4º Domingo da Quaresma:
«São João Climaco»
(3º antes da Páscoa - Modo 4)
Homilia para o «4º Domingo da Santa e Grande Quaresma» de S. Emncia. Revma. Dom TARASIOS, Arcebispo Metropolitano de Buenos Aires, Primaz e Exarca da América do Sul
Neste Quarto Domingo da Grande Quaresma, no episódio que ouvimos hoje do Evangelho, Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensina e fala acerca da fé. Detenhamo-nos um momento para refletir sobre isso. O pai do menino possesso se aproxima do Senhor para lhe pedir sua ajuda, dizendo: «se podes fazê-lo». E a imediata resposta do Senhor Jesus é que «tudo é possível para os que crêem».
Vivemos num mundo cada vez mais cético, onde os seres humanos vão se desumanizando, onde a exploração do homem pelo homem é cada vez mais agressiva , tentando anulá-lo totalmente, destruindo a sua dignidade como imagem de Deus
Recentemente, veiculou uma notícia nos jornais, dando conta que, em alguns países da Europa, e também da América do Sul, os trabalhadores que ocupam funções nos caixas dos supermercados são proibidos de irem ao banheiro, vendo-se obrigados a usar fraldas, como bebês. Este é apenas um exemplo do que está acontecendo. Deus já não aparece na vida daqueles que o substituíram por outros «deuses» e ídolos, tais como a ânsia de fazer mais e mais dinheiro e da vontade de poder absoluto.
Então, pessoas como as do exemplo, são excluídas, suas vidas são usurpadas, sofrem de stress e depressão pelo medo de perder seu trabalho, seu sustento. À estas pessoas também chegam a incredulidade, que as conduz a um círculo vicioso, o mesmo em que estão seus exploradores.
Mas o Senhor nos diz que tudo é possível para quem crê, ou seja, para o que tem fé. Isto não é uma possibilidade, mas uma certeza que se pode reverter o que está acontecendo. No Evangelho, escutamos que o Senhor liberta o menino do demônio mudo. Com Sua autoridade e poder, ordena que saia da criança.
Ainda quando, pelas circunstâncias da vida em que a pessoa se encontre, se tão somente tivesse fé do tamanho de um semente de mostarda, com certeza, teria o auxílio de Deus em sua vida.
Sabemos, porém, que os fortes vendavais que sopram por todos os lados do mundo, podem levar para longe esta já frágil fé e, por isso, a exemplo deste pai do menino possuído, devemos suplicar ao Senhor: «Ajuda-me, porque tenho pouca fé».
Somente Jesus Cristo, através de Sua graça na Sua Igreja, pode ajudar a fortalecê-la, a torná-la sólida como a casa construída sobre a rocha, tal como nos relata o Evangelho de São Mateus (cf. Mt 7, 24-29).
Como podemos conseguir? O mesmo Senhor Jesus responde: aquele que me ouve e faz o que eu digo (Mt 7, 24). Aqui está o único que pode nos libertar, como já disse acima, da ansiedade, da angústia, da depressão, das preocupações que nos conduzem a nada do que é bom, senão, destrói a pessoa. É Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que nos conhece a cada um pelo nome, pessoal e individualmente, que sabe das nossas necessidades, antes mesmo de abrirmos a nossa boca para gritar por sua ajuda.
Assim como na passagem do Evangelho que acabamos de ouvir, o menino foi libertado do espírito mudo da mesma forma também Nosso Senhor pode nos libertar de tudo o que nos emudece neste incrédulo mundo, de tudo o que nos causa sofrimento e dor, porque só Ele pode tornar as nossas vidas plenas e preencher as nossas necessidades espirituais e materiais.
Neste período quaresmal, é justo e necessário que nos aproximemos da Semana Santa e da Páscoa vindo e participando em nossa Igreja, dispondo-nos a ouvir a Sua voz, a escutar a Sua palavra e o seu ensinamento e sobre elas refletir. Apropriemo-nos da graça e preparemos nossa libertação e ressurreição, com e em Cristo, Aquele nos dá a verdadeira dignidade de seres humanos, de filhos de Deus, que nos transforma e nos faz participar da Sua Realeza, da vida eterna, em Seu Reino Celestial.
Boa Páscoa!
São João Clímaco
São João Clímaco nasceu por volta de 579 e morreu no Egito, no ano 649. Aos 60 anos foi eleito abade do Mosteiro do Sinai. Seu nome "Clímaco" é um codinome derivado da obra escrita em grego, intitulada "Klimax tou Paradeisou". Sua obra ficou tão afamada que rapidamente o autor era referido como "João da Escada" ou, "João Clímaco".
Escreveu esta obra quando ainda era abade. Em 30 capítulos ou 30 degraus, como preferia chamar, explicava quais os vícios perigosos para os monges e quais as grandes virtudes que os distinguiam. O próprio João Clímaco comparava sua obra à escada de Jacó ou também aos 30 anos da vida de Jesus.
A obra encontrou aceitação e rápida divulgação: atesta-se a existência de 33 manuscritos gregos, muitas traduções latinas, siríacas, armênias, eslavas e árabes. Junto à obra, como apêndice, está um importante documento que orienta os abades a exercer santamente sua autoridade dentro do monastério.
Para São João Clímaco, o ideal monástico é uma vida hesycasta onde trava-se uma guerra invisível e constante contra os maus pensamentos para que eles não atrapalhem a vida de oração do monge. Ele era um bom conhecedor dos Antigos Padres - dos solitários do deserto egípcio aos Padres da Palestina. Considerava a vida monástica como necessária para a vida da Igreja, não só como um apostolado, mas como exemplo de vida a ser seguida.
Para João Clímaco, os monges devem influenciar a Igreja por viverem uma vida angelical, embora ainda possuíssem um corpo material e corruptível. Dizia que o chamado à vida monástica é para poucos e não para todos.
Após termos vivido as riquezas da celebração do "Domingo da Venerável e Vivificante Cruz", o domingo posterior nos convida a descobrir os valores da oração, do sacrifício e dos jejuns, tendo como exemplo São João Clímaco. Não é difícil encontrarmos cristãos que pensem que a prática da oração constante e do jejum seja um dever exclusivamente daqueles que abraçaram a vida religiosa.
Parece que num mundo tão materializado, a prática da oração e do jejum são relegados ao esquecimento. A Igreja enfatiza que tais práticas são extensivas a todos os cristãos, pois através delas encontraremos caminhos que nos levam à santidade. Embora a vida monástica não seja para todos, como dizia São João Clímaco, alguns exemplos porém, devem ser seguidos . Entre eles estão a oração e o jejum. Assim dizia a respeito:
«A Oração é o jejum da mente, pois quando rezamos afastamos dela pensamentos mundanos para nos elevar até Deus. O Jejum e a abstinência de certos alimentos é a oração do corpo, pois educamos nossa vontade corporal para se chegar à perfeição espiritual. O jejum refreia a tagarelice. Ele nos fará misericordiosos e dispostos a obedecer; destrói os pensamentos maus e elimina a insensibilidade do coração.O jejum é uma maneira de exprimir o amor e a generosidade; através dele, sacrificam-se os prazeres da terra, para obter as alegrias do céu».
No jejum, o homem fundamenta sua vida em Deus e não em si mesmo. Através de um corpo educado pela vontade, buscamos a Deus Uno e Trino, verdadeiro alimento e verdadeira água viva.
São João Clímaco definia a oração como uma profunda amizade com Deus. O amigo sente necessidade de estar com o seu amigo. Desta forma a saudade de se estar com Deus é amenizada pela oração. A oração é o oxigênio da alma. É o hálito do Espírito Santo que perpassa todo o interior da pessoa.
«Orai sem cessar», dizia São Paulo. Este conselho paulino não pode ser entendido como o afastamento completo de nossas responsabilidades nem como escusa no cumprimento de nossos compromissos. Devemos rezar em nossos momentos de trabalho. Fazer do nosso trabalho um ato de louvor ao Criador é um ideal.
Grandes monges de longa experiência de vida em oração, nos dão algumas orientações para que possamos chegar ao amadurecimento espiritual. Para iniciarmos uma vida de oração são necessários alguns cuidados: devemos esforçar para evitar tudo o que agita o nosso coração, tudo que é causa de falta de atenção, de super excitação, tudo o que desperta as paixões ou nos torna ansiosos. Na medida do possível, devemos nos libertar do barulho, da agitação e da inquietação. Basta termos certeza que a graça de Deus nos é suficiente e a Ele nos entregar.
Não menos importante é nos libertar das inquietações internas: nossa alma deve estar apaziguada, tranqüila e serena. Não podemos nos apresentar diante de Deus para rezar possuindo sentimentos de rancor, ódio, frieza no coração.
São João Clímaco também nos orienta que para se viver uma vida de oração verdadeira é preciso antes sermos obedientes à voz de nossa alma. Devemos obedecer à voz de nossa alma quando nosso corpo exige que se satisfaça suas vontades. A obediência é um instrumento indispensável, na luta contra a própria vontade.
"Ela é a condenação à morte dos membros do nosso corpo, em benefício da vida do espírito. Ela é ainda a sepultura da vontade própria, e a ressurreição da humildade"
(Escada, Degrau 3:3).
Por mais que façamos jejuns e ofereçamos nossa oração a Deus, é necessário termos consciência de que Deus não precisa do nosso jejum, nem tem necessidade da nossa oração. Ele é perfeito, nada lhe falta, e não pode precisar de coisa alguma que nós, suas criaturas, possamos lhe oferecer. Nada temos para lhe dar; mas, diz São João Crisóstomo, «Ele aceita que lhe apresentemos as nossas ofertas, para nossa própria santificação».
A maior oferenda que podemos apresentar ao Senhor, somos nós mesmos; e, só o poderemos fazer, entregando-lhe nossa vontade. Aprendemos isso pela obediência; e aprendemos a obedecer pela prática. Estar ciente destas verdades e ainda assim sermos pessoas de oração e de jejuns significa que o orgulho e a vaidade foram dominados.
A oração é uma das asas que nos erguem para o céu; a outra é a fé. Com uma asa só, não se pode voar: a fé sem a oração é tão vã quanto a oração sem a fé. Mas, se nossa fé for frágil demais, é bom clamarmos: "Senhor, dai-nos a fé!" . Sem a oração, não esperemos encontrar o que tanto procuramos: Deus. A vida de oração é exercitada pela prática constante. Podemos iniciar a passos lentos mas profundos. Cada passo um após o outro deverá ser sinal de progresso na vida espiritual. O tempo é o que menos conta, a qualidade de nossa oração é que faz a diferença.
Quando oramos, nosso "eu" deve calar-se. Segundo São Basílio, nossa oração deve conter quatro elementos: adoração, ação de graças, confissão dos pecados e pedido de salvação. Tanto a oração e o jejum nos auxiliam para a nossa salvação e santificação. A Igreja nos convida a prosseguir nesta caminhada de riquezas que nos fazem sentir encorajados a prosseguir rumo à perfeição. Que Deus nos ilumine e nos dirija nestes santos propósitos.
BIBLIOGRAFIA:
BERARDINO, Ângelo. Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs. Petrópolis: Ed. Vozes, 2002
Extraído do site: ecclesia.com.br
Vida dos Santos
Arcanjo São Gabriel
Data de celebração: 26/03/2023
Tipo de festa: Fixa
Santo (a) do dia: Sinaxe do Arcanjo São Gabriel
Biografia:
No dia seguinte à Festa litúrgica da Anunciação, a Igreja nos recorda o Arcanjo Gabriel, o mensageiro que trouxe à Maria o anúncio que dela nasceria o Salvador do mundo. O arcanjo Gabriel é um dos sete principais anjos que, de acordo com o Livro de Tobias «está de pé diante de Deus» (Tob 12, 15). O nome hebraico Gabriel significa «Fortaleza de Deus». O arcanjo Gabriel é citado várias vezes nas Escrituras como um mensageiro celestial enviado por Deus para anunciar aos homens seus planos de salvação para a humanidade. Assim, o arcanjo Gabriel apareceu várias vezes ao profeta Daniel para lhe revelar o mistério da chegada do Messias, as perseguições do anticristo e sobre o fim dos tempos (Dn 8,16; 9,21). Antes da vinda do Filho de Deus ao mundo, o arcanjo Gabriel apareceu no templo ao sacerdote Zacarias e lhe comunicou sobre a concepção milagrosa do Precursor de Jesus, João, o Batista.
Seis meses depois, apareceu à Virgem Maria em Nazaré trazendo-lhe a feliz mensagem de que ela havia sido a escolhida para ser a Mãe do Cristo Salvador (Lc,1). Alguns Padres da Igreja afirmam que o Arcanjo Gabriel foi também enviado para apoiar o Salvador durante a sua oração no Horto do Getsêmani; depois, para anunciar a Mãe de Deus o dia de sua Dormição. Por isso, nos livros sagrados da Igreja é nomeado como o «Mensageiro dos milagres». Sendo o mensageiro de Deus, dos eventos dos Antigo e Novo Testamentos, o Arcanjo Gabriel deve estar muito próximo de Deus. É representado na iconografia, algumas vezes, com o lírio branco na mão que, segundo a lenda, teria trazido à Virgem Maria no dia da Anunciação.
Trad.: Pe. André Sperandio
Extraído do site: ecclesia.com.br
Hino do dia
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Celebrações do dia
1. Quarto Domingo da Quaresma
2. Assembléia do Arcanjo Gabriel
3. Agioi Kokratos, Teodósio, Manuel e outros Quarenta e uma testemunhas do Oriente
4. Santos vinte e seis testemunhas testemunharam os godos
5. Saint Stephan o Confessor, abade de Triglia
6. Um conto de um monge Malki benevolente capturado
7. São Basílio, o Novo
8. São Jorge de Sofia, Bulgária
9. São João Batista e Sua Majestade o Maxim
10. Santos Teodoro, o Mártir Jerônimo, Irineu, o Diácono, Serapion e leitores de Ammonios
11. Santos Pedro, Marcosiano, João, Thekla, Kassianos, as Testemunhas e seus seguidores
12. Saint Eutychius the Witness o sub-comandante
3. Agioi Kokratos, Teodósio, Manuel e outros Quarenta e uma testemunhas do Oriente
4. Santos vinte e seis testemunhas testemunharam os godos
5. Saint Stephan o Confessor, abade de Triglia
6. Um conto de um monge Malki benevolente capturado
7. São Basílio, o Novo
8. São Jorge de Sofia, Bulgária
9. São João Batista e Sua Majestade o Maxim
10. Santos Teodoro, o Mártir Jerônimo, Irineu, o Diácono, Serapion e leitores de Ammonios
11. Santos Pedro, Marcosiano, João, Thekla, Kassianos, as Testemunhas e seus seguidores
12. Saint Eutychius the Witness o sub-comandante
13. Agios Pulios o Leitor
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Leituras do dia
Jejum
Vinho
Permitido Vinho e azeite.
Abster-se de carne, peixe, laticínios e ovos
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Vinho
Permitido Vinho e azeite.
Abster-se de carne, peixe, laticínios e ovos
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)


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