Dom Irineo
Bispo de Tropaion
12° Domingo de Mateus
Leituras bíblicas
«Que devo fazer para herdar a vida eterna?»
«Mestre, que bem devo fazer para alcançar a vida eterna?» (Mt 19,16).
Não se trata de uma curiosidade teológica nem de uma inquietação passageira. É a pergunta que acompanha silenciosamente toda existência humana. Desde que a morte entrou na experiência do homem, todas as culturas, todas as filosofias e todas as religiões procuram responder, de algum modo, à mesma interrogação: existe uma vida que não termina? Existe um bem capaz de vencer definitivamente a corrupção, o sofrimento e a morte?
São Clemente de Alexandria inicia o seu célebre tratado Qual rico será salvo? precisamente contemplando a grandeza desta pergunta. O jovem dirige-se Àquele que é a própria Vida para perguntar sobre a vida; ao Salvador para perguntar sobre a salvação; ao Mestre para perguntar sobre a síntese de todos os seus ensinamentos; à Verdade para perguntar sobre a verdade; ao Filho eterno para perguntar sobre aquilo que somente Deus pode conceder. Não é casual que o Evangelho comece assim. Antes de falar sobre riquezas, desapego ou perfeição, Cristo é apresentado como o único que possui resposta para o mais profundo anseio do coração humano.
Por isso, a primeira resposta de Jesus parece, à primeira vista, surpreendente. Em vez de anunciar imediatamente uma novidade, remete o jovem aos mandamentos:
«Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos».
Não porque a Lei seja insuficiente ou deva ser desprezada, mas porque ela permanece sendo o caminho pedagógico que conduz o homem até Cristo. A graça não destrói a Lei; leva-a à sua plenitude. Como observa São Clemente, o jovem não é censurado por sua fidelidade. Pelo contrário, o Evangelho afirma que Jesus o contempla com amor. Sua observância sincera dos mandamentos constitui um belo começo, mas ainda não representa a plenitude da comunhão que Deus deseja oferecer ao homem. A Lei prepara; Cristo realiza. A Lei educa; Cristo comunica a própria vida divina.
É nesse contexto que se compreende a exigência aparentemente desconcertante do Senhor:
«Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres e depois vem e segue-me».
Ao longo da história, esta passagem foi muitas vezes reduzida a uma condenação da riqueza material. Entretanto, a tradição patrística sempre leu esse texto com muito maior profundidade.
Nenhum Padre da Igreja desenvolveu essa interpretação de modo tão completo quanto São Clemente de Alexandria. Sua preocupação consiste precisamente em evitar uma leitura superficial do Evangelho. Cristo não manda destruir os bens da criação, nem afirma que a pobreza material, por si mesma, conduza à salvação. Se assim fosse, observa Clemente, bastaria ser indigente para herdar o Reino de Deus. E isso o próprio Evangelho desmente. A questão não reside naquilo que o homem possui, mas naquilo que possui o homem.
É significativo que o Senhor não diga simplesmente: «vende tudo». O imperativo termina com outro ainda mais importante: «vem e segue-me». O centro do relato não é a renúncia; é o seguimento. A pobreza cristã nunca constitui um fim em si mesma. Ela só adquire sentido quando liberta o coração para aderir plenamente à Pessoa de Cristo. O problema do jovem não está na abundância de seus bens, mas na incapacidade de reconhecer que diante dele se encontrava um tesouro infinitamente maior.
São Clemente exprime essa verdade com extraordinária clareza ao afirmar que Cristo deseja arrancar da alma
«os vãos juízos sobre as riquezas, a cobiça, a avareza, as preocupações que sufocam a semente da verdadeira vida».
O que deve ser abandonado são as paixões, não a criação de Deus. Os bens permanecem bons enquanto servem à justiça, à misericórdia e ao amor fraterno. Tornam-se perigosos quando passam a governar o coração.
É exatamente nessa direção que caminha a reflexão do Arcebispo Metropolitano Iosif ao propor uma distinção profundamente antropológica entre transcendência e contingência. O drama do jovem rico não consiste em ser rico, mas em haver construído sua identidade sobre aquilo que é contingente, passageiro e incapaz de sustentar a existência. Quando a riqueza deixa de ser instrumento e se converte em fundamento da vida, ela deixa de servir ao homem e passa a escravizá-lo. O contingente ocupa o lugar do Transcendente; o relativo transforma-se em absoluto. A verdadeira idolatria nasce exatamente nesse momento
- BÍBLIA DE JERUSALÉM. Bíblia de Jerusalém. Nova ed. rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2013.
- BASÍLIO, O GRANDE, São. Homilia aos ricos.
- CLEMENTE DE ALEXANDRIA, São. Qual rico será salvo? (Quis dives salvetur?).
- CRISÓSTOMO, São João. Homilias sobre o Evangelho de São Mateus. Patrologia Graeca, v. 58.
- IOSIF, Arcebispo Metropolitano de Buenos Aires e América do Sul. Homilia – XII Domingo de Mateus: “Transcendência vs. Contingência”.
Vida dos Santos
Data de celebração: 23/08/2026
Tipo de festa: Fixa
Santo (a) do dia: São Kallinikos, Patriarca de Constantinopla (693-705)
Biografia:
Hino do dia
Extraído do site: Ορθόδοξος Συναξαριστής (Livro Ortodoxo dos Santos)
Celebrações do dia
1. São Lupus
2. Santos Ireneos e Potheinos Hieromartyr, bispos de Lougdounos
3. Execução da festa da Assunção da Virgem
4. São Ireneos, bispo de Sirmium
5. Patriarca de São Kallinikos de Constantinopla
6. Santos, trinta e oito mártires que martirizaram na Trácia
7. Santo Antônio, bispo de Sardes
8. São Nicolau da Sicília
9. São Charalambos, o Novo
10. Remoção da Sagrada Relíquia de São Cassiano
11. Reunião de Panagia Maliki
12. Encontro de Panagia tou Charou
13. Encontro de Nossa Senhora dos Nove Dias
14. Encontro da Virgem Maria
15. Encontro da Virgem Maria em Grava de Patmos
16. Encontro de Panagia Flampouriani
17. Encontro de Nossa Senhora da Misericórdia no Castelo de Kythnos
18. Encontro da Virgem de Pantanassa em Arkos (Lipsi)
19. Encontro de Panagia Faneromeni em Salamina
20. Encontro da Virgem Maria em Samos
21. Encontro de Panagia Prousiotissa na Euritânia (Panagia "no Fogo da Euritânia")
22. Encontro de Panagia Politissa em Livadia, Tilos
23. Reunião de Kyra-Panagia em Karpathos
24. Reunião de Panagia Apokoui em Nimos de Symi
25. Encontro de Panagia Skripou em Orchomenos
26. Reunião de Panagia Faneromeni em Nea Skioni, Halkidiki
27. Encontro da Virgem da Igreja Católica em Rodes
28. Encontro da Virgem dos Celtos em Arta
29. Encontro de Panagia Demerliotissa em Farsala
30. Encontro de Panagia Eloni em Arcádia
31. Encontro de Panagia Paleoforitissa em Veria
32. Encontro de Panagia Koutsouriotissa em Eratini, Fokida
33. Reunião de Panagia Dinious
34. Encontro de Panagia Malamatenia em Tinos
35. Encontro de Panagia Kremasti
36. Encontro de Panagia Makariotissa em Dombraina, Boeotia
37. Encontro de Panagia Mantzariotissa em Oxylithos, Evia
38. Reunião de Panagia Lessiniotissa em Etoloakarnania
39. Encontro de Panagia Makrimalli em Evia
40. Encontro de Panagia Agiogalousaina em Chios
41. Encontro de Panagia tis Varkou em Ilia
42. Reunião de Panagia Faneromeni em Nea Artaki, Chalkida
43. Reunião de Panagia Theomana em Nea Kio, Argolida


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