Domingo após a Natividade
«A Fuga para o Egito»
Leituras: Gl
1,11-19; Mt 2,13-23
Celebrada
a Natividade, a Igreja fixa hoje os olhos em três testemunhas do Mistério:
José, o Justo; Tiago, o “irmão do Senhor”; e Davi, o Rei-Profeta. Ao redor
deles, Mateus nos conduz ao núcleo pascal do Natal: o Deus-Menino entra no
mundo entre perseguição e exílio, recapitula a história de Israel e inaugura
já, na fragilidade, a vitória do Reino.
1)
O Evangelho: o Menino-Deus faz-se exilado (Mt 2,13-23)
“Levanta-te,
toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egito…; pois Herodes vai procurar o
Menino para o matar”.
Em
Mateus, José recebe e obedece sem tardança. Os Padres observam que o Verbo
feito carne não foge por impotência, mas para cumprir as Escrituras e educar os
seus: “Do Egito chamei o meu Filho” (Os 11,1; Mt 2,15). São João Crisóstomo
nota que, ao ir ao Egito, Cristo “desde o início suporta as adversidades para
nos ensinar a suportá-las” (Hom. in Matth.). A ida do Senhor santifica o Egito
e faz tremer os ídolos (cf. Is 19,1): o antigo lugar de servidão torna-se terra
visitada por Deus.
Em
José vemos a sinergia entre graça e liberdade: ele discerniu pela Palavra do
Anjo, levantou-se de noite, partiu e permaneceu até nova ordem (Mt 2,14.21). Os
Padres amam chamar a José de “Guarda do Mistério”: sua justiça protege a
virgindade de Maria, resguarda a infância do Senhor e ensina à Igreja o ofício
da obediência. “Chamado ‘justo’ pela Escritura, mostrou-o sobretudo na
prontidão de suas obras” (Crisóstomo, Hom. in Matth.).
Sentido
pastoral
O
Natal continua nas estradas do mundo onde famílias fogem da violência. O Menino
solidariza-se com os refugiados e perseguidos; a comunidade cristã é chamada a
proteger a vida, a defender os pequenos, a servir com discrição — à maneira de
José — e a abrir caminhos para quem não tem onde reclinar a cabeça. A Liturgia
não romantiza a gruta: mostra que o amor de Deus entra na noite e aos poucos
desata os nós (cf. Jo 1,5).
2)
A Epístola: o Evangelho recebido “não segundo o homem” (Gl 1,11-19)
Paulo
afirma ter recebido o Evangelho “por revelação de Jesus Cristo”. O Domingo após
a Natividade coloca esta confissão ao lado da obediência silenciosa de José:
revelação e obediência não se opõem; se fecundam. Assim como o Senhor move José
por meio do Anjo, forma Paulo no encontro pascal e o introduz no corpo
eclesial, confirmando-o em Jerusalém (Gl 1,18-19). A autoridade apostólica
nasce do encontro com Cristo e se verifica na comunhão.
3)
Tiago, o “irmão do Senhor”: selo da Virgindade e figura eclesial
A
menção a Tiago (Gl 1,19) remete à antiga tradição que o reconhece como parente
do Senhor e primeiro bispo de Jerusalém. São Epifânio (†403) explica que os
“irmãos” são filhos de José de um matrimônio anterior, salvaguardando a
virgindade perpétua da Theotokos (Panarion 78). São João Crisóstomo e a
tradição bizantina veem em Tiago o homem da integridade que preside a
Igreja-Mãe, testemunha o primado da santidade e da caridade como critério do
verdadeiro parentesco com Cristo (cf. Mt 12,50). Em chave pastoral: a família
de Jesus não se define pelo sangue, mas pela escuta obediente da vontade de
Deus; é convite a comunidades que acolhem e integram.
4)
Davi, ancestral e profeta do Messias
O
Menino perseguido é o Filho de Davi (Rm 1,3), cumprimento das promessas (2Sm 7;
Is 11,1). São Gregório Palamás recorda que a genealogia “mostra Cristo
verdadeiramente nosso, assumindo a linhagem humana para nos elevar à adoção”
(Hom. in Domin. Antepass.). Em Davi, a Igreja contempla a oração (Saltério), a
profecia dos mistérios (Paixão, Sal 21; Ressurreição, Sal 15; Ascensão, Sal 46)
e o arrependimento que reabre a aliança. Pastoralmente, o Domingo após a
Natividade convida a rezar os Salmos como escola de confiança enquanto
“Herodes” ainda ruge.
5)
A lógica do ícone: Maria, José e a Igreja em caminho
A
iconografia oriental do ciclo da Natividade frequentemente mostra Maria em paz,
José em prova, o Menino guardado — e, hoje, a estrada. São Atanásio vê na
Encarnação o começo da derrota da morte precisamente quando o Verbo assume a
nossa condição e desce (De Incarnatione 8-10). É esta descida que ilumina a
fuga: Deus não evita a história; configura-a por dentro. Assim a comunidade
aprende a discernir, mover-se quando Deus manda, permanecer quando Deus pede, e
voltar quando Deus abre (Mt 2,20-23).
Ecos
Patrísticos e fontes bíblicas
- São
João Crisóstomo, Homilias sobre Mateus (sobre Mt 2;
obediência de José; pedagogia de Deus nas adversidades).
- São
Epifânio de Salamina, Panarion 78 (sobre os “irmãos do
Senhor” e a virgindade perpétua de Maria).
- São
Atanásio, De Incarnatione 8–10 (a descida do Verbo e a
derrota da morte).
- São
Gregório Palamás, Homilia para o Domingo dos Santos Antepassados (genealogia
e adoção).
- Sagrada
Escritura: Mt 2,13-23; Os 11,1; Is 19,1; 2Sm 7; Is 11,1; Sl 15; 21; 46; Gl
1,11-19; Rm 1,3
Referências
Bibliográficas
- John
L. McKenzie, Dicionário Bíblico. Paulus, 1983.
- Henry
Morris & Martin Clark, The Bible Has the Answer. Master
Books, 1987 (trad. Avelar Guedes Jr.).
- Materiais litúrgico-catequéticos da tradição bizantina (tropários e leituras próprias do Domingo após a Natividade).
Extraído do site: ecclesia.com.br
Vida dos Santos
Data de celebração: 28/12/2025
Tipo de festa: Fixa
Santo (a) do dia: Santos Mártires de Nicomédia († 303)
Biografia:
Hino do dia
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Celebrações do dia
1. Santos Dismyrians (20.000) mártires que foram queimados em Nicomedia
2. Santos Indis, Gorgonios, Petros, Zenon, Dorotheos o Prepositos, Mardonios, Glykerios o Velho, Teófilos o Diácono e Mygdonios os senadores
3. Santa Domna
4. Agios Sekoundos
5. Santa babilônia
6. São Simão, o Myrovlitis, proprietário do Santo Mosteiro de Simonopetra
7. São Nifão, o novo líder comum
8. São Plutodoro
9. Santo Estêvão, o Milagroso
10. Santo Inácio de Loma
Leituras do dia
Matinas - João 20, 1-10
Epístola - Gálatas 1, 11-19,
Evangelho - Mateus 2 13-23
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)Epístola - Gálatas 1, 11-19,
Evangelho - Mateus 2 13-23
Jejum
Permitido todos os alimentos
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)


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