Apóstolo
Santo André, «o Primeiro Chamado»
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Matinas
Tropário:
Desceste
das alturas, ó misericordioso, e aceitaste o sepultamento durante
três dias, para nos livrar das paixões. Senhor, És nossa vida e
nossa ressurreição, glória a Ti.
Glória
ao Pai ,
ao Filho e ao Espírito Santo,
Desceste
das alturas, ó misericordioso, e aceitaste o sepultamento durante
três dias, para nos livrar das paixões. Senhor, És nossa vida e
nossa ressurreição, glória a Ti.
Agora,
sempre e pelos séculos dos séculos. Amém.
Theotokion:
Tu,
que por nossa salvação, nasceste de uma virgem e padeceste a
crucificação, ó boníssimo por Tua morte, despojaste a morte, Tu
que é Deus, nos revelaste a ressurreição, não desprezes aqueles
que a Tua mão criou. Manifesta a Tua misericórdia, ó amigo do
homem; aceita as preces daqueles que deste a Luz e salva os
desesperados, ó nosso Salvador.
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Katisma:
Ó
vida de todos, ressuscitaste os mortos. Um anjo resplandecente dizia
às santas mulheres, "cessai de chorar, levai, a boa nova aos
Apóstolos, canta\ e c\ama\ Cristo Senhor ressuscitou! Ele se dignou
salvar o gênero humano, porque é Deus."
Glória
ao Pai ,
ao Filho e ao Espírito Santo.
Na
verdade ressuscitaste do túmulo e deste as santas mulheres a ordem
de anunciar aos Apóstolos a tua ressurreição, predita pelas
Escrituras. E Pedro correndo chega ao sepulcro; ele. vê a luz no
túmulo e se enche de temor, mas ele percebe no chão o lençol sem
teu corpo divino e ele exclama com fé: Glória a ti, ó Cristo Deus,
nosso salvador, que salvas todos os homens. Tu és o esplendor da
glória do Pai.
Agora,
sempre e pelos séculos dos séculos Amém.
Theotokion:
Nós
cantamos a ti, porta do céu.
Nós
cantamos a ti, arca da aliança.
Nós
cantamos a ti, santa montanha.
Nós
cantamos a ti, nuvem luminosa.
Tu
, o grande tesouro do universo resgataste Eva. Por ti veio a salvação
e o antigo pecado foi remido. Por, isto, nós te imploramos: ora por
nós a teu filho; e teu Deus para que conceda o perdão dos pecados
daqueles que adoram, piedosamente teu santo nascimento.
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Ypakoí:
Paradas
no túmulo do Doador de Vida, as portadoras de aromas procuravam o
Mestre imortal entre os mortos; e ao receberem a boa nova de alegria
do Anjo, elas anunciaram aos Apóstolos que Cristo havia
ressuscitado, concedendo grande misericórdia para o mundo.
Antífona:
Desde
a minha juventude o inimigo me prova, pelos prazeres ele me seduz;
mas, colocando minha esperança e Ti, Senhor, eu o rejeito. Que os
inimigos de Sião se tornem como o feno antes mesmo de ser arrancado,
porque o Cristo cortará seus pescoços com a foice dos tormentos.
Glória
ao Pai ,
ao Filho e ao Espírito Santo, agora, sempre e pelos séculos dos
séculos. Amém.
Pelo
Espírito Santo, todo o ser vive, porque Ele é a Luz da Luz, o
grande Deus.
Prokimenon:
O
Senhor vosso Deus, reinará para sempre, ó Sião, de geração em
geração. (2
vezes).
Stichos
Ó
minha alma, louvai o Senhor (repete
a primeira).
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Evangelho
Mc
16, 9-20
Evangelho
de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo o Evangelista São Marcos.
Tendo
Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu
primeiramente a Maria Madalena, de quem tinha expulsado sete
demônios. Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais
estavam aflitos e chorosos. Quando souberam que Jesus vivia e que
ela o tinha visto, não quiseram acreditar. Mais tarde, ele apareceu
sob outra forma a dois entre eles que iam para o campo. Eles foram
anunciá-lo aos demais. Mas estes tampouco acreditaram. Por fim
apareceu aos Onze, quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a
incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem nos que o
tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e
pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será
salvo, mas quem não crer será condenado. Estes milagres
acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome,
falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum
veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e
eles ficarão curados. Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi
levado ao céu e está sentado à direita de Deus. Os discípulos
partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e
confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
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Ó
Senhor, ressuscitado do sepulcro, rompeste os grilhões do inferno,
eliminaste o poder da morte, salvando todos dos laços do inimigo; e
quando apareceste a teus discípulos, os enviaste a evangelizar e,
através deles, deste tua paz ao mundo, tu que és o Único
Misericordioso.
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Divina
Liturgia
Tropário
da Ressurreição - 8º tom:
Desceste
das alturas, ó misericordioso, e aceitaste o sepultamento durante
três dias, para nos livrar das paixões. Senhor, És nossa vida e
nossa ressurreição, glória a Ti.
Tropário
da Festa - 4º tom:
Ó
glorioso santo André, primeiro
chamado dentre os apóstolos: como irmão de Pedro, o Corifeu,
implora ao Senhor a paz ao mundo
e
às nossas almas, a grande misericórdia.
Tropário
de São Pedro e São Paulo:
Príncipes
dos apóstolos e doutores do Universo, São Pedro e São Paulo, rogai
ao Mestre de todas as coisas que dê a paz ao mundo e às nossas
almas a sua grande misericórdia.
Kondakion
- 8º tom:
Glória
ao Pai , ao Filho e ao Espírito Santo.
Tendo
ressuscitado do túmulo deste a vida aos mortos e levantaste Adão;
Eva se regozija com a tua Ressurreição, e exultam de alegria os
confins da terra, ó Misericordioso!
Theotokion:
Agora,
sempre e pelos séculos dos séculos. Amém
Tu,
que pela nossa salvação nasceste da Sempre Virgem Maria, sofreste a
crucifixão, ó Misericordioso, com a morte, venceste a morte como
Deus, revelando a Ressurreição. Não abandones a nós, criaturas de
tuas mãos, mostra a tua bondade pela humanidade, atende as preces da
tua Mãe que ora por nós, ó Misericordioso, Salva, ó Salvador,
nosso povo desolado!
Kondakion
da Festa:
Eia!
veneramos o Apóstolo André, cuja fortaleza de ânimo é grande! Ele
é irmão de Pedro, e por primeiro foi chamado pelo Salvador.
Ele,
hoje nos repete, quanto um dia falou a Pedro: vinde, nós encontramos
o Desejado entre as nações!
Kondakion
de São Pedro e São Paulo:
Levaste,
Senhor, para descansar e gozar de teus bens, os dois infalíveis
pregadores de fala divina, os príncipes dos apóstolos; pois
preferiste suas provações e morte a qualquer sacrifício, Tu, o
único conhecedor dos segredos dos corações.
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Prokimenon:
Fazei
votos ao Senhor nosso Deus e cumpri-os; todos os que o cercam tragam
oferendas.
Deus
é conhecido na Judéia, grande é o seu nome em Israel.
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Epístola
1Cor 4, 9-16
Leitura
da Primeira Epístola do Apóstolo São Paulo aos Coríntios.
Irmãos,
pelo que vejo, Deus reservou o último lugar para nós que somos
apóstolos, como se estivéssemos condenados à morte, porque nos
tornamos espetáculo para o mundo, para os anjos e para os homens!
Nós somos loucos por causa de Cristo; e vocês, como são prudentes
em Cristo! Nós somos fracos, vocês são fortes! Vocês são bem
considerados, nós somos desprezados! Até agora passamos fome, sede,
frio e maus tratos; não temos lugar certo para morar; e nos
esgotamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos
amaldiçoados, e abençoamos; perseguidos, e suportamos; caluniados,
e consolamos. Até hoje somos considerados como o lixo do mundo, o
esterco do universo. Não escrevo essas coisas para envergonhar
vocês, mas para chamá-los à atenção, como se faz com filhos
queridos. De fato, ainda que vocês tivessem dez mil pedagogos em
Cristo, não teriam muitos pais, porque fui eu quem gerou vocês em
Jesus Cristo, através do Evangelho. Portanto, eu lhes dou um
conselho: sejam meus imitadores.
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Aleluia!
Aleluia,
aleluia, aleluia!
Vinde,
regozijemo-nos no Senhor, cantemos as glórias de Deus, nosso
Salvador!
Aleluia,
aleluia, aleluia!
Apresentamo-nos
diante d'Ele com louvor, e
celebremo-lo com salmos!
Aleluia, aleluia, aleluia!
Aleluia, aleluia, aleluia!
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Evangelho
Jo
1 ,35-52
Evangelho
de Nosso Senhor Jesus
Cristo, segundo o Evangelista São Lucas:
Naquele
tempo, João estava lá, de novo, com dois dos seus discípulos.
Vendo Jesus caminhando, disse: Eis o Cordeiro de Deus! Os dois
discípulos ouviram esta declaração de João e passaram a seguir
Jesus. Jesus voltou-se para trás e, vendo que eles o seguiam,
perguntou-lhes: Que procurais? Eles responderam: Rabi (que quer dizer
mestre), onde moras? Ele respondeu: Vinde e vede! Foram, viram onde
morava e permaneceram com ele aquele dia. Era por volta das quatro
horas da tarde.André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que
tinham ouvido a declaração de João e seguido Jesus. Ele encontrou
primeiro o próprio irmão, Simão, e lhe falou: Encontramos o
Cristo! (que quer dizer Messias). Então, conduziu-o até Jesus, que,
ao vê-lo, lhe disse: Tu és Simão, filho de João. Tu te chamarás
Cefas! (que quer dizer Pedro). No dia seguinte, ele quis partir para
a Galiléia e encontrou Filipe. Jesus disse a este: Segue-me! (Filipe
era de Betsaida, a cidade de André e de Pedro.) Filipe encontrou-se
com Natanael e disse-lhe: Encontramos Jesus, o filho de José, de
Nazaré, aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas.
Natanael perguntou: De Nazaré pode sair alguma coisa boa? Filipe
respondeu: Vem e vê! Jesus viu Natanael que vinha ao seu encontro e
declarou a respeito dele: Este é um verdadeiro israelita, no qual
não há falsidade! Natanael disse-lhe: De onde me conheces? Jesus
respondeu: Antes que Filipe te chamasse, quando estavas debaixo da
figueira, eu te vi. Natanael exclamou: Rabi, tu és o Filho de Deus,
tu és o Rei de Israel! Jesus lhe respondeu: Estás crendo só porque
falei que te vi debaixo da figueira? Coisas maiores verás. E
disse-lhe ainda: Em verdade, em verdade, vos digo: vereis o céu
aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem
que está no céu!
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O
relato do Evangelho de hoje indica-nos como Jesus se faz encontrar
por aqueles que O buscam. Trata-se do encaminhamento de dois dos
discípulos do Batista que o deixam para seguir Jesus que,
respondendo à sua busca, os convida a «vir e ver.» Jesus é a
resposta de Deus a uma busca do Homem, como no AT a Sabedoria que «se
deixa encontrar pelos que a buscam.»
André
deixa João Batista para seguir Jesus; André significa «humano»;
as pessoas se tornam humanas quando se encontram com Jesus. André
encontra seu irmão, Simão Pedro e testemunha ter encontrado o
Messias. É a dinâmica do testemunho que vai provocando a adesão a
Jesus.
O
Evangelho diz que André encontrou «primeiro» o seu próprio irmão,
sinal de que encontrou depois outras pessoas. O importante é
perceber que Jesus vai sendo conhecido através daqueles que O
testemunham.
Com
inegável arte literária, João evoca diante de nossos olhos o homem
que busca o Deus da Salvação.
Pelo
testemunho do Batista O vislumbra no Cordeiro de Deus. Porém ainda
não penetra em seu mistério; quer saber onde é sua morada. Jesus
convida o que busca a «vir e ver»: «Vir» significa o passo da fé;
«ver» significa adesão da fé. Finalmente os discípulos
permanecem com Ele. «Permanecer» ou »morar» significa a união
vital permanente com Jesus.
Os
que foram a procura do mistério do Salvador e Revelador acabaram
sendo convidados e iniciados por Ele. Um encontro como este
ultrapassa o que encontra, levando-o a querer unir consigo os que
estão a procura, como ele.
Um
dos dois que encontraram o Procurado, André, vai chamar seu irmão,
Simão para compartilhar sua descoberta. Este se deixa conduzir até
o Senhor que, de início, muda seu nome para Cefas que quer dizer
«rocha», «pedra», e lhe dá uma nova identidade. Na continuação
do episódio encontramos uma reação em cadeia: vemos primeiro o
Batista introduzir seus discípulos a Jesus e, em seguida os
discípulos procuram outros candidatos.
Todos
estes ricos e densos aspectos do desenrolar deste episódio revelam a
experiência transformadora da conversão: da inquietação frente à
crise de sentido de um mundo sem Deus, ao discernimento da voz que
anuncia esta Presença que está entre nós; o reconhecimento, -
recuperação da Memória - a nova identidade (Cefas/Pedro) e o
impulso a testemunhar esta experiência do Encontro.
FONTES:
Konings,
J - "Espírito e Mensagem da Liturgia Dominical
Ed.
Vozes, 1986.
Carvajal, Francisco F, "Falar com Deus"
Carvajal, Francisco F, "Falar com Deus"
Ed.
Quadrante, 1993.
Donadeo, Madre Maria, "O Ano Litúrgico Bizantino"
Donadeo, Madre Maria, "O Ano Litúrgico Bizantino"
Ed.
Ave Maria.
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«André,
primeiro a ser chamado,
Primeiro a testemunhar»
Santo
André, depois de ter ficado com Jesus (Jo 1,39) e de ter aprendido
muito, não guardou esse tesouro só para si: apressa-se a correr
para junto de seu irmão Simão-Pedro para o fazer participar dos
bens que ele próprio recebeu. Ouve o que ele diz ao irmão:
"Encontramos o Messias, quer dizer, o Cristo" (Jo, 1,41).
Estás
a ver o fruto do que acabava de aprender em tão pouco tempo? Isso
demonstra ao mesmo tempo a autoridade do Mestre que ensinou os
discípulos e, desde o início, o seu zelo para o conhecerem.
A
pressa de André, o seu zelo em espalhar logo de seguida esta tão
boa nova, supõe uma alma que ansiava por ver o cumprimento de tantas
profecias respeitantes a Cristo. Partilhar assim estas riquezas
espirituais foi mostrar uma amizade verdadeiramente fraterna, uma
afeição profunda e um temperamento cheio de sinceridade... «Nós o
encontramos, ao Messias, diz ele, não um messias qualquer, mas o
Messias que esperávamos.»
S. João Crisóstomo (cerca de 345-407),
«Homilia sobre o Evangelho de João»
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«O
primeiro discípulo do Senhor»
André
foi o primeiro a reconhecer o Senhor como seu mestre... O seu olhar
percebeu a vinda do Senhor e deixou os ensinamentos de João Baptista
para entrar na escola de Cristo... João Baptista tinha dito: "Eis
o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). Eis
aquele que liberta da morte; eis aquele que destrói o pecado. Eu sou
enviado, não como o esposo, mas como quem o acompanha (Jo 3,29). Vim
como servo e não como mestre.
Levado
por estas palavras, André deixa o seu antigo mestre e corre para
quem ele anunciava..., levando consigo João, o evangelista. Ambos
deixam a lâmpada (Jo 5,35) e caminham para o Sol... Tendo
reconhecido o profeta de quem Moisés dissera: "É a ele que
escutareis" (Dt 18,15), André conduz até ele o seu irmão
Pedro. Mostra a Pedro o seu tesouro: "Encontramos o Messias (Jo
1,41), aquele que desejávamos; vem agora saborear a sua presença".
Ainda antes de ser apóstolo, conduz a Cristo o irmão... Foi o seu
primeiro milagre.
Basílio
de Selêucia (? - cerca de 468),
«Sermão em honra de Santo André»
«Sermão em honra de Santo André»
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Dados
Hagiográficos
André
foi o primeiro a ser chamado, portanto, o Protóclito (protos =
primeiro + klitos = chamar). Recordemos como se deu este chamado:
estava ele e seu irmão Cefas pela segunda vez na região do Jordão
onde João Batista batizava, este exclamou: "Eis aí o cordeiro
de Deus (Jo 1,36). Ouvindo estas palavras deixaram de seguir João
Batista para acompanhar o próprio Cristo.
Jesus,
voltando-se para atrás e vendo que o seguiam, disse-lhes: «Que
buscais?» Eles disseram: «Rabi (que quer dizer Mestre), onde
moras?» Disse-lhes Jesus: «vinde e vede». Foram, pois, e viram
onde habitava e permaneceram lá aquele dia. Era quase a hora décima.
Ora,
André tinha um irmão chamado Simão e disse-lhe: «Nós encontramos
o Messias, que é o Cristo». E levou-o a Jesus, que olhando-o disse:
«Tu és Simão, filho de Jonas, doravante chamar-te-ás Pedro».
Este
é, segundo a narrativa de São João, o primeiro encontro de André
com Jesus.
André
e Pedro, contudo, não ficaram definitivamente com o Divino Mestre,
mas voltaram às suas ocupações de pescadores. Dias depois, Jesus,
passando pela praia do Lago de Tiberíades, pelas bandas de
Cafarnaum, tendo-os encontrado quando lavavam as redes, disse-lhes:
«Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens». Eles, deixando
imediatamente as redes, o seguiram (Mt 4,18). Com estas palavras,
deu-se o chamamento oficial de André como apóstolo junto com seu
irmão Pedro.
Nos
catálogos oficiais que os evangelistas dão dos doze apóstolos,
André ocupa sempre o segundo lugar, depois do irmão Pedro. Poucas
menções expressas nos deixou o Evangelho deste apóstolo durante os
três anos do seguimento a Cristo. A primeira deu-se por ocasião da
multiplicação dos pães e peixes.
Quando
Jesus interpelou Filipe sobre a possibilidade de dar de comer a toda
aquela multidão, André interveio, dizendo: «Está aqui um menino
que tem cinco pães e dois peixes; mas que é isto para tanta gente?»
Jo 6,9).
Uma
segunda intervenção de André deu-se nos últimos dias da vida do
Mestre. Havia alguns gentios que desejavam ver Jesus de perto e se
aproximaram de Filipe, dizendo: «Senhor, desejamos ver Jesus».
Filipe foi dizer a André: e ambos disseram-no a Jesus.
Diz
a Tradição que, por ocasião da partida dos apóstolos para levar o
Evangelho pelo mundo, André viajou para a região dos mares Cáspio
e Negro. Por último, fundou a igreja em Patras, na Acaia, que foi
uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. Esta mesma fonte
afirma ter Santo André morrido crucificado em Patras, na Acaia, no
dia trinta de novembro. A ele está relacionada a Cruz de Santo André
em forma de X. Ao vê-la, antes do suplício, teria dito o apóstolo:
«Salve
santa Cruz, tão desejada, tira-me do meio dos homens e entrega-me ao
meu Mestre; de ti receba O que por ti me salvou!»
Todos
se admiravam da coragem e da alegria que se estampava no rosto do
apóstolo mártir, quando se entregou aos algozes fixado à cruz,
permanecendo dois dias nesta posição, orando, aconselhando e
orientando aos seus. Uma piedosa mulher de nome Maximila retirou da
cruz o corpo do apóstolo sepultando-o com muita honra.
Depois
das perseguições romanas, as relíquias do santo foram
transportadas para Constantinopla e, pelo ano 1460, transferidas para
Amalfi e Roma. Mais recentemente, o Papa Paulo VI, desejando
simbolizar a união de fraternidade com a Igreja Ortodoxa, devolveu
as relíquias de Santo André à Igreja de Constantinopla.
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Santo
André, Apóstolo
«Oh
cruz há tanto tempo desejada, oferecida agora às aspirações da
minha alma, venho a ti com gozo e confiança.
Recebe‐me
com alegria, a mim, discípulo daquele que pendeu em teus braços».
Assim falava Santo André [segundo a tradição] vendo ao longe a
cruz que fora erigida para o seu suplício. De onde vinham a este
homem alegria e exaltação tão espantosas? De onde provinha tanta
constância num ser tão frágil? De onde obtinha este homem uma alma
tão espiritual, uma caridade tão fervorosa e uma vontade tão
forte? Não julguemos que encontrava tão grande coragem em si
próprio; era o dom perfeito que descia do Pai das luzes (Tgo 1,17),
daquele que é o único que opera maravilhas. Era o Espírito Santo
que vinha em auxílio da sua fraqueza, e que espalhava no seu coração
um amor forte como a morte, e mesmo mais forte do que a morte (Ct
8,6).
Queira
Deus que também nós participemos hoje nesse Espírito! Porque se
agora o esforço da conversão nos é penoso, se velar em oração
nos aborrece, é unicamente devido à nossa indigência espiritual.
Se o Espírito Santo estivesse connosco, viria seguramente ajudar-nos
na nossa fraqueza. O que fez por santo André face à cruz e à
morte, fá-lo-ia também por nós: retirando ao labor da conversão o
seu carácter penoso, torná-lo-ia desejável e mesmo delicioso. […]
Irmãos, procuremos este Espírito, envidemos todos os nossos
esforços para O possuir, ou possuí-Lo mais plenamente se O tivermos
já. Porque «se alguém não tem o espírito de Cristo, não Lhe
pertence» (Rom 8,9). «Nós não recebemos o espírito do mundo, mas
o Espírito que vem de Deus» (1Cor 2,12). […] Devemos pois tomar a
nossa cruz com santo André, ou antes, com Aquele que ele seguiu, o
Senhor, nosso Salvador. A causa da sua alegria era que, não só
morria com Ele, mas como Ele, e que, unido tão intimamente à Sua
morte, reinaria com Ele. […] Porque a nossa salvação está nesta
cruz.

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