Vista Externa da Paróquia

Vista Externa da Paróquia

Vista Interna da Paróquia - 29/11/2025

Vista Interna da Paróquia - 29/11/2025
Visita Pastoral de Dom Iosif e Dom Melétios

PROGRAMAÇÃO MENSAL

PROGRAMAÇÃO MENSAL
O U T U B R O / 2 0 2 6

Domingo, 25 de outubro de 2026.

 




Dom Irineo​
Bispo de Tropaion

6º Domingo de Lucas



Leituras bíblicas

Orthros (Matinas): João 21,1–14

Apóstolos (Epístola): Gálatas 2,16–20

Evangelho: Lucas 8,26–39

Modo 4º | Eothinon 10


I. A presença de Cristo diante de uma humanidade ferida

OEvangelho do sexto domingo de São Lucas conduz-nos à região dos gerasenos, na margem oposta do lago da Galileia. Depois de acalmar a tempestade, Jesus encontra um homem cuja existência havia sido profundamente desfigurada pela ação dos espíritos impuros. São Lucas descreve sua condição com uma sobriedade impressionante: havia muito tempo não usava roupas, não habitava uma casa e vivia entre os túmulos. Afastado da convivência humana, submetido a uma força que o dominava, tornara-se objeto de temor para aqueles que o conheciam.

A localização do episódio possui uma particular força simbólica. Os túmulos representam o domínio da morte, enquanto a ausência de vestes e de morada exprime a perda das condições ordinárias de uma existência humana digna. O homem permanece vivo, mas sua vida encontra-se profundamente comprometida. A comunidade conhece sua situação, procura contê-lo com correntes e grilhões, mas não consegue libertá-lo.

Cristo atravessa o lago e vem ao seu encontro. O mesmo Senhor que havia manifestado sua autoridade sobre os ventos e as águas revela agora seu poder diante das forças que escravizam o ser humano. A pergunta dos discípulos — «Quem é este, que até aos ventos e às águas dá ordens, e eles lhe obedecem?» (Lc 8,25) — encontra uma nova resposta na libertação daquele homem. A autoridade de Jesus manifesta a presença do Reino de Deus, diante do qual o domínio do mal não pode prevalecer.

Quando o Senhor pergunta o nome do homem, recebe a resposta: «Legião», porque muitos demônios haviam entrado nele. A designação sugere uma multiplicidade que contrasta com a unidade própria da pessoa humana. O homem encontra-se dividido, submetido a forças que lhe impedem o exercício da liberdade.

A reflexão ortodoxa contemporânea reconhece nessa descrição uma imagem particularmente expressiva da fragmentação da existência. O protopresbítero Nikolaos Patsalos desenvolve precisamente essa dimensão do episódio: a pessoa, criada para a comunhão, encontra-se dispersa e privada de sua integridade. A libertação realizada por Cristo manifesta, por contraste, o restabelecimento de sua unidade.

Essa interpretação encontra correspondência na tradição ascética da Igreja. Os Santos Padres descrevem frequentemente a vida espiritual como um processo de purificação e recolhimento das faculdades humanas, dispersas pelas paixões e pelos pensamentos desordenados. A inteligência, a vontade e o desejo, quando afastados de sua orientação para Deus, podem entrar em conflito e comprometer a harmonia interior.

São Máximo, o Confessor, desenvolve essa compreensão ao ensinar que as potências naturais da alma não são más em si mesmas; sua desordem nasce do uso contrário à finalidade para a qual foram criadas. A vida em Cristo não exige a supressão dessas potências, mas sua restauração e correta orientação. O amor, o conhecimento e a liberdade encontram sua plenitude quando participam da comunhão com Deus.

Essa aproximação espiritual, contudo, não autoriza identificar enfermidades psíquicas com possessão demoníaca. O relato evangélico apresenta uma situação específica, segundo a linguagem e a compreensão religiosa das Escrituras. Sua leitura pastoral deve preservar a dignidade das pessoas que sofrem, evitando atribuir-lhes culpas ou explicações espirituais que não encontram fundamento em suas condições concretas.

O centro da narrativa permanece na ação libertadora de Cristo. O Evangelho não convida à curiosidade acerca dos demônios, mas à contemplação do Salvador que restitui ao homem sua liberdade.

II. A graça que liberta e restitui a pessoa

Depois da libertação, São Lucas apresenta uma das imagens mais expressivas de todo o episódio:

«Encontraram o homem de quem haviam saído os demônios, sentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo.» (Lc 8,35)

A transformação é descrita por sinais concretos. O homem que antes vagava pelos túmulos encontra-se agora serenamente sentado. Aquele que vivia despido recuperou suas vestes. Quem estava submetido a uma força que lhe perturbava a razão encontra-se em perfeito juízo. E, sobretudo, está aos pés de Jesus.

O Evangelista apresenta uma existência restaurada. O homem recupera sua liberdade, sua dignidade e a possibilidade de participar novamente da vida comunitária.

Na antropologia cristã, essa restauração remete à dignidade da pessoa criada à imagem de Deus. A imagem divina não é destruída pelas feridas do pecado, embora sua manifestação possa ser obscurecida. A salvação em Cristo realiza a renovação da criatura humana, conduzindo-a à comunhão para a qual foi chamada desde a criação.

São Gregório de Nissa, em sua reflexão sobre a criação do homem, relaciona a dignidade humana à liberdade e à capacidade de participar dos bens divinos. A grandeza da pessoa não depende de sua condição social, de sua força ou de suas realizações, mas de sua origem e vocação em Deus.

O homem de Gerasa, aos olhos daqueles que o temiam, parecia ter perdido toda possibilidade de convivência. Aos olhos de Cristo, permanecia alguém cuja vida podia ser restaurada.

O Metropolita Hierotheos de Nafpaktos, em sua homilia para este domingo, chama a atenção para a diferença entre a violência do domínio demoníaco e a ação vivificante da graça. O mal manifesta-se pela sujeição, enquanto a presença do Espírito Santo conduz à liberdade. Deus não violenta a pessoa para salvá-la; sua graça cura, ilumina e fortalece as capacidades humanas.

Essa compreensão permite reconhecer o caráter profundamente pessoal da salvação. A graça divina não substitui a existência humana, mas a transfigura. A liberdade restaurada torna possível uma resposta consciente ao amor de Deus.

A Epístola aos Gálatas ilumina esse mistério com singular profundidade. São Paulo afirma:

«Estou crucificado com Cristo; já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.» (Gl 2,19–20)

A expressão paulina não anuncia o desaparecimento da personalidade do Apóstolo. Sua vida permanece plenamente humana, mas encontra agora em Cristo seu princípio de renovação. A comunhão com o Salvador transforma a maneira de compreender a própria existência, de exercer a liberdade e de relacionar-se com o próximo.

Na mesma passagem, Paulo recorda que a justificação não procede das obras da Lei, mas da fé em Jesus Cristo. A salvação não pode ser reduzida ao cumprimento exterior de prescrições religiosas. Ela nasce da iniciativa misericordiosa de Deus e se realiza na comunhão viva com seu Filho.

A tradição ortodoxa compreende essa participação na vida divina como um processo de cura e santificação que envolve toda a pessoa. A fé manifesta-se no arrependimento, na oração, na vida sacramental e na prática do amor. A graça recebida torna-se fecunda na liberdade humana que a acolhe.

O contraste entre a situação inicial e a condição final do geraseno ajuda a compreender essa transformação. Antes, sua existência era dominada por forças que o impediam de viver livremente. Depois do encontro com Cristo, encontra-se em condições de responder, de escolher e de assumir uma missão.

O episódio da manada de porcos e a reação dos habitantes da região acrescentam uma dimensão inquietante à narrativa. A população toma conhecimento do acontecimento, encontra o homem libertado e é dominada pelo temor. Em seguida, pede a Jesus que se retire.

São Lucas não oferece uma explicação única para essa reação. A perda dos animais integra o relato, mas o Evangelista destaca expressamente o grande temor que se apoderou dos habitantes. Diante de uma manifestação extraordinária do poder divino, eles não conseguem acolher a presença daquele que realizou a libertação.

O temor diante do sagrado aparece em diferentes passagens bíblicas. Pode conduzir à reverência e à fé, mas também à resistência e ao afastamento. No episódio de Gerasa, a população escolhe manter distância de Jesus.

Essa atitude oferece uma ocasião de exame espiritual. A presença de Cristo consola e cura, mas também interpela a existência humana. Sua Palavra convida à conversão, à reconciliação e ao abandono daquilo que impede a comunhão. Nem sempre estamos dispostos a acolher as consequências dessa transformação.

O homem libertado, porém, manifesta um desejo diferente: pede para permanecer com Jesus. Sua reação revela o reconhecimento daquele que lhe restituiu a vida. A proximidade do Salvador tornou-se para ele o bem mais precioso.

III. Da libertação ao testemunho: a vida transformada torna-se anúncio

A resposta de Cristo ao pedido do homem curado constitui o ponto culminante da narrativa:

«Volta para tua casa e conta tudo o que Deus fez por ti.» (Lc 8,39)

Jesus não permite que ele O acompanhe na travessia seguinte. Confia-lhe uma missão no próprio ambiente de onde havia sido afastado. Aquele que antes não possuía uma casa deverá regressar à sua família; quem vivera separado da comunidade torna-se anunciador da misericórdia divina.

A restauração de sua existência encontra, assim, uma expressão missionária. O homem recebe a responsabilidade de testemunhar o que experimentou. Sua história, anteriormente marcada pelo sofrimento, torna-se anúncio da ação de Deus.

Há uma delicada profundidade na maneira como São Lucas encerra o episódio. Jesus ordena que o homem anuncie tudo o que Deus fez por ele; o Evangelista acrescenta que ele percorreu a cidade proclamando tudo o que Jesus lhe havia feito. A correspondência entre as duas expressões manifesta a identidade divina do Salvador: na ação de Cristo, revela-se a misericórdia do próprio Deus.

O testemunho confiado ao geraseno nasce de uma experiência pessoal, mas possui uma dimensão comunitária. Ele é enviado às pessoas que conheciam sua condição anterior. Sua presença, agora serena e livre, constitui por si mesma um sinal da transformação realizada.

A tradição cristã reconhece nesse movimento uma característica fundamental do discipulado. O encontro com Cristo conduz à comunhão e ao serviço. A graça acolhida interiormente manifesta-se na maneira de viver, nas relações humanas e na responsabilidade pelo próximo.

O testemunho cristão não depende necessariamente de acontecimentos extraordinários. A reconciliação entre pessoas afastadas, a perseverança diante das dificuldades, o cuidado com os enfermos, a fidelidade à oração e a prática da misericórdia tornam visível a ação transformadora de Deus na vida cotidiana.

O homem de Gerasa não recebeu a missão de explicar os mistérios do sofrimento ou de oferecer respostas a todas as perguntas de sua comunidade. Foi enviado para anunciar aquilo que Deus havia realizado em sua própria vida.

Sua história permanece como testemunho da dignidade humana restaurada pela misericórdia divina. A pessoa que encontra em Cristo a liberdade é chamada a viver essa liberdade no amor, na comunhão e no serviço.

A palavra final do Senhor — «Volta para tua casa» — conserva, por isso, uma atualidade particular. A vida cristã se realiza também nos lugares familiares, nas relações ordinárias e nas responsabilidades que nos foram confiadas. É ali que a fé se torna reconhecível, quando a presença de Cristo transforma nosso modo de viver e de tratar aqueles que encontramos.

Referências Bibliográficas

BÍBLIA SAGRADA. Evangelho segundo São Lucas 8,26–39; Epístola aos Gálatas 2,16–20; Evangelho segundo São João 21,1–14.

Tradição patrística e teológica

GREGÓRIO DE NISSA, São. De hominis opificio (Sobre a criação do homem). Especialmente os capítulos dedicados à imagem divina e à dignidade humana. Patrologia Graeca, v. 44.

MÁXIMO, O CONFESSOR, São. Capita de caritate (Centúrias sobre a caridade). Especialmente as reflexões sobre as paixões, a liberdade e a ordenação das faculdades humanas. Patrologia Graeca, v. 90.

HIEROTHEOS DE NAFPAKTOS, Metropolita. Homily for the Sixth Sunday of Luke: The Power of the Name of Jesus. 2022. Disponível em: https://www.johnsanidopoulos.com/2022/10/homily-for-sixth-sunday-of-luke-power.html.

PATSALOS, Nikolaos. 6th Sunday of Luke: The Possessed Man as the Fragmentation of the Human Person. Pemptousia, 2023. Disponível em: https://pemptousia.com/2023/10/6th-sunday-of-luke-the-possessed-man-as-the-fragmentation-of-the-human-person/.

LEMASTERS, Philip. Life After Demons and Pigs: Homily for the Sixth Sunday of Luke. Eastern Christian Insights, 2013. Disponível em: https://easternchristianinsights.blogspot.com/2013/10/life-after-demons-and-pigs-homily-for.html.

Fontes homiléticas complementares

ORTHODOX PATH. The Gadarinene Demoniac — 6th Sunday of St. Luke. Disponível em: https://www.orthodoxpath.org/catechisms-and-articles/the-gadarinene-demoniac-6th-sunday-of-st-luke/.

ST. VASILIOS GREEK ORTHODOX CHURCH. 6th Sunday of Luke — The Gadarene Demoniac. 2017. Disponível em: https://stvasiliosbrunswick.com/2017/10/21/6th-sunday-of-luke-the-gadarene-demoniac/.

ECCLESIA BRASIL. SINAXE — 6º Domingo de São Lucas. Biblioteca Byblos. Disponível em: https://byblos.ecclesia.org.br/sinaxe/6o-domingo-de-sao-lucas/.

 


Vida dos Santos





São Marciano


São Martírio






Data de celebração: 25/10/2026

Tipo de festa: Fixa

Santo (a) do dia:
Santos Marciano e Martírio, mártires († 358)

Biografia:

O Santos Mártires Marciano e Martírio serviam na Catedral de Constantinopla como leitor e subdiácono, respectivamente. Ocupavam-se ainda das tarefas de notário e secretário do Patriarca de Constantinopla, Paulo, o Confessor, nos anos do imperador ariano Constantino (337-349). Os Santos receberam uma excelente educação e eram exímios defensores da fé ortodoxa. Quando o Patriarca Paulo de Constantinopla não aceitou estar de acordo com os arianos, foi exilado pelo imperador na Armênia onde foi afogado pelos arianos daquela região. Então, Marciano e Martírio seguiram ainda com maior firmeza sua fé na doutrina ortodoxa, tendo sempre em mente as palavras do Senhor: «Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos» (Jo 8,31). Marciano e Martírio provaram na própria carne o que fora dito pelo Senhor quando foram presos e torturados por ordem do imperador e, tendo perseverado com firmeza na fé, foram martirizados pela espada. Seus corpos foram reverentemente sepultados por cristãos da região. Mais tarde, por um decreto do santo Arcebispo de Constantinopla, João Crisóstomo, as relíquias dos santos mártires foram transferidas para uma igreja construída especialmente para isto.

Trad.: Pe. André

Extraído do site: ecclesia.com.br



Hino do dia




Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)



Celebrações do dia



1. Santos Markianos e Martyrios são os notários

2. Santa tabita

3. Santos Wallerios e Chrysafios

4. Santo Anastácio

5. Saint Wallerinos

6. São Savinos

7. Άγιος Ούαρος «ὁ ἐν Αἰγύπτῳ»

8. São Jorge, bispo de Amastridos

9. Santos Pappias, Diodoro e Claudius

10. Santos Dois Mártires da Trácia

11. Agia Chrysanthi

12. Santos Mártir, o Fechado e Mártir, o diácono

13. Santos Fausto, Basílio e Lucian

14. Santos Nikiforos e Stefanos

15. Santos Filadélfia e Policarpo

16. São Makarios, bispo de Pafos, Chipre

Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)


Leituras do dia



Matinas - João 21,1–14

Epístola - 
Gálatas 2,16–201

Evangelho - Lucas 8,26–39

Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)



Jejum



Livre

Permitido todos os alimentos

Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)

Postagens mais visitadas

Pesquisar este blog

Total de visualizações de página