado e acolhimento. Nada disso exigia uma
transformação extraordinária de suas circunstâncias. Bastava que reconhecesse
no sofrimento do pobre um chamado à misericórdia. O abismo, ao contrário,
revela a seriedade das escolhas humanas quando contempladas à luz do juízo
divino.
A vida cristã
não pode ser compreendida como uma experiência individual, fechada em si mesma.
Criado à imagem de Deus, o ser humano é chamado à comunhão. A existência
pessoal amadurece na relação, no amor e na liberdade. Por isso, a indiferença
não é apenas uma falha moral diante de determinada necessidade; revela uma
enfermidade espiritual que atinge a própria maneira de existir. Quando o
coração se fecha ao próximo, empobrece também sua capacidade de acolher o amor
de Deus.
Na compreensão
ortodoxa, o pecado não se reduz à transgressão de uma norma exterior. Ele
manifesta uma ruptura da comunhão, uma desordem interior que obscurece a imagem
divina no ser humano e compromete suas relações. A salvação, por sua vez, não
consiste simplesmente em evitar uma condenação, mas em participar da vida de
Deus, permitindo que sua graça restaure e transfigure a pessoa. A misericórdia
não é, portanto, um dever acrescentado à vida espiritual; pertence ao próprio
caminho de cura e transformação do coração.
Convém,
entretanto, conservar a sobriedade do texto evangélico. A parábola afirma a
seriedade do juízo e a impossibilidade de atravessar o abismo nela descrito,
mas não pretende resolver todas as questões teológicas relativas ao estado dos
falecidos ou à ação da misericórdia divina. A tradição ortodoxa contempla o
juízo com temor de Deus e esperança, sem reduzir o mistério da justiça divina a
representações materiais ou a conclusões que ultrapassem o testemunho das
Escrituras.
A advertência
dirige-se aos vivos. Enquanto o homem permanece neste mundo, pode
arrepender-se, abrir a porta, partilhar seus bens, reconciliar-se com o próximo
e permitir que a graça transforme seu coração. O tempo presente é o tempo da
responsabilidade e da conversão. A parábola não nos convida a especular sobre o
destino alheio, mas a examinar nossa própria existência à luz da misericórdia
de Deus.
A Palavra de
Deus e a conversão do coração
Na parte final
da narrativa, o rico pede que Lázaro seja enviado à casa de seu pai para
advertir seus cinco irmãos. Abraão responde: eles têm Moisés e os Profetas;
devem ouvi-los. Diante da insistência do rico, que imagina ser necessária uma
manifestação extraordinária, vem a afirmação conclusiva: se não escutam Moisés
e os Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que alguém ressuscite dos
mortos.
Essa conclusão
desloca a atenção do acontecimento extraordinário para a responsabilidade
diante da Palavra já recebida. O problema não consiste na ausência de revelação
suficiente, mas na resistência do coração humano em acolher aquilo que Deus lhe
comunica. A Lei e os Profetas já haviam ensinado a justiça, a proteção dos
vulneráveis, o cuidado com os pobres, as viúvas, os órfãos e os estrangeiros. O
rico não precisava receber uma revelação inédita para reconhecer suas
obrigações. Precisava levar a sério a Palavra que conhecia.
A referência à
ressurreição adquire, para a Igreja, uma ressonância cristológica inevitável.
Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e sua Ressurreição constitui o
fundamento da fé apostólica. Entretanto, a aceitação desse acontecimento não
pode ser separada da conversão. A fé na Ressurreição não consiste simplesmente
em admitir um fato extraordinário, mas em acolher a vida nova que Cristo
oferece e permitir que ela transforme nossas escolhas.
O Evangelho
revela, assim, uma verdade espiritual de grande importância: os sinais de Deus
não substituem a liberdade humana nem dispensam a resposta pessoal. É possível
testemunhar acontecimentos extraordinários e permanecer interiormente fechado.
A conversão não nasce da simples acumulação de provas, mas da abertura do
coração à graça e da disposição de acolher a verdade.
A Palavra de
Deus possui uma força que não se limita à transmissão de ensinamentos morais.
Ela ilumina a consciência, revela as enfermidades espirituais e chama o ser
humano à transformação. Contudo, sua acolhida exige humildade. Quem permanece
inteiramente satisfeito consigo mesmo dificilmente reconhecerá a necessidade de
mudar. A autossuficiência do rico não estava apenas em seus bens, mas na ilusão
de que sua maneira de viver não precisava ser questionada.
A tradição
ascética da Igreja insiste na importância do conhecimento de si mesmo. O
arrependimento começa quando deixamos de justificar continuamente nossas
atitudes e reconhecemos aquilo que necessita ser curado. Não se trata de
cultivar sentimentos estéreis de culpa, mas de permitir que a verdade de Deus
ilumine nossa existência. O arrependimento cristão é sempre abertura à
esperança, porque a graça não apenas revela nossas feridas, mas oferece a
possibilidade de sua cura.
Essa
transformação interior, porém, não pode permanecer encerrada na consciência
individual. O reconhecimento da própria pobreza espiritual deve produzir frutos
de misericórdia. A humildade que não conduz ao amor corre o risco de tornar-se
uma preocupação exclusiva consigo mesmo. Na tradição ortodoxa, a ascese e a
caridade não são caminhos concorrentes: a purificação do coração prepara a
pessoa para amar com maior liberdade, enquanto o serviço ao próximo torna
concreta a transformação interior.
A Palavra
anunciada na Igreja deve, portanto, encontrar continuidade na vida. Escutar o
Evangelho não significa apenas compreender seu conteúdo ou reconhecer a beleza
de seus ensinamentos. Significa permitir que ele alcance nossas escolhas,
nossos relacionamentos e a maneira como utilizamos os bens e oportunidades que
recebemos.
O amor como
caminho mais excelente
A leitura
apostólica deste domingo, extraída da Primeira Carta aos Coríntios (12,27–31;
13,1–8), oferece uma chave especialmente fecunda para a compreensão da
parábola. São Paulo recorda aos cristãos que são Corpo de Cristo e,
individualmente, seus membros. A diversidade dos dons e ministérios não elimina
a unidade da comunidade, mas deve servi-la. Cada membro recebe uma
responsabilidade em relação aos demais.
Essa afirmação
apostólica apresenta uma resposta à existência isolada do rico. Enquanto ele
organiza sua vida como se o sofrimento de Lázaro não lhe dissesse respeito, a
Igreja é chamada a viver como um corpo no qual a necessidade de um membro
interpela todos os outros. O próximo não é uma realidade exterior à nossa vida
espiritual. Em Cristo, a comunhão torna-se princípio de responsabilidade
recíproca.
O Apóstolo
prossegue apresentando o caminho mais excelente: o amor. Mesmo os dons
espirituais mais extraordinários perdem seu sentido quando separados da
caridade. A eloquência, o conhecimento, a fé capaz de realizar prodígios e até
mesmo grandes gestos de generosidade não constituem, isoladamente, a plenitude
da vida cristã. É o amor que lhes confere autenticidade.
São Paulo não
apresenta o amor como um sentimento passageiro ou uma disposição meramente
afetiva. Ele o descreve por meio de atitudes concretas: paciência, bondade,
ausência de inveja, humildade, capacidade de suportar as dificuldades e
fidelidade à verdade. O amor manifesta-se na maneira como tratamos os outros,
especialmente quando suas necessidades exigem de nós alguma renúncia.
Essa passagem
impede uma compreensão meramente assistencial da misericórdia. A Igreja não é
chamada apenas a distribuir recursos materiais, embora esse serviço seja
indispensável. Sua missão consiste em testemunhar o amor de Cristo, que
restaura a dignidade humana e introduz as pessoas numa comunhão de vida. A
ajuda oferecida ao necessitado não deve humilhá-lo nem transformá-lo em objeto
de nossa satisfação moral. Deve reconhecer nele uma pessoa amada por Deus, cuja
presença também nos interpela e enriquece.
A perspectiva
eucarística aprofunda ainda mais esse ensinamento. Na Divina Liturgia, os fiéis
aproximam-se de uma mesma Mesa e participam do único Corpo e Sangue de Cristo.
A comunhão eucarística não pode ser dissociada da comunhão fraterna. Seria uma
contradição aproximar-se da Mesa do Senhor e, ao mesmo tempo, permanecer
indiferente ao irmão que necessita de pão, acolhimento ou cuidado.
O próprio
contraste entre as duas mesas da parábola ilumina essa realidade. A mesa do
rico é abundante, mas permanece fechada. A Mesa eucarística é dom de Cristo e
manifestação de uma comunhão que nos compromete com os outros. A Eucaristia não
legitima nossa indiferença; chama-nos a uma vida transformada pela ação de
graças, pela partilha e pelo amor.
A comunhão com
Cristo não pode ser compreendida como privilégio espiritual que nos dispensa
das necessidades humanas. Ao contrário, quanto mais profundamente participamos
de sua vida, mais somos chamados a reconhecer sua presença naqueles que sofrem.
O amor ao próximo não substitui a vida sacramental, assim como a participação
nos Santos Mistérios não substitui a caridade. Ambas as dimensões pertencem à
unidade da existência cristã.
A
misericórdia como expressão da vida em Cristo
A parábola do
rico e Lázaro permanece particularmente atual numa sociedade em que o
sofrimento pode tornar-se invisível mesmo quando está diante de nossos olhos. A
multiplicação das informações sobre a pobreza, a violência e a exclusão nem
sempre corresponde a uma maior capacidade de compaixão. É possível conhecer
muitas situações de sofrimento e, ainda assim, permanecer espiritualmente
distante daqueles que as experimentam.
O Evangelho
convida-nos a recuperar a atenção. Antes de qualquer gesto extraordinário, a
misericórdia começa pelo reconhecimento da presença do outro. Lázaro possui um
nome, uma história e uma dignidade que a abundância do rico não conseguiu
perceber. Também hoje, por trás das necessidades que encontramos, existem
pessoas concretas, não apenas problemas a serem administrados.
A conversão que
Cristo anuncia exige uma transformação do olhar e das relações. O cristão é
chamado a perguntar-se não somente quais bens possui, mas como os utiliza; não
apenas quais práticas religiosas observa, mas que frutos elas produzem; não
somente se conhece o Evangelho, mas se permite que sua Palavra alcance as
situações concretas da vida.
O juízo
anunciado na parábola não deve conduzir ao desespero, mas à vigilância
espiritual. Enquanto vivemos, a porta permanece diante de nós. Ainda podemos
reconhecer Lázaro, escutar a Palavra, vencer a indiferença e permitir que a
misericórdia reconstrua aquilo que o egoísmo separou.
A mensagem
deste domingo encontra sua unidade na proclamação apostólica de que somos Corpo
de Cristo e na advertência evangélica de que não podemos viver como se o
próximo não existisse. A fé recebida na Igreja deve tornar-se amor operante. A
comunhão celebrada na Eucaristia deve prolongar-se na existência cotidiana. E a
esperança na Ressurreição deve despertar em nós, desde agora, a
responsabilidade de viver segundo a vida nova que Cristo nos concedeu.
O caminho da
salvação não passa pela indiferença diante de Lázaro, mas pela abertura do
coração à misericórdia divina. É nessa abertura que o ser humano começa a
superar o isolamento, a reconhecer no outro a imagem de Deus e a experimentar,
ainda nesta vida, a alegria da comunhão que encontrará sua plenitude no Reino.
Os Santos
Anárgiros: a misericórdia que se torna serviço
A memória dos
Santos Anárgiros Cosme e Damião, celebrada neste mesmo dia, oferece um
testemunho concreto da misericórdia cristã. A tradição da Igreja os venera como
médicos que colocaram seus conhecimentos e seu serviço à disposição dos
enfermos sem exigir pagamento, testemunhando que os dons recebidos de Deus
devem ser oferecidos generosamente.
A designação
anárgiros, literalmente associada àqueles que não recebem dinheiro, recorda que
a gratuidade constitui uma expressão privilegiada do amor cristão. Os santos
médicos não desprezaram o conhecimento nem os recursos necessários ao cuidado
dos enfermos; colocaram-nos a serviço da vida. Sua memória amplia, portanto, o
alcance pastoral da parábola: a misericórdia pode expressar-se na partilha dos
bens, no exercício responsável de uma profissão, na dedicação aos enfermos, na
hospitalidade e na disponibilidade para servir.
O contraste com
o rico da Parábola torna-se evidente. Enquanto aquele homem possuía recursos e
não os transformava em auxílio, Cosme e Damião converteram seus dons em
instrumentos de cuidado. A santidade não consiste em possuir muito ou pouco,
mas em permitir que tudo aquilo que recebemos seja orientado pelo amor de Deus.
A vida dos
santos recorda também que a misericórdia cristã não se limita a gestos
ocasionais. Ela pode tornar-se uma forma permanente de existência, uma maneira
de exercer o trabalho, de organizar as relações e de compreender a própria
vocação. Os dons pessoais, sejam materiais, intelectuais ou espirituais,
encontram sua verdadeira finalidade quando colocados a serviço do bem comum e
da edificação do Corpo de Cristo.
Referências bíblicas, patrísticas e homiléticas
- BÍBLIA
SAGRADA. Lucas 12,16–21; 16,19–31; 1Coríntios 12,27–31; 13,1–8.
- JOÃO
CRISÓSTOMO, São. Homilias sobre Lázaro e o rico (De Lazaro conciones).
Patrologia Graeca, v. 48, col. 963–1054.
- CIRILO
DE ALEXANDRIA, São. Comentário ao Evangelho de São Lucas. Homilias
referentes a Lucas 16,19–31.
- IRINEO,
Dom, Bispo de Tropaion. 5º Domingo de São Lucas.
- AKSELBERG,
Kristian. Sermon – 5th Sunday of Luke. St. Andrew’s Greek Orthodox
Cathedral, 2020. Consultar homilia
- MICLEAN,
Robert. Homily on 5th Sunday of Luke. St Vasilios Greek Orthodox Church,
2019. Consultar homilia
- HIEROTHEOS,
Metropolita de Nafpaktos. Homily for the Fifth Sunday of Luke. Tradução
publicada por John Sanidopoulos, 2022. Consultar homilia
- KRAGIOPOULOS,
Simeão, Arquimandrita. Reflexão sobre o 5º Domingo de São Lucas. Orthodox
Path. Consultar reflexão
Cosme e Damião, Taumaturgos, Anárgiros e Mártires e sua mãe Teodota
Vida dos Santos
Data de celebração: 01/11/2026
Tipo de festa: Fixa
Santo (a) do dia: Ss. Cosme e Damião, taumaturgos, anárgiros e mártires e sua mãe Teodota (início do séc. IV)
Biografia:
TROPÁRIO DA FESTA:
Hino do dia
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Celebrações do dia
1. Santos Cosme e Damião, os Anargyros e milagres
2. São David que praticou em Evia
4. Santos Kyriaina e Iouliani
5. Santos César, Dasios e cinco outros mártires, Savvas, Savinianos, Agripa, Adriano e Tomé, o Menino
6. Santos João, o Bispo e Tiago, o Velho
7. São Hermingeldos
8. Santos Tiago, o novo Santo Mártir de Kastoria e seus dois alunos, Tiago, o Diácono e Dionísio, o Monge
9. São Davi, o Grande Comneno, o novo mártir e sua comitiva, Basílio, Jorge, Manuel, seus filhos e Aleixo, seu sobrinho
10. São Teólito
11. Santos Kyprianos e Iouliani
12. São Cosme de Verhotore
13. Lembrança do Milagre de São Spyridon
Leituras do dia
Matinas - João 21,14–25
Epístola - I Coríntios 12, 27-31; 13, 1-8
Evangelho - Lucas 16,19–31
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Jejum
Livre
Permitido todos os alimentos
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)


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