Vista Externa da Paróquia

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Vista Interna da Paróquia - 29/11/2025

Vista Interna da Paróquia - 29/11/2025
Visita Pastoral de Dom Iosif e Dom Melétios

PROGRAMAÇÃO MENSAL

PROGRAMAÇÃO MENSAL
N O V E M B R O / 2026

Domingo, 1° de novembro de 2026.

  

 


«Se não escutam nem a Moisés nem aos Profetas, mesmo que alguém ressuscite dos mortos, não se convencerão» (Lc 16:31)


Dom Irineo​
Bispo de Tropaion

«V Domingo de São Lucas»

 

Leituras bíblicas

Orthros (Matinas): João 21,14–25

Apóstolos (Epístola): 1 Coríntios 12,27–31; 13,1–8

Evangelho: Lucas 16,19–31

Modo 5º (Plagal do 1º) | Eothinon 11


O rico e Lázaro: da indiferença à comunhão, à luz da misericórdia de Deus

A Parábola do Rico e do Pobre Lázaro, deste V Domingo do Evangelho de São Lucas (16,19–31), coloca-nos diante de uma das advertências mais profundas de Cristo acerca da vida humana, da responsabilidade para com o próximo e do destino último de nossas escolhas. Seu ensinamento não se limita a contrapor a riqueza à pobreza, nem pretende oferecer uma descrição pormenorizada da existência após a morte. O Senhor revela, sobretudo, a gravidade de uma vida que, mesmo cercada de abundância, permanece incapaz de reconhecer o sofrimento de quem está ao seu lado. A Parábola fala do juízo, mas dirige-se principalmente ao tempo presente, no qual a conversão ainda é possível e a misericórdia pode transformar nossas relações.

O evangelista apresenta duas figuras em condições profundamente desiguais. Um homem rico veste-se de púrpura e linho fino e oferece diariamente esplêndidos banquetes. À sua porta encontra-se Lázaro, coberto de feridas, desejando alimentar-se com aquilo que cai da mesa. A descrição é breve, mas suficiente para revelar dois mundos que coexistem sem verdadeiramente se encontrar. Um vive protegido pelo conforto de sua casa; o outro permanece exposto à fome, à doença e ao abandono. Entretanto, o aspecto mais perturbador da narrativa não é simplesmente a desigualdade entre ambos, mas a ausência de qualquer gesto capaz de diminuir essa distância.

A porta da residência adquire, assim, um significado decisivo. Ela marca a separação entre a abundância e a miséria, mas representa também a possibilidade concreta de encontro. O rico não precisava atravessar grandes distâncias para descobrir o sofrimento humano. Lázaro estava diante de sua própria casa. A misericórdia que lhe era solicitada não dependia de circunstâncias extraordinárias, mas de algo elementar: reconhecer a presença de outro ser humano e permitir que sua necessidade interrompesse, ainda que por um instante, a tranquilidade de sua existência.

A tradição patrística percebeu com particular clareza a gravidade dessa omissão. São João Crisóstomo, em suas homilias sobre Lázaro e o rico, insiste que os bens materiais não constituem, por si mesmos, um mal. Tornam-se espiritualmente perigosos quando deixam de ser administrados com responsabilidade e passam a alimentar a vaidade, o luxo desmedido e a insensibilidade. A riqueza pode servir à misericórdia, mas também pode aprisionar o coração numa falsa segurança. O que está em questão, portanto, não é apenas a quantidade de bens possuídos, mas a relação que estabelecemos com eles e, sobretudo, com aqueles que deles necessitam.

O Evangelho não atribui ao homem rico um crime específico. Não afirma que tenha adquirido seus bens mediante fraude, que tenha praticado violência contra Lázaro ou que o tenha expulsado de sua porta. Essa ausência de acusações explícitas torna a Parábola ainda mais exigente. O mal pode manifestar-se não somente nas ações que praticamos, mas também no bem que deixamos de realizar. O rico é apresentado como alguém que organizou toda a vida em torno de si mesmo, sem permitir que o sofrimento alheio despertasse nele a compaixão.

Essa advertência encontra correspondência em outra parábola de São Lucas, a do Rico Insensato (Lc 12,16–21). Ali, um homem que acumula grandes colheitas imagina assegurar o próprio futuro por meio de seus depósitos, esquecendo-se de que a vida não está sob seu domínio. Na passagem do rico e Lázaro, a mesma ilusão assume uma dimensão relacional: o homem vive como se sua abundância pudesse protegê-lo não apenas da insegurança material, mas também da responsabilidade pelo destino de seus semelhantes. Em ambos os casos, a riqueza torna-se perigosa quando alimenta uma compreensão autossuficiente da existência.

Há ainda um detalhe significativo: o pobre recebe um nome, enquanto o rico permanece anônimo. Lázaro corresponde à forma grega de Eleazar, nome hebraico associado à afirmação de que Deus ajuda. Aquele que parecia não possuir lugar na sociedade não estava esquecido diante de Deus. Sua condição de miséria, contudo, não deve ser confundida automaticamente com santidade, assim como a prosperidade material não constitui, por si só, motivo de condenação. A parábola não estabelece uma oposição mecânica entre pobres e ricos, mas revela a verdade espiritual de duas existências e a responsabilidade que nasce do encontro com o próximo.

A avareza, enquanto paixão espiritual, não se mede exclusivamente pela quantidade de bens possuídos, mas pelo domínio que estes exercem sobre a pessoa. Também quem dispõe de poucos recursos pode experimentar o apego desordenado às coisas materiais, enquanto alguém que possui muitos bens pode utilizá-los generosamente em favor dos necessitados. A verdadeira liberdade cristã manifesta-se na capacidade de partilhar, de servir e de reconhecer no outro a imagem de Deus. Não se trata de negar a importância das condições materiais da existência, mas de compreender que nenhuma prosperidade pode substituir a comunhão com Deus e com os irmãos.

O abismo que começa nesta vida

A segunda parte da parábola introduz uma mudança radical de perspectiva. Ambos os homens morrem. Lázaro é conduzido pelos anjos ao seio de Abraão, enquanto o rico, depois de sepultado, encontra-se em tormentos. A morte revela aquilo que a aparência exterior ocultava: a abundância material não assegurava ao rico a verdadeira plenitude da vida, assim como a condição miserável de Lázaro não significava abandono por parte de Deus.

A expressão seio de Abraão evoca acolhimento, descanso e participação na comunhão dos justos. A imagem é particularmente significativa porque Lázaro, que anteriormente permanecia excluído da mesa do rico, aparece agora acolhido na intimidade de Abraão. Aquele que não encontrara hospitalidade entre os homens recebe acolhimento na presença dos justos.

O rico, por sua vez, experimenta uma condição de sofrimento e separação. Ao avistar Abraão, pede que Lázaro seja enviado para aliviar sua sede. Sua súplica revela o tormento em que se encontra, mas conserva um traço de sua antiga maneira de compreender as relações humanas: continua a imaginar Lázaro como alguém que pode ser enviado para servi-lo. A narrativa sugere, assim, como uma existência organizada em torno do próprio interesse pode comprometer profundamente a capacidade de reconhecer o outro em sua dignidade.

A resposta de Abraão recorda a inversão ocorrida e menciona o grande abismo estabelecido entre os dois. A imagem não deve ser transformada numa descrição geográfica da eternidade. Seu sentido espiritual é mais profundo. O abismo manifesta a gravidade de uma separação que a vida do rico já havia tornado visível. Antes da morte, uma porta o separava de Lázaro; agora, a parábola apresenta uma distância que não pode ser transposta.

Essa correspondência entre a porta e o abismo merece particular atenção. A porta podia ser aberta. O rico podia atravessá-la, aproximar-se de Lázaro, oferecer-lhe alimento, cuidado e acolhimento. Nada disso exigia uma transformação extraordinária de suas circunstâncias. Bastava que reconhecesse no sofrimento do pobre um chamado à misericórdia. O abismo, ao contrário, revela a seriedade das escolhas humanas quando contempladas à luz do juízo divino.

A vida cristã não pode ser compreendida como uma experiência individual, fechada em si mesma. Criado à imagem de Deus, o ser humano é chamado à comunhão. A existência pessoal amadurece na relação, no amor e na liberdade. Por isso, a indiferença não é apenas uma falha moral diante de determinada necessidade; revela uma enfermidade espiritual que atinge a própria maneira de existir. Quando o coração se fecha ao próximo, empobrece também sua capacidade de acolher o amor de Deus.

Na compreensão ortodoxa, o pecado não se reduz à transgressão de uma norma exterior. Ele manifesta uma ruptura da comunhão, uma desordem interior que obscurece a imagem divina no ser humano e compromete suas relações. A salvação, por sua vez, não consiste simplesmente em evitar uma condenação, mas em participar da vida de Deus, permitindo que sua graça restaure e transfigure a pessoa. A misericórdia não é, portanto, um dever acrescentado à vida espiritual; pertence ao próprio caminho de cura e transformação do coração.

Convém, entretanto, conservar a sobriedade do texto evangélico. A parábola afirma a seriedade do juízo e a impossibilidade de atravessar o abismo nela descrito, mas não pretende resolver todas as questões teológicas relativas ao estado dos falecidos ou à ação da misericórdia divina. A tradição ortodoxa contempla o juízo com temor de Deus e esperança, sem reduzir o mistério da justiça divina a representações materiais ou a conclusões que ultrapassem o testemunho das Escrituras.

A advertência dirige-se aos vivos. Enquanto o homem permanece neste mundo, pode arrepender-se, abrir a porta, partilhar seus bens, reconciliar-se com o próximo e permitir que a graça transforme seu coração. O tempo presente é o tempo da responsabilidade e da conversão. A parábola não nos convida a especular sobre o destino alheio, mas a examinar nossa própria existência à luz da misericórdia de Deus.

A Palavra de Deus e a conversão do coração

Na parte final da narrativa, o rico pede que Lázaro seja enviado à casa de seu pai para advertir seus cinco irmãos. Abraão responde: eles têm Moisés e os Profetas; devem ouvi-los. Diante da insistência do rico, que imagina ser necessária uma manifestação extraordinária, vem a afirmação conclusiva: se não escutam Moisés e os Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que alguém ressuscite dos mortos.

Essa conclusão desloca a atenção do acontecimento extraordinário para a responsabilidade diante da Palavra já recebida. O problema não consiste na ausência de revelação suficiente, mas na resistência do coração humano em acolher aquilo que Deus lhe comunica. A Lei e os Profetas já haviam ensinado a justiça, a proteção dos vulneráveis, o cuidado com os pobres, as viúvas, os órfãos e os estrangeiros. O rico não precisava receber uma revelação inédita para reconhecer suas obrigações. Precisava levar a sério a Palavra que conhecia.

A referência à ressurreição adquire, para a Igreja, uma ressonância cristológica inevitável. Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e sua Ressurreição constitui o fundamento da fé apostólica. Entretanto, a aceitação desse acontecimento não pode ser separada da conversão. A fé na Ressurreição não consiste simplesmente em admitir um fato extraordinário, mas em acolher a vida nova que Cristo oferece e permitir que ela transforme nossas escolhas.

O Evangelho revela, assim, uma verdade espiritual de grande importância: os sinais de Deus não substituem a liberdade humana nem dispensam a resposta pessoal. É possível testemunhar acontecimentos extraordinários e permanecer interiormente fechado. A conversão não nasce da simples acumulação de provas, mas da abertura do coração à graça e da disposição de acolher a verdade.

A Palavra de Deus possui uma força que não se limita à transmissão de ensinamentos morais. Ela ilumina a consciência, revela as enfermidades espirituais e chama o ser humano à transformação. Contudo, sua acolhida exige humildade. Quem permanece inteiramente satisfeito consigo mesmo dificilmente reconhecerá a necessidade de mudar. A autossuficiência do rico não estava apenas em seus bens, mas na ilusão de que sua maneira de viver não precisava ser questionada.

A tradição ascética da Igreja insiste na importância do conhecimento de si mesmo. O arrependimento começa quando deixamos de justificar continuamente nossas atitudes e reconhecemos aquilo que necessita ser curado. Não se trata de cultivar sentimentos estéreis de culpa, mas de permitir que a verdade de Deus ilumine nossa existência. O arrependimento cristão é sempre abertura à esperança, porque a graça não apenas revela nossas feridas, mas oferece a possibilidade de sua cura.

Essa transformação interior, porém, não pode permanecer encerrada na consciência individual. O reconhecimento da própria pobreza espiritual deve produzir frutos de misericórdia. A humildade que não conduz ao amor corre o risco de tornar-se uma preocupação exclusiva consigo mesmo. Na tradição ortodoxa, a ascese e a caridade não são caminhos concorrentes: a purificação do coração prepara a pessoa para amar com maior liberdade, enquanto o serviço ao próximo torna concreta a transformação interior.

A Palavra anunciada na Igreja deve, portanto, encontrar continuidade na vida. Escutar o Evangelho não significa apenas compreender seu conteúdo ou reconhecer a beleza de seus ensinamentos. Significa permitir que ele alcance nossas escolhas, nossos relacionamentos e a maneira como utilizamos os bens e oportunidades que recebemos.

O amor como caminho mais excelente

A leitura apostólica deste domingo, extraída da Primeira Carta aos Coríntios (12,27–31; 13,1–8), oferece uma chave especialmente fecunda para a compreensão da parábola. São Paulo recorda aos cristãos que são Corpo de Cristo e, individualmente, seus membros. A diversidade dos dons e ministérios não elimina a unidade da comunidade, mas deve servi-la. Cada membro recebe uma responsabilidade em relação aos demais.

Essa afirmação apostólica apresenta uma resposta à existência isolada do rico. Enquanto ele organiza sua vida como se o sofrimento de Lázaro não lhe dissesse respeito, a Igreja é chamada a viver como um corpo no qual a necessidade de um membro interpela todos os outros. O próximo não é uma realidade exterior à nossa vida espiritual. Em Cristo, a comunhão torna-se princípio de responsabilidade recíproca.

O Apóstolo prossegue apresentando o caminho mais excelente: o amor. Mesmo os dons espirituais mais extraordinários perdem seu sentido quando separados da caridade. A eloquência, o conhecimento, a fé capaz de realizar prodígios e até mesmo grandes gestos de generosidade não constituem, isoladamente, a plenitude da vida cristã. É o amor que lhes confere autenticidade.

São Paulo não apresenta o amor como um sentimento passageiro ou uma disposição meramente afetiva. Ele o descreve por meio de atitudes concretas: paciência, bondade, ausência de inveja, humildade, capacidade de suportar as dificuldades e fidelidade à verdade. O amor manifesta-se na maneira como tratamos os outros, especialmente quando suas necessidades exigem de nós alguma renúncia.

Essa passagem impede uma compreensão meramente assistencial da misericórdia. A Igreja não é chamada apenas a distribuir recursos materiais, embora esse serviço seja indispensável. Sua missão consiste em testemunhar o amor de Cristo, que restaura a dignidade humana e introduz as pessoas numa comunhão de vida. A ajuda oferecida ao necessitado não deve humilhá-lo nem transformá-lo em objeto de nossa satisfação moral. Deve reconhecer nele uma pessoa amada por Deus, cuja presença também nos interpela e enriquece.

A perspectiva eucarística aprofunda ainda mais esse ensinamento. Na Divina Liturgia, os fiéis aproximam-se de uma mesma Mesa e participam do único Corpo e Sangue de Cristo. A comunhão eucarística não pode ser dissociada da comunhão fraterna. Seria uma contradição aproximar-se da Mesa do Senhor e, ao mesmo tempo, permanecer indiferente ao irmão que necessita de pão, acolhimento ou cuidado.

O próprio contraste entre as duas mesas da parábola ilumina essa realidade. A mesa do rico é abundante, mas permanece fechada. A Mesa eucarística é dom de Cristo e manifestação de uma comunhão que nos compromete com os outros. A Eucaristia não legitima nossa indiferença; chama-nos a uma vida transformada pela ação de graças, pela partilha e pelo amor.

A comunhão com Cristo não pode ser compreendida como privilégio espiritual que nos dispensa das necessidades humanas. Ao contrário, quanto mais profundamente participamos de sua vida, mais somos chamados a reconhecer sua presença naqueles que sofrem. O amor ao próximo não substitui a vida sacramental, assim como a participação nos Santos Mistérios não substitui a caridade. Ambas as dimensões pertencem à unidade da existência cristã.

A misericórdia como expressão da vida em Cristo

A parábola do rico e Lázaro permanece particularmente atual numa sociedade em que o sofrimento pode tornar-se invisível mesmo quando está diante de nossos olhos. A multiplicação das informações sobre a pobreza, a violência e a exclusão nem sempre corresponde a uma maior capacidade de compaixão. É possível conhecer muitas situações de sofrimento e, ainda assim, permanecer espiritualmente distante daqueles que as experimentam.

O Evangelho convida-nos a recuperar a atenção. Antes de qualquer gesto extraordinário, a misericórdia começa pelo reconhecimento da presença do outro. Lázaro possui um nome, uma história e uma dignidade que a abundância do rico não conseguiu perceber. Também hoje, por trás das necessidades que encontramos, existem pessoas concretas, não apenas problemas a serem administrados.

A conversão que Cristo anuncia exige uma transformação do olhar e das relações. O cristão é chamado a perguntar-se não somente quais bens possui, mas como os utiliza; não apenas quais práticas religiosas observa, mas que frutos elas produzem; não somente se conhece o Evangelho, mas se permite que sua Palavra alcance as situações concretas da vida.

O juízo anunciado na parábola não deve conduzir ao desespero, mas à vigilância espiritual. Enquanto vivemos, a porta permanece diante de nós. Ainda podemos reconhecer Lázaro, escutar a Palavra, vencer a indiferença e permitir que a misericórdia reconstrua aquilo que o egoísmo separou.

A mensagem deste domingo encontra sua unidade na proclamação apostólica de que somos Corpo de Cristo e na advertência evangélica de que não podemos viver como se o próximo não existisse. A fé recebida na Igreja deve tornar-se amor operante. A comunhão celebrada na Eucaristia deve prolongar-se na existência cotidiana. E a esperança na Ressurreição deve despertar em nós, desde agora, a responsabilidade de viver segundo a vida nova que Cristo nos concedeu.

O caminho da salvação não passa pela indiferença diante de Lázaro, mas pela abertura do coração à misericórdia divina. É nessa abertura que o ser humano começa a superar o isolamento, a reconhecer no outro a imagem de Deus e a experimentar, ainda nesta vida, a alegria da comunhão que encontrará sua plenitude no Reino.

Os Santos Anárgiros: a misericórdia que se torna serviço

A memória dos Santos Anárgiros Cosme e Damião, celebrada neste mesmo dia, oferece um testemunho concreto da misericórdia cristã. A tradição da Igreja os venera como médicos que colocaram seus conhecimentos e seu serviço à disposição dos enfermos sem exigir pagamento, testemunhando que os dons recebidos de Deus devem ser oferecidos generosamente.

A designação anárgiros, literalmente associada àqueles que não recebem dinheiro, recorda que a gratuidade constitui uma expressão privilegiada do amor cristão. Os santos médicos não desprezaram o conhecimento nem os recursos necessários ao cuidado dos enfermos; colocaram-nos a serviço da vida. Sua memória amplia, portanto, o alcance pastoral da parábola: a misericórdia pode expressar-se na partilha dos bens, no exercício responsável de uma profissão, na dedicação aos enfermos, na hospitalidade e na disponibilidade para servir.

O contraste com o rico da Parábola torna-se evidente. Enquanto aquele homem possuía recursos e não os transformava em auxílio, Cosme e Damião converteram seus dons em instrumentos de cuidado. A santidade não consiste em possuir muito ou pouco, mas em permitir que tudo aquilo que recebemos seja orientado pelo amor de Deus.

A vida dos santos recorda também que a misericórdia cristã não se limita a gestos ocasionais. Ela pode tornar-se uma forma permanente de existência, uma maneira de exercer o trabalho, de organizar as relações e de compreender a própria vocação. Os dons pessoais, sejam materiais, intelectuais ou espirituais, encontram sua verdadeira finalidade quando colocados a serviço do bem comum e da edificação do Corpo de Cristo.


Referências bíblicas, patrísticas e homiléticas

  • BÍBLIA SAGRADA. Lucas 12,16–21; 16,19–31; 1Coríntios 12,27–31; 13,1–8.
  • JOÃO CRISÓSTOMO, São. Homilias sobre Lázaro e o rico (De Lazaro conciones). Patrologia Graeca, v. 48, col. 963–1054.
  • CIRILO DE ALEXANDRIA, São. Comentário ao Evangelho de São Lucas. Homilias referentes a Lucas 16,19–31.
  • IRINEO, Dom, Bispo de Tropaion. 5º Domingo de São Lucas. 
  • AKSELBERG, Kristian. Sermon – 5th Sunday of Luke. St. Andrew’s Greek Orthodox Cathedral, 2020. Consultar homilia
  • MICLEAN, Robert. Homily on 5th Sunday of Luke. St Vasilios Greek Orthodox Church, 2019. Consultar homilia
  • HIEROTHEOS, Metropolita de Nafpaktos. Homily for the Fifth Sunday of Luke. Tradução publicada por John Sanidopoulos, 2022. Consultar homilia
  • KRAGIOPOULOS, Simeão, Arquimandrita. Reflexão sobre o 5º Domingo de São Lucas. Orthodox Path. Consultar reflexão


Extraído do site: ecclesia.com.br




Cosme e Damião, Taumaturgos, Anárgiros e Mártires e sua mãe Teodota



Vida dos Santos





Ss. Cosme e Damião, taumaturgos, anárgiros e mártires 





Data de celebração: 01/11/2026

Tipo de festa: Fixa

Santo (a) do dia:
Ss. Cosme e Damião, taumaturgos, anárgiros e mártires e sua mãe Teodota (início do séc. IV)

Biografia:

Os santos taumaturgos e anárgiros Cosme e Damião da Mesopotâmia nasceram na Ásia Menor. Seu pai, que era pagão, morreu enquanto eles ainda eram crianças, e sua mãe, Teodota, os criou na fé cristã. Seguindo o exemplo de vida de sua mãe e em imitação a Nosso Senhor, os gêmeos tornaram-se homens justos e virtuosos. Ao alcançarem a idade a adulta, aprenderam medicina e as artes da cura e, por sua virtude, receberam do Espírito Santo o dom de curar as enfermidades do corpo e da alma através de sua oração. Por amor a Deus e ao próximo eles jamais cobraram por seus serviços, seguindo estritamente o mandamento de Nosso Senhor Jesus Cristo: «Recebestes de graça, de graça dai!» (Mt. 10:8). Eles tratavam até mesmo os animais. A fama dos Santos Cosme e Damião se espalhou por toda a região da Mesopotâmia, e o povo apelidou os irmãos de médicos anárgiros, ou seja, «aqueles que não recebem dinheiro».

Num certo dia os santos foram chamados para atender uma senhora acometida de uma doença incurável, de nome Paládia, a quem todos os médicos recusaram-se a tratar. Pela fé, oração e pelos santos dons dos irmãos, o Senhor curou a doença de Paládia, que logo em seguida levantou-se de seu leito, com perfeita saúde, para agradecer a Deus. Desejando recompensar seus médicos de algum modo, em um gesto de gratidão a idosa senhora foi conversar com Damião, e lhe presenteou com três ovos, dizendo «Aceite este pequeno presente em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo». Ao ouvir o nome da Santíssima Trindade, o santo médico não ousou recusar o presente. No entanto, quando Cosme soube o que acontecera, entristeceu-se, pois cria que seu irmão havia quebrado seu voto de caridade. Após certo tempo, chegou a hora de São Cosme repousar no Senhor. Em seu leito de morte, ele declarou que não gostaria de ser enterrado ao lado de seu irmão. Alguns meses depois, São Damião também veio a falecer. Todos os seus amigos e parentes ficaram preocupados, pois não sabiam onde deveriam enterrar São Damião. Porém, pela vontade de Deus, um anjo apareceu aos presentes, dizendo que não deveria haver dúvidas se os irmãos deveriam ser enterrados lado a lado, pois São Damião aceitara o presente da velha senhora não como pagamento, mas em respeito ao Nome de Deus e em caridade, para não humilhar a nobre senhora. E assim, os gêmeos foram enterrados lado a lado, em Theremam, Mesopotâmia, atual Síria, no ano de 303 a.D.

II – Santos Cosme e Damião

São Cosme e São Damião sofreram martírio em Ciro (na Síria), provavelmente durante a perseguição de Diocleciano, nos inícios do século IV. sabe-se que os dois irmãos curavam “todas as enfermidades, não só das pessoas, mas também dos animais”, fazendo tudo gratuitamente. Em grego são chamados de “anargiros”, isto é, sem dinheiro. Os dois irmãos foram colocados no paredão para que quatro soldados os atravessassem com setas, mas “os dardos voltavam para trás e feriam a muitos, porém os santos nada sofriam “. Foram obrigados a recorrer à espada para a decapitação, honra reservada só aos cidadãos romanos e somente assim os dois mártires, juntamente com outros três irmãos, puderam prestar seu testemunho a Cristo. Seus restos mortais, segundo consta, encontram-se em Ciro na Síria, repousando numa igreja a eles consagrada. Da Síria o seu culto alcançou Roma e dali se espalhou por toda a Igreja do Ocidente.


TROPÁRIO DA FESTA:

Santos anárgiros e taumaturgos Cosme e Damião,
curai-nos de nossas enfermidades.
Concedei-nos gratuitamente,
aquilo que de graça recebestes.

Trad.: Pe. André

Extraído do site: ecclesia.com.br



Hino do dia



Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)


Celebrações do dia



1. Santos Cosme e Damião, os Anargyros e milagres

2. São David que praticou em Evia

3. Santa Helena, a Virgem Mártir de Sinope

4. Santos Kyriaina e Iouliani

5. Santos César, Dasios e cinco outros mártires, Savvas, Savinianos, Agripa, Adriano e Tomé, o Menino

6. Santos João, o Bispo e Tiago, o Velho

7. São Hermingeldos

8. Santos Tiago, o novo Santo Mártir de Kastoria e seus dois alunos, Tiago, o Diácono e Dionísio, o Monge

9. São Davi, o Grande Comneno, o novo mártir e sua comitiva, Basílio, Jorge, Manuel, seus filhos e Aleixo, seu sobrinho

10. São Teólito

11. Santos Kyprianos e Iouliani

12. São Cosme de Verhotore

13. Lembrança do Milagre de São Spyridon

14. Reunião de todos os santos mártires em Nápoles

Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)


Leituras do dia



Matinas - João 21,14–25

Epístola - I Coríntios 12, 27-31; 13, 1-8

Evangelho - Lucas 16,19–31

Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)



Jejum


Livre

Permitido todos os alimentos

Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)


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