Domingo depois da Natividade
Sinaxe da Santíssima Theotokos
A Festa dos Santos Inocentes foi introduzida na Igreja
Oriental no século IV e reveste-se da alegria do martírio. Herodes
vendo-se iludido pelos Magos que regressaram aos próprios países
por outro caminho, ordenou a horrível matança dos meninos de
Belém e dos arredores, de idade inferior a dois anos, no intuito de
matar o "Rei dos Judeus" recém-nascido. A morte fez-se presente
em muitas famílias e a dor instalou-se nos corações das mães que
viam ser arrancados de seus braços os seus filhos para serem
executados a olhos vistos.
A Sagrada Família, no entanto, escapou a este flagelo
graças aos avisos do Anjo que apareceu a José, alertando-o que
fugisse com Maria e o Menino para o Egito. Relata a tradição que
cerca de 30 meninos abaixo de 2 anos foram assassinados à
espada, por ordem do tirano Herodes. A Igreja os proclama
mártires, pois suas vidas foram arrancadas como consequência da
certeza de que o Messias já estava entre os homens. Deram suas
vidas por Alguém que ainda não conheciam; foram testemunhas da
Verdade ainda não plenamente revelada.
Tendo celebrado a Festa do Nascimento de Nosso Senhor
e Salvador Jesus Cristo, segundo a Carne, a Igreja quer destacar,
neste domingo pós-Natal, três nomes que são fundamentais para
reforçar o Mistério da encarnação do Verbo: José, Tiago e Davi.
José é lembrado por ser homem de fé e que esteve ao
lado do Menino como pai adotivo; Tiago aparece como o
personagem que vai confirmar o dogma da Virgindade de Maria
antes e depois do parto; e Davi, porque de sua linhagem nasceu o
Salvador, o Messias esperado.
José, Esposo de Maria: Baseados nos relatos da
Genealogia, José é filho de Jacó ( Mt 1, 16) ou de Eli (Lc 3, 23) e
esposo de Maria, a mãe de Jesus. Aparece nos evangelhos da
infância em Mateus e Lucas como também em outros lugares, mas
apenas como o humilde "Guardião" de Jesus (Lc 4, 22; Jo 1, 46; Jo
6, 42). No Evangelho de Mateus é chamado de o "Justo". A ele foi
revelado o nascimento virginal de Jesus (Mt 1, 10-25).
Foi também responsável por Maria e Jesus durante a fuga
para o Egito. São Mateus não menciona qualquer residência de
José em Nazaré antes do retorno do Egito. Já, São Lucas, diz que
Maria e José moravam em Nazaré antes mesmo do nascimento do
Messias. Após a fuga para o Egito conforme as narrativas de São
Lucas, José aparece como figura secundária, presente no
Nascimento, na Apresentação do Menino no Templo, na perda e no
Encontro de Jesus em Jerusalém. Após estes acontecimentos, a
Sagrada Escritura nada mais menciona.
"Por ser homem justo foi escolhido por Deus para guardar
a virgindade de Maria com quem se casou aos 30 anos. Era
carpinteiro, trabalhador, tanto que, em Nazaré, perguntaram em
relação a Jesus, "Não é este o filho do carpinteiro?" (Mt 13, 55).
Apesar de seu humilde trabalho e suas condições simples, José era
de linhagem real. Lucas e Mateus citam sua descendência de Davi,
o maior rei de Israel (Mt 1, 1-16 e Lc 3, 23-38). Realmente o Anjo,
que primeiro conta a José sobre Jesus, o saúda como "filho de
Davi", um título real usado também para Jesus.
José foi um homem compassivo, carinhoso. Quando
soube que Maria estava grávida, ainda não tendo com ela se
casado. sabendo que a criança não era sua, pois respeitava sua
noiva, planejou separar-se de Maria de acordo com a lei, mas
temeu pela segurança e sofrimento dela e do bebê. José sabia que
mulheres acusadas de adultério poderiam ser apedrejadas até a
morte. Então, decidiu deixá-la silenciosamente para não expor
Maria a vergonha ou crueldade (Mt 1, 19-25).
José foi um homem de fé, obediente a tudo o que Deus
pedisse a ele. Quando o Anjo apareceu a José em um sonho e
contou-lhe a verdade sobre a criança que Maria estava carregando,
José imediatamente e sem questionar ou preocupar-se com o que
poderiam dizer, tomou-a como esposa.
Cita o Evangelho de Lucas que, tendo se completado o
tempo para Jesus nascer, surgiu um decreto que todos deveriam se
recensear na cidade de origem. Sendo José da casa de Davi, foi
com Maria para Belém, nascendo lá o Salvador. Quando o Anjo de
Deus reapareceu para lhe dizer que sua família estava em perigo,
ele imediatamente deixou tudo o que possuía, todos os seus
parentes e amigos, e fugiu para um país estranho, desconhecido,
com sua jovem esposa e o bebê. Ele aguardou no Egito sem
questionar até que o Anjo disse a ele que era seguro retornar (Mt 2,
13-23).
José não era rico: quando levou Jesus ao Templo para ser
circuncidado e Maria para ser purificada, ofereceu o sacrifício de
um par de rolas ou dois pombinhos, o que era permitido apenas
àqueles que não tinham condições de comprar um cordeiro (Lc 2,
24. José amava Jesus. Sua única preocupação era a segurança
desta criança confiada a ele. Ele não apenas deixou seu lar para
proteger Jesus, mas na ocasião de seu retorno fixou residência na
obscura cidade de Nazaré sem temer por sua vida. Quando Jesus
ficou no Templo, José, junto com Maria, procurou por Ele com
grande ansiedade, por três dias (Lc 2, 48). José tratava a Jesus
como seu próprio filho, tanto que as pessoas de Nazaré
constantemente repetiam com relação a Jesus, "Não é este o filho
de José?" (Lc 4, 22) Pelo fato das Escrituras não citarem José nos
fatos da vida pública de Jesus, em sua morte e ressurreição, muitos
historiadores acreditam que provavelmente deve ter morrido antes
que Jesus iniciasse seu ministério".
Tiago, irmão de Jesus: Os irmãos de Jesus são
mencionados em Mt 12,46, Mc 3, 31; Lc 8, 19; Jo 2, 12; At 1, 14;
1Cor 9, 5 e Gl 1, 19. São mencionados quatro: Tiago, José, Simão
e Judas (Mt 13, 55 e Mc 6, 13).
A Igreja, em todos os Concílios, reafirmou a Virgindade de
Maria antes e depois do parto, descartando a possibilidade de que
estes fossem também seus filhos. Alguns Santos Padres
inicialmente sustentaram a possibilidade de serem filhos do viúvo
José, vindos de um casamento anterior. Esta possibilidade logo foi
refutada uma vez que carecia de fundamentos.
Aprofundando a exegese Bíblica, os estudiosos encontram
a resposta: o termo "irmão" na língua hebraica e aramaica, as
línguas que Jesus falava e a língua usada para escrever alguns
textos sagrados do Novo Testamento, designa todos os que
pertencem a mesma tribo ou clã. Tiago e José, por exemplo, são
filhos de Alfeu (Mt 10, 3) com outra mulher também chamada
Maria, pertencente a mesma tribo de Israel . Doze eram as tribos e
os membros de cada uma delas se chamavam entre si "irmãos".
Outro reforço encontrado nos Evangelhos que descarta a
possibilidade de Maria ter mais filhos é a seguinte questão: se
Jesus tivesse de fato outros irmãos, filhos de Maria, por que
entregaria sua Mãe aos cuidados de João quando estava suspenso
à Cruz? Nada, nas Sagradas Escrituras, contradiz o dogma da
Virgindade de Maria.
Davi, Profeta e Rei: No Novo Testamento, Davi é
mencionado geralmente nas expressões "Filho de Davi" ou
"Semente de Davi", ditas a Jesus ou sobre Jesus. A referência de
São Paulo à descendência davídica de Jesus (Rm1, 3; 2Tm 2, 8)
evidencia que a descendência real era um elemento fundamental
do caráter messiânico de Jesus, na visão da Igreja primitiva. Nos
Evangelhos o título aparece aplicado a Jesus pelas pessoas que a
Ele recorriam para serem curadas ou quando, entrando na cidade
de Jerusalém montado sobre um jumentinho, era aclamado com:
"Hosanas ao filho de Davi" (Mt 21, 9-15).
Este título reforçava a hipótese de que de fato o Messias
estava entre eles, pois os judeus acreditavam que, da família de
Davi, nasceria o Salvador, o Ungido, para salvar Israel.
(1) "Tal promessa foi dada ao rei Davi, de que o Messias
deveria ser um dos seus descendentes, como o Rei eterno, aquele
de quem Deus disse: 'eu estabelecerei para sempre o trono do seu
reino'" (IISm 7, 13). E, em Isaias, "então brotará um rebento do
tronco de Jessé (que é o pai do rei Davi), e das suas raízes um
renovo frutificará" (Is 11, 1).
Este é mais um título do Messias, e indica que, ainda que
a árvore da família de Jessé fosse cortada, um Renovo surgiria das
raízes. Evidentemente, o último.
"Messias" significa "Ungido", nome dado ao Libertador
prometido que viria algum dia ao povo de Israel como seu grande
Salvador, Redentor, "Ungido" como Profeta, Sacerdote e Rei da
parte de Deus.
"Cristo" é o equivalente em grego da palavra "Messias".
Assim, o nome Jesus Cristo significa "Jesus, o Messias" ou "Jesus,
o Ungido".
Esta pregação foi feita com tamanha convicção e poder
que não só muitos judeus, mas, mais tarde, um número ainda maior
de gentios (não-judeus),veio a crer em Jesus como o Cristo,
Senhor e Salvador de todos os homens".
Pe. Pavlos, Hieromonge
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BÍBLIA – Bíblia de Jerusalém (Nona Edição Revista e Ampliada). São
Paulo: Paulus, 2013.
MACKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Ed. Paulinas, 1983
MORRIS, Henry; CLARK, Martin. The Bible Has the Answer (A Bíblia Tem a
Resposta), Master Books, 1987.
Trad. Avelar Guedes Junior, provido por Eden Communications, com
permissão de Master Books.
Extraído do site: ecclesia.com.br
Vida dos Santos
Santo Eutímio de Sardes
Tipo de festa: Fixa
Santo (a) do dia: Santo Eutímio de Sardes († c. 825)
Biografia:
Eutímio nasceu em Lacônia e estudou em Alexandria. Após concluir seus estudos retirou-se para um monastério, destacando-se na vida monástica. Por suas virtudes e educação, foi eleito bispo, ocupando o trono metropolitano de Cerdenha. Como metropolita, participou do Sétimo Concílio de Nicéia (787), contra os iconoclastas. Em Sardes, de Lidia, por sua posição favorável às imagens sagradas, Santo Eutimio foi desterrado pelo imperador iconoclasta Miguel. Mais tarde, durante o império de Teófilo, foi duramente castigado com açoites, consumando seu martírio. Faleceu por volta do ano 825.
II
Santo Eutímios nasceu em Uzara, na Ásia. Depois de se ter destacado na vida monástica, foi elevado à Sé episcopal de Sardes, e confundiu os hereges no concílio geral de 787, segundo de Nicéia. Ele foi notado pelos imperadores Irineus e Constantinos VI que lhe confiaram diversas embaixadas oficiais. Mas, sob o imperador Nicéforos, Santo Eutímios foi exilado, por volta de 805, ao mesmo tempo que outros cristãos ortodoxos, em Pantelaria da Estéria, por ter conferido a tonsura monástica a uma jovem.Leão o Armênio o chamou do exílio em 815 e perguntou se ele prestava culto às imagens. Santo Eutímios respondeu firmemente como era de seu costume e lançou anátema contra o imperador. Este, furioso, decretou de imediato o seu exílio na Ásia em Mísia, onde permaneceu de 815 a 821. Quando Leão foi assassinado por Miguel o Gago, o santo foi chamado de Assos e intimado a renunciar a prestar culto às imagens. Ele condenou o imperador com suas réplicas; foi de novo mandado para o exílio em Acritas. Foi encerrado numa prisão escura, onde quatro executores o jogaram por terra e o fustigaram com nervos de boi, tão cruelmente que ele morreu oito dias depois, em 824, no dia seguinte ao Natal.
Trad.: Pe. Pavlos e Pe. André
Hino do dia
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Celebrações do dia
1. Reunião do Santíssimo Theotokos
2. Fuga de Jesus Cristo para o Egito
3. Santo Eutímio, o Confessor, Bispo de Sardis
4. São Constantino "ξ ἐξ Ἰουδαίων"
5. Saint Pleasant
6. São Constantino, o Russo, o Novo Hieromártir
7. São Nicodemos de Tismana
8. Encontro da Virgem Maria de Theoskepasti em Imerovigli, Santorini
9. Encontro de Nossa Senhora de Belém
10. Encontro de Panagia Alexiotissa em Patras
11. Encontro de Panagia Latomitissa em Chios
12. Encontro de Panagia Antivouniotissa em Corfu
13. Encontro de Panagia Nisiotissa em Folegandros
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Livre
Permitido todos os alimentos
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Leituras do dia
Matinas - Lucas 24: 13-35
Epístola – Gálatas 1: 11-19
Evangelho - Mateus 2, 13-23
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Matinas - Lucas 24: 13-35
Epístola – Gálatas 1: 11-19
Evangelho - Mateus 2, 13-23
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Jejum
Permitido todos os alimentos
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)

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